26 novembro 2014

A imagem que explica a vitória de Carlos Eduardo Pereira



Carlos Eduardo Cunha Pereira, 56 anos, administrador, é o novo presidente do Botafogo de Futebol e Regatas.

O resultado final foi o seguinte:

Chapa Ouro, de Carlos Eduardo: 442 (36,14%). 
Chapa Azul, de Thiago Alvim: 347 (28,37%)
Chapa Cinza, de Marcelo Guimarães: 234 (19,13%)
Chapa Alvinegra, de Vinicius Assumpção: 200 (16,35%).


A foto acima, que dispensa legenda, é a imagem da vitória de Carlos Eduardo, muito mais do que as inúmeras imagens de comemoração que devem estar a circular neste momento. A vitória da Chapa Ouro não foi construída apenas na campanha, mas na atuação do grupo no Conselho Deliberativo (CD) em forte oposição ao mandato da praia.

A foto foi tirada por Thiago Pinheiro durante a reunião do CD de 25/03/2014, onde Carlos Eduardo interpelou Maurício Assumpção acerca da saída do ato trabalhista, adiantamento de receitas (que Nininho não soube quantificar), promessas não cumpridas de CT, categorias de base, etc. Com sua veemência, Carlos Eduardo tirou Nininho do sério, numa discussão que chegou ao ponto de gerar esta foto.

Carlos Eduardo fez o que toda oposição deve fazer: fiscalizar, questionar. Não é preciso xingar ou apelas para baixarias. Basta questionar. Perguntar o porquê das decisões do presidente, pedir explicações de como o clube pode se beneficiar de tais decisões, cobrar o cumprimento de promessas, zelar pelo cumprimento do Estatuto.

Nesta mesma reunião o Mais Botafogo já tinha a companhia do Botafogo Acima de Tudo, de Antonio Carlos Mantuano, a esta altura finalmente rompido com Maurício, que tem forte influência no corpo permanente de beneméritos. Com isso foi possível dificultar a aprovação de novos vices e beneméritos.

Os quatro candidatos (globoesporte.com)

O contraponto é o MCR. O grupo tem uma bela página escrita na história do clube ao suportar a gestão Bebeto de Freitas, que salvou o clube de um abismo, e conta com figuras respeitadas no clube por sua atuação em outras épocas, como Mario Pinheiro, Marcos Portella, Gustavo Ferreira e, claro, o próprio Vinícius. Porém, talvez por certa desmobilização, o MCR aceitou compor com Nininho em 2011 e teve atuação muito apagada no CD ao longo destes três anos. O espaço vazio foi ocupado com destaque pelo Mais Botafogo, e a tentativa de Vinícius se descolar de Nininho soou artificial, não sendo possível compensar apenas com a campanha os últimos três anos.

Vinícius Assumpção vota (oglobo.com.br)

Thiago Alvim fiou-se somente na promessa de ter consigo "o pessoal do dinheiro". Mas não conseguiu se descolar de Nininho, e a imagem de Montenegro ganha os votos de quem gravita em torno de General Severiano, mas afasta quem não convive na sede. Thiago não tem muito traquejo para se expressar como candidato, e teve como ponto mais baixo da campanha o momento em que num debate seu grande trunfo para desqualificar Carlos Eduardo era o fato de que ele mora em Itaipava. A resposta do adversário afirmando que trabalha no Rio Sul, em frente ao Botafogo, tornou a pergunta ainda mais constrangedora.

O favorito Thiago Alvim ficou em segundo (oglobo.com.br)

Marcelo Guimarães conseguia cativar os sócios mais recentes, pouco afeitos ao que se passa dentro do clube. Seu discurso funcionava externamente, mas não convencia quem acompanha o clube de perto. É outro que não abandonou Nininho. Ao contrário, foi abandonado por ele - e duas vezes. Quando Thiago Alvim abriu mais detalhes de sua demissão, mostrou certo descontrole no debate.

Marcelo Guimarães e seu vice Edson Santana (oglobo.com.br)

Carlos Eduardo é o mais velho dos candidatos, e também o mais tradicional dentro do clube, por já ter sido vice geral de Montenegro há 20 anos, o que não lhe ajuda a se vender como algo novo. Também era o único sem uma promessa de campanha repetida a todo instante, tais como "sou amigo do pessoal do dinheiro" ou "sou um homem de mercado que vai profissionalizar o clube". Talvez por isso fosse o menos carismático para o torcedor médio.

Também havia na chapa a presença do grupo de Mantuano, que conta com certa rejeição de muita gente. O fato do Mais Botafogo ter apoiado Nininho em 2008 era sempre lembrado, e o antídoto da chapa foi jamais negar tal fato, mas contrapor com a atuação de oposição durante o mandato da praia.

Amarildo apoiou Carlos Eduardo (oglobo.com.br)

Os debates favoreceram o candidato da Chapa Ouro, que conseguiu sempre ser mais seguro e com os pés no chão, mas tiveram repercussão relativa. A reta final da campanha serviu para definitivamente descolá-lo de Nininho, e para isso a divulgação exaustiva da foto que abre esse texto foi fundamental. Ela passou uma imagem de forma mais eficiente do que qualquer texto.

Que todos aprendam a lição de que a eleição é resultado de um processo. Não adianta em dois meses encher o eleitor de promessas e achar que vai vencer. Os eleitores mudam, evoluem, as demandas mudam também. Montenegro aprendeu uma lição dura. Subestimou as demais candidaturas e achou que venceria com um improviso. Não deu.

Que todos nós entendamos que a eleição de 2017 começa agora. Vamos acompanhar, fiscalizar e cobrar o mandato de Carlos Eduardo. Mas acompanhemos também as demais correntes do clube, estejam dentro ou fora do CD, para que em 2017 ninguém tente nos vender uma imagem de si diferente da realidade.

Agora é hora de trabalho, muito trabalho. Boa sorte para Carlos Eduardo e boa sorte para nós.

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