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16 janeiro 2016

Sócio-futebol e sócio-sede






Primeiro, abordamos a impossibilidade do Botafogo manter, neste momento, outros esportes em atividade. Depois, a necessidade de separar o futebol do social, evitando que o futebol arque com custos do social e melhorando a gestão do clube. 

No texto de hoje propomos a existência de duas categorias de sócio, o ligado ao futebol e o ligado ao social. Aqui os chamaremos de sócio-futebol e sócio-sede. O sócio-futebol é o comumente chamado de sócio-torcedor, e o sócio-sede é basicamente o atual sócio-proprietário. 

A existência das duas modalidades de sócio é desdobramento natural da separação entre futebol e social, pois o dinheiro arrecadado com o sócio-futebol vai todo para o futebol, e o dinheiro arrecadado com o sócio-sede vai todo para o social. 

As duas categorias tem uma única característica comum: ambos dão direitos políticos, isto é, a votar e ser votado. Com o mandato de quatro anos, sugerimos que o período de carência para votar seja de um ou dois anos, e o para ser votado seja de quatro anos, o mesmo de um mandato,, evitando quem novo sócio possa ser votado já na eleição seguinte.

E há importantes diferenças entre as categorias. O sócio-futebol paga um valor baixo pela compra do título e por sua manutenção, pois não tem absolutamente nenhum outro direito estatutário além dos direitos políticos. Não há nenhum direito que gere custo, nenhum serviço ou benefício como direito adquirido. O sócio-sede tem valores de joia e taxa de manutenção mais altos, pois além dos direitos políticos, tem outros direitos estatutários ligados ao social. Ou seja, o sócio-sede tem direito a serviços e benefícios exclusivos que geram custo, por isso pagam mais.

Isso pode ser feito de algumas formas diferentes. Aqui abordaremos a mais fácil, que é através de duas modalidades distintas de sócios. Uma outra opção seria, por exemplo, manter apenas uma modalidade, mas desvinculando o direito a uso da sede como uma contratação em separado, mas não a detalharemos aqui.



Sócio-futebol

Fonte: Esporte Interativo

O sócio-futebol paga um valor baixo de título, parcelado pelo período de carência para que possa votar. Digamos que sejam 24 meses. Durante este período, ele não paga mensalidade. Estes valores devem ser definidos pelo Conselho Diretor (considerando a estrutura administrativa atual). Mas como o sócio-futebol não gera custo ao clube, entendemos que tal valor seja baixo a fim de atrair o maior número possível de associados. Quaisquer outros serviços ou benefícios que o sócio-futebol venha a adquirir serão cobrados - desconto em ingressos, produtos, acesso a conteúdos exclusivos, etc.



Sócio-sede

Fonte: Globoesporte.com

O sócio-sede é basicamente o sócio-proprietário atual. Na divisão entre futebol e social, ele está totalmente ligado ao social. Seguirá com os mesmos processos do sócio-proprietário atual, se assim a administração do social entender. Aprovação de outros sócios, direitos de uso da sede, pagamento de joia e taxa de manutenção, possibilidade de incluir dependentes. Mas note que os valores de joia e taxa de manutenção terão de ser compatíveis com os custos da sede, que serão arcados apenas pelos recursos arrecadados pelo social, que em sua maioria advém dos associados. A sede tem que fechar as contas positivamente.



Observações importantes

1 - O sócio-futebol não tem direito a nada relativo ao social, a menos que por ato de gestão o gestor do social decida conceder a ele algum benefício. Da mesma forma o sócio-sede não tem nenhum direito ou benefício relativo ao futebol (por exemplo, desconto em ingresso), a menos que o gestor do futebol decida fazê-lo num ato de liberalidade. Não há direitos adquiridos, estatutários, do sócio de uma área sobre a outra área.

2 - Uma mesma pessoa pode participar do futebol e do social. Entretanto, essa pessoa continuará tendo direito a apenas um voto, associado a apenas uma matrícula (a da modalidade a que aderiu primeiro), sendo identificado como um sócio misto. A qualquer tempo poderá se desfazer de uma das modalidades (cancelamento ou venda).


Necessário, mas não suficiente

Essa abertura do Botafogo ao torcedor permite que ele de fato participe e financie o futebol, sem que seu dinheiro corra para outras finalidades ao mesmo tempo em que é alijado de todo o processo decisório do clube.

Entretanto, tal mudança é necessária e urgente, mas não suficiente. Não temos expectativas de subitamente chegar a 100 mil sócios e resolver todos os problemas do Botafogo. Não é assim. Esta mudança deve estar no contexto de outras, como a reestruturação administrativa e a reforma eleitoral. 

A abertura do Botafogo através do sócio-futebol já está atrasada alguns anos.  Trará alguns resultados positivos no curto prazo, mas os ganhos definitivos virão no médio prazo. O importante é iniciar este processo o quanto antes.

15 janeiro 2016

Separação entre o futebol e o social



O Botafogo precisa decidir o que ser neste século XXI: um clube social que tem um time de futebol ou um clube de futebol que tem uma área social.
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No texto anterior, abordamos a necessidade do Botafogo se dedicar exclusivamente ao futebol, abandonando, neste momento, todos os demais esportes. Mas há uma outra atividade que o clube exerce além do futebol: a social.

O Estatuto do Botafogo o define como "uma associação desportiva, sem fins lucrativos", e diz que tem como finalidades:

I. promover a prática, prioritariamente, do remo e do futebol;Il. fomentar' o desenvolvimento da educação física e a prática de outras atividadesdesportivas, em especial as olímpicas; eIII. promover atividades sociais e apoiar as de caráter cultural, educacional, assistencial, filantrópico e de lazer.

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Das atividades listadas pelo Estatuto, resta claro que o futebol é a que tornou o Botafogo uma força nacional ao longo do século XX. Retire-se o futebol do Botafogo e teremos algo como um Tijuca Tênis Clube, que também é um clube social com eventuais equipes esportivas profissionais, com destaque para o basquete. O Tijuca Tênis Clube é um clube social que eventualmente tem equipes esportivas profissionais. O Botafogo não é. Ou não pode ser isso.

O Botafogo tem seu destino ditado pelos sócios-proprietários que, pelo modelo associativo, estão mais ligados à área social. Ficam excluídos os milhões de torcedores de futebol que fazem dele um grande clube nacional. Mesmo no reduzido número de associados em dia, há um grande percentual de sócios que só mantém o título em razão do futebol, tanto que a frequência da sede é restrita a um pequeno e repetitivo grupo de pessoas.

O futebol, portanto, destina recursos à área social. Primeiro porque parte dos associados que pagam o título e a taxa de manutenção exclusivamente por causa do futebol está financiando na verdade a área social, que é para onde tal recurso vai. Segundo, porque  a área social não se paga, sendo necessário cobrir os custos com dinheiro do futebol. Os valores pagos pelos associados que usufruem dos serviços de lazer da sede social são muito baixos se comparados com outros clubes sociais da zona sul do Rio de Janeiro (há clubes cujos títulos custam 40 mil reais ou mais, enquanto o nosso custa pouco mais de 2 mil reais), o que faz com que recursos oriundos do futebol paguem parte dos custos do social.


Separação entre o futebol e o social

Nossa proposta é uma separação total entre o futebol e o social. O Botafogo tendo uma estrutura para o futebol e outra para o social. Cada setor sobrevivendo somente dos recursos que obtiverem por meios próprios, com gestões independentes e sem nenhum tipo de transferência de recurso de um setor para o outro. A única hipótese do futebol cobrir dívida do social seria se este não mais tivesse condição alguma de se sustentar. Neste caso, o futebol cobriria a despesa e a atividade social seria encerrada.

Para tal, é necessário que futebol e social tenham modalidades de sócios também em separado, tendo como única semelhança o fato de ambos darem ao titular os mesmos direitos políticos de votar e ser votado. A consequência natural disso é a criação de uma categoria de sócio voltada para o futebol, o que é popularmente conhecido como sócio-torcedor, o que será objeto do próximo texto.

Por enquanto, deixamos para você refletir novamente sobre que o Botafogo deve ser: um clube social que tem um time de futebol ou um clube de futebol que tem uma área social.

O Botafogo sempre foi um clube social que tem um time de futebol. Nós defendemos que o Botafogo do século XXI deve ser um clube de futebol que tem o social como atividade secundária.

03 maio 2014

Maurício Assumpção e a sua dificuldade de entender a torcida do Botafogo



Em reportagem de 01/05/2014, no jornal Extra online, o presidente do Botafogo, Maurício Assumpção foi questionado sobre o preço dos ingressos, numa comparação com a bem sucedida campanha do Fluminense, que baixou o preço e passou a ter públicos bons para a realidade brasileira. As respostas de Assumpção guardam o eterno desprezo para com a torcida do Botafogo, mas revelam também uma assustadora incompetência.

Maurício Assumpção nunca entendeu a torcida do Botafogo
Os números levantados pelo jornal são os seguintes:

Fluminense x Figueirense
Preço mínimo: R$ 10,00
Público pagante: 31.173
Arrecadação líquida (após descontos): R$ 118.000,00
Ingresso médio: R$ 12,36

Botafogo x Internacional
Preço mínimo: R$ 50,00
Público pagante: 7.954
Arrecadação líquida (após descontos): R$ 22.000,00
Ingresso médio: R$ 38,50

Vejamos as respostas de Assumpção:
— Nós já fizemos promoções no ano passado, quando tínhamos Seedorf e Rafael Marques, e percebemos que o aumento do público nesses casos é de 15%. No Fluminense, realmente, eles colocam o dobro de torcedores quando há promoção. A verdade é que o torcedor do Botafogo fica nas redes sociais cobrando promoção, mas, quando fazemos isso, ele não vem ao estádio. Na Libertadores, o torcedor do Botafogo mostrou que comparece quando compra o barulho do time, mesmo sem promoção.
— Eu não posso cobrar R$ 10 no ingresso e o sócio-torcedor, que está com a gente o ano todo e pagando R$ 79,90 por mês, ficar com cara de otário — disse.
 O assunto é importante, e merece uma análise mais aprofundada.

1 - Sou Botafogo não é sócio-torcedor


Para começar, esqueçam a expressão “sócio-torcedor”. O Sou Botafogo não é um programa de sócios, pois quem o assina não se torna sócio do Botafogo. É apenas uma assinatura de ingressos ou benefícios, mais nada.

2 - Preço do ingresso médio pago pelos assinantes do Sou Botafogo


A reportagem diz que o Botafogo tem cerca de 7 mil assinantes do Sou Botafogo com direito a entrar no estádio com a carteirinha. Esse número parece estar inchado, ao menos se cotejado com o público que realmente comparece aos jogos. 

A mensalidade mais baixa dessa modalidade de assinatura é de R$ 80,00 reais. Em um ano, são R$ 960,00. O Botafogo até agora mandou 7 jogos no Campeonato Carioca (seis contra pequenos e um clássico), 4 na Libertadores, e até o fim do ano terá mandado mais 19 no Brasileiro e ao menos 1 na Copa do Brasil. Isso totaliza 31 jogos com mando (podendo chegar a 34, se formos à final da Copa do Brasil). 

R$ 960,00 no ano por 31 jogos já dariam um ingresso médio de R$ 30,97 reais. Se considerarmos que dos seis jogos contra pequenos, apenas um foi no Maracanã, e que do Brasileiro estão previstos ao menos dois jogos fora do Maracanã, essa conta cai para 24 jogos, com o ingresso médio apenas para jogos no Maracanã subindo para R$ 40,00. Se por um acaso o torcedor faltar a quatro partidas e for apenas a 20 jogos, a média já sobe para R$ 48,00 por jogo. Se considerarmos que muita gente paga meia, um assinante do Sou Botafogo que vá a 20 jogos terá pago em média quase o dobro de alguém que vá aos mesmos 20 jogos pagando meia.

Quem empenha R$ 960,00 nisso? Somente os famosos "sete mil de sempre", que são basicamente o público inercial do Botafogo que desde 2003 assina qualquer coisa que a diretoria invente, por pior que seja, embora nem sempre vão aos jogos. Os demais ficam no varejo, contando dinheiro apenas para os jogos mais importantes.

Isso não é legal, Maurício

3 - Antes de renda e fidelização, o importante é a taxa de ocupação


Buscar fidelização e aumentar arrecadação com a renda devem ser objetivos de todo clube. Mas primeiramente é necessário criar demanda. Não se pode vender caro um produto que não tem demanda. E o futebol brasileiro tem problema de demanda, pois o baixo público é histórico e endêmico, com razões nacionais, locais e específicas de cada clube. Alguns clubes têm feito ações que trazem bons públicos, mas geralmente por curto período.

Ao usar o Sou Botafogo como justificativa para o alto preço, Maurício continua persistindo no mesmo erro pelo sexto ano seguido, o mesmo erro que outros clubes cometem. Cria uma dificuldade, o valor alto do ingresso, para que o plano de ingressos, que também não é bom, se torne vantajoso. Não há demanda grande que justifique sacrifícios ou altos gastos do torcedor.

Assumpção alega que é mais vantajoso assinar o Sou Botafogo do que pagar ingresso cheio em todos os jogos. Mas quem disse que o torcedor está disposto a ir a todos os jogos nas condições atuais? O Sou Botafogo sai a uma média um pouco menor? E daí? Estamos comparando algo caro com outro ainda mais caro, por um produto que não vale o que cobram. E quem diz que não vale são os borderôs, os públicos. 

A diretoria do Fluminense finalmente reconheceu que seu público acha que o espetáculo que o clube vende vale R$ 10,00, mas não vale R$ 50,00. Por R$ 10,00, há demanda, por R$ 50,00 não.

4 - Experiência e hábito, não obrigação


O clube hoje precisa oferecer ao torcedor uma boa experiência no estádio, de modo que ele goste e queira voltar. Com isso, ele cria o hábito de ir aos jogos regularmente, passa a sentir falta quando não vai, pode ir com amigos ou familiares, transformando aquela simples partida de futebol numa experiência também de relacionamento.

O torcedor já sofre com o transporte, a violência e alguns horários complicados. A desorganização do futebol brasileiro, com excesso de jogos, muitos deles inúteis, também contribui para o desânimo. Esses são fatores inerentes ao país, às cidades e ao futebol brasileiro. O clube deve então atacar os pontos que lhe cabem, especialmente no interior do estádio.

Baixo preço de ingresso, permitindo ao torcedor comprar por impulso e até levar familiares sem que isso pese no bolso. O torcedor pensa em ir ao jogo e vai, sem fazer contas ou se assustar com valores. O clube precisa oferecer também conforto e comodidade. Venda de ingressos antecipada, organizada, entrada no estádio também organizada e boa estrutura dentro, preferencialmente sem tentar extorquir o cidadão nos bares internos.

O torcedor não tem nenhuma obrigação de ir ao estádio, como pensam muitos dirigentes. Ele é ao mesmo patrão, cliente e consumidor. Sendo bem tratado, o torcedor usufrui da experiência e quer repeti-la, leva filhos, leva amigos e uma nova geração de torcedores cria o hábito da arquibancada.

5 - Os ganhos indiretos


É comum que um dirigente de pouca visão pense no público apenas pela renda. O Extra já mostrou que mesmo com ingresso mínimo custando um quinto do Botafogo, o Fluminense saiu de seu jogo com o quíntuplo de dinheiro. Ou seja, mesmo na conta direta o Botafogo já saiu perdendo.

Mas há ganhos indiretos. O estádio cheio traz diversas vantagens para o clube. Primeiro, há um ganho técnico, pois a atmosfera criada com mais torcida pressiona o adversário, anima a equipe e aumenta a chance de resultado positivo. E vitórias significam mais retorno de mídia, valorização, disputa de títulos.

O estádio cheio é bom para a imagem do clube e da torcida. Cria-se a fama de torcida que comparece, que empurra, e o torcedor se sente parte do jogo, sente que ajuda no resultado. O torcedor sente orgulho de si mesmo.

Com mais pessoas criando o hábito de ir aos jogos e vivenciando essa experiência de um estádio cheio, forma-se uma nova geração de torcedores atuantes, torcedores estes que também são mais propensos a consumir produtos originais do clube.

Também agrega valor à marca. A tendência é a TV transmitir mais jogos, pois partidas com mais público dão mais audiência do que as de estádio vazio. A camisa se valoriza, aumentando a arrecadação com patrocínios.

Não fica mais bonito assim?

6 - Fazer o básico corretamente


Portanto, é preciso ter em mente que o mais importante no momento é subir a taxa de ocupação do estádio. Para tal, o Botafogo precisa tratar bem seu torcedor através de ações simples:

- Ingressos compatíveis ao que hoje vale o espetáculo e ao que hoje está disposto a pagar o torcedor. 
- Venda de ingressos organizada e bem antecipada. 
- Operação do estádio também organizada, especialmente entrada e saída. 
- Pacotes de ingressos para jogos em sequência ou por competição.
- Confirmação antecipada de datas e locais dos jogos (por exemplo, ninguém sabe ao certo onde serão os próximos). 

Não são ações inovadoras ou mirabolantes, basta fazer com qualidade a rotina inerente a qualquer clube, mas que hoje no Botafogo se faz de forma péssima. Bons resultados não serão obtidos simplesmente criticando repetidamente a torcida e tratando-a como se tivesse obrigação de compensar os erros administrativos de pessoas despreparadas.

O Fluminense, tão elogiado, pôs 30 mil pagantes, que são em torno de 50% de taxa de ocupação (considerando carga máxima de 60 mil). É uma taxa pífia se comparada à Europa, mas boa em termos de Brasil. O Botafogo precisa trabalhar com uma meta de pelo menos 60% ou 70%, mesmo sabendo que isso não se consegue da noite para o dia.

Preço justo, organização e bom tratamento são a chave. O torcedor do Botafogo já deu provas de que responde bem quando motivado. Basta então que lhe deem motivos para encher novamente o estádio.

15 março 2014

Panfletagem pelo sócio-torcedor com direitos políticos - Maracanã, terça, 19h



Nesta terça, às 19 horas, na "Entrada C" do Maracanã, antes do jogo do Botafogo, faremos uma panfletagem em defesa do sócio-torcedor com direito a votar e ser votado. Se você acredita nessa ideia, apareça e junte-se a nos nesse ato!



Não há receita mágica para salvar as finanças do Botafogo. E se há, nós não temos e não é nossa intenção buscá-la. O objetivo do “Botafogo sem Medo” é único: promover a participação da torcida no processo político do clube, através de um sócio-torcedor com direitos políticos: podendo a votar e ser votado.

Na última eleição do Botafogo, em 2011, apenas 1007 pessoas aptas a votar o fizeram efetivamente o fizeram. Foram apenas duas chapas existentes para poder eleger o presidente e as respectivas vice-presidências e 140 conselheiros - há ainda cerca de 70 beneméritos, que fazem parte do Corpo Permanente, sendo conselheiros. 

Esse baixíssimo número de votantes já causa preocupação; porém, pior ainda é a participação dos conselheiros na reunião do Conselho Deliberativo. Em janeiro, quando foi votado o orçamento para 2014, apenas 39 estiveram em General Severiano para votar. Repetindo: 39 conselheiros, um índice de 27% de presença apenas, ou pior, mais de 70% de abstenções!, demonstrando um claro desinteresse por aqueles que ali estão.

Há muitas razões para defender a participação mais efetiva da torcida. Hora de enumerá-las.

Por justiça:

Todos são torcedores do Botafogo e a todos interessa o bem do clube, porém, à maioria cabe apenas o papel de torcer, sem qualquer possibilidade real de interferir positivamente nos rumos do mesmo.

Pela questão geográfica:

A maior parte da torcida do Botafogo encontra-se fora da região metropolitana do Rio de Janeiro. Com isso, o seu interesse é quase que exclusivo no futebol. Hoje, para poder participar politicamente, é obrigatório a compra do título de sócio-proprietário, o que, para este alvinegro distante, não é um atrativo, considerando a distância para a sede e a consequente impossibilidade de frequentar o mesmo com regularidade.

Por dinheiro:

Quem participa, se envolve mais. Um sócio torcedor com direitos políticos é alguém mais presente no dia-a-dia do clube, mais propenso não apenas a ir aos jogos, mas, também a consumir, se engajar e divulgar.

Pela renovação dos quadros:

Por conter poucos sócios que têm condições estatutárias de participar da vida política, praticamente não há renovação nas pessoas que participam dos processos decisórios do Botafogo. Novas pessoas trazem novas ideias. 

Pela valorização do Sócio Proprietário:

O sócio-proprietário continuaria com o direito exclusivo de frequentar a sede, além de continuar a poder votar e ser votado. O social do clube passaria a ter ainda mais autonomia. 

Sendo assim, não vamos ficar apenas na internet. É hora ganhar as ruas e espalhar a ideia para o restante da torcida. Nesta terça, no Maracanã, faremos uma grande panfletagem sobre o sócio-torcedor com direito a votar e a ser votado. Estaremos a partir das 19h em frente à entrada "C", na Eurico Rabelo.

Se você acredita nesta ideia e quer conhecer melhor o grupo, venha participar deste ato. Será o primeiro de muitos!

25 janeiro 2014

Sou Botafogo: mais esclarecimentos





Hoje conversamos com a equipe do Sou Botafogo na sede de General Severiano. Havia duas atendentes, que responderam a algumas perguntas:

Sul Superior esgotada para Botafogo e Quito?

Sou Botafogo: Não. A Futebol Card libera a venda aos poucos, ela não põe toda a carga à venda. Por isso todo dia esgota e no dia seguinte volta a estar disponível. 

Assinante Glorioso pode fazer check-in para setor do Ninguém Cala?

SB: Sim, assinante do Sou Botafogo Glorioso pode fazer check-in para qualquer setor.

Foi dito que o check-in deve ser feito até 72 horas antes do jogo, mas o do jogo com o vasco só abrirá exatamente 72 horas antes do jogo (na verdade, a data lá está errada, está 31/12/2014). Os dos jogos em São Januário também abriram fora desse prazo.

SB: De fato nos de São Januário aconteceu isso, mas o do jogo contra o Deportivo Quito abriu com bastante antecedência e assim será em todos os jogos com mando do Botafogo. Abrirá com bastante antecedência.

Haverá check-in para clássicos com mando do Botafogo e mando do adversário?

SB: Somente com mando do Botafogo. O que vai abrir na Futebol Card para este jogo com mando do vasco não é check-in, é opção de compra com 50% de desconto.

Caso a carteirinha nova não chegue ou caso futuramente o assinante perca a carteirinha, como fazer?

SB: Neste caso o assinante terá de pegar um ingresso para entrar no estádio. Isso deve ser feito para quem não receber a carteirinha a tempo para o jogo contra o Deportivo Quito.

Nota: uma atendente chegou a dizer que seria necessário levar boletim de ocorrência comprovando perda ou furto da carteirinha a fim de solicitar uma nova. Diante do espanto, a outra atendente confirmou o óbvio: basta comunicar a perda que a carteirinha é bloqueada e uma nova é solicitada mediante taxa.

Quantos assinantes adimplentes há hoje?

SB: No total, cerca de 8 mil, mas isso contando com todos os planos, não apenas o "Ninguém Cala" e o "Glorioso", que são os de acesso ao estádio. Não temos aqui os números por plano.

Algumas pessoas tem tido problema no check-in. Ao clicar, o assinante é redirecionado para o pagamento do ingresso com valor cheio, e não com desconto de 100% como tem de aparecer para os assinantes. 

SB: Sabemos disso, mas são poucos casos e basta a pessoa aguardar e tentar novamente mais tarde.

Neste caso, a pessoa é obrigada a tentar em outro dia, mas nesse intervalo corre o risco de ver os ingressos esgotados e ficar de fora. Conheço pessoas que compraram ingresso enquanto não conseguiam fazer o check-in, temendo ficar de fora do jogo contra o Quito.

SB: Caso o problema persista, o assinante deve entrar em contato por telefone ou presencialmente para que a equipe do Sou Botafogo possa solucionar o problema. 

Se o problema persistir, o assinante pode fazer o check-in por telefone, isto é ligar para o Sou Botafogo, confirmar os dados e o Sou Botafogo fazer o check-in pelo próprio sistema?

SB: Não. Somente é possível pela internet, pelo meio disponibilizado. Caso o problema persista, deve haver contato para solucionar o problema, mas não para realizar o check-in.

Check-in será obrigatório.

Em outras consultas ao Sou Botafogo, confirmamos também que após a chegada das novas carteirinhas serão barrados os assinantes que não tiverem feito o check-in.


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Informações desencontradas em São Januário

Ao chegar na sala do SOu Botafogo, contamos o que houve em São Januário na partida de quinta, dia 23/01, contra o Madureira.

Antes do jogo de terça, foi informado por telefone que bastava levar identidade e CPF à bilheteria 5 para retirar o ingresso e entrar, e também já havia sido divulgado que a carteirinha antiga não serviria mais para nada. Mas chegando à tal bilheteria 5, a orientação era de que a carteirinha antiga fosse utilizada diretamente na catraca. Na catraca, quando havia problema, mandavam retirar ingresso na bilheteria 5.

No jogo de quinta, fomos direto com a carteirinha à catraca. Ao tocar a carteirinha, a catraca ficou verde, contabilizou um acesso ao estádio e imprimiu comprovante. Mas uma vez dentro do estádio, a equipe do Sou Botafogo nos retirou de lá. Impediram nosso acesso à arquibancada e fizeram com que saíssemos e fôssemos à bilheteria retirar um ingresso. Feito isso, passamos novamente pela catraca, que contabilizou novo acesso ao estádio. Ou seja, contamos duas vezes no borderô e temos dois comprovantes distintos de entrada no estádio.

Quando comentei com a atendente sobre esse problema de São Januário, a outra interrompeu com a exclamação: "ah, então foi ele!"

Bem, pelo menos aparentemente eles estão cientes dos problemas que tem ocorrido. Esperamos que tudo passe a correr bem, inclusive o problemático check-in.

Leia mais:

Check-in do Sou Botafogo: complicação desnecessária

Informações desencontradas do Sou Botafogo

22 janeiro 2014

Check-in do Sou Botafogo: complicação desnecessária





No texto anterior abordamos o check-in, a novidade do Sou Botafogo. Mostramos o que diz o regulamento do programa e as respostas da Golden Goal, empresa que o opera,  a algumas perguntas nossas.

Na prática, o check-in significa que a assinatura dos planos não garante ao assinante a garantia de seu lugar no estádio, pois esta depende de uma confirmação jogo a jogo através do check-in. Ou seja, você paga, mas ainda não leva. 

Em jogos indigentes do Campeonato Carioca, isso não será notado, tanto que estrearemos em São Januário e não nos estádios de que trata o regulamento. Mas imaginemos grandes jogos, como os da Libertadores. O assinante corre sério risco de ficar de fora da festa pela qual, é sempre bom lembrar, já pagou.

A partir do regulamento e das respostas da Golden Goal, temos algumas observações a fazer:

1 - O período de antecedência do check-in é indefinido, nem eles sabem. Se fosse um período padrão, digamos sete dias antes de cada jogo, o assinante poderia já se programar e se preparar para fazer o   check-in no tempo certo e não ficar de fora. 

Na verdade, o certo seria o check-in já estar aberto para todos os jogos confirmados, no caso todos da fase inicial do Carioca e o jogo contra o D. Quito em 05/02/2014. 

Dessa forma, o assinante precisa ficar constantemente monitorando para saber o momento em que será aberto o check-in.

2 - O check-in do plano Glorioso abrirá apenas um dia antes, e o do Ninguém Cala, pasmem, abrirá no mesmo instante do início da venda de ingressos. Ou seja, o fato de ser assinante sequer lhe garante maior tempo para antecipar seu check-in, o que o faz disputar uma corrida com as vendas da bilheteria para que garanta o lugar pelo qual, é sempre bom lembrar, já pagou.

3 - É difiícil entender como um plano tem prioridade sobre o outro se estão relacionados a setores diferentes, portanto sem concorrência entre si por lugares no estádio.

4 - A empresa diz que "o check-in só poderá ser efetuado em até 72hs de antecedência. Após este período, não haverá mais a possibilidade". Ora, o check-in para o jogo Botafogo e Bangu, no dia 21/01/2014, só foi aberto no sábado, dia 18/01/2014, exatamente 72 horas antes do jogo, e continua aberto. 

Se isso for seguido futuramente, o assinante só terá até segunda-feira, dia 20/01/2014, para fazer o check-in para o jogo contra o Madureira (23/01/2014), e até domingo, dia 02/02/2014, para o jogo contra o Deportivo Quito (05/02/2014).

5 - Algumas pessoas minimizam alegando que problemas de superlotação setorial ou assinante ficando de fora só ocorreriam em situação de estádio lotado. Mas qualquer programa deve ser elaborado para que tal possibilidade seja absolutamente impossível de se concretizar. Se acontecer em um jogo que seja, é rematado absurdo.

6 - Uma conta simples. O plano Ninguém Cala dá ao assinante o direito de acessar o setor Sul do Maracanã, sem distinção de superior e inferior. Este setor costuma ter 21 mil ingressos à venda, e também costuma ser o setor mais procurado, o que primeiro esgota. 

Digamos que o clube tenha 7 mil assinantes do Ninguém Cala. Se forem vendidos mais de 14 mil ingressos na bilheteria, necessariamente teremos assinantes de fora, impedido de irem a um jogo pelo qual, é sempre bom lembrar, já pagaram.

Ou seja, num jogo médio já poderemos ter transtornos com os assinantes que já pagaram e não tem seu lugar garantido.

7 - Pessoas menos familiarizadas com informática, especialmente as mais velhas, terão problemas. Para assinar o plano já é difícil, mas como é uma vez só, pode-se pedir a ajuda de um parente ou mesmo comparecer ao clube para resolver a situação. Mas imaginem idosos tendo de fazer esse check-in toda semana. O risco de pessoas ficarem de fora de grandes jogos é enorme.

Muita gente minimiza dizendo que "no Internacional é assim". Não, não é. No Internacional o sócio (lá é sócio mesmo) deste tipo de plano tem seu lugar garantido. O que o clube faz é pedir que o sócio que tenha certeza de que não irá ao jogo formalize isso para que o clube possa vender o ingresso deste sócio ausente. 

Ou seja, é exatamente o oposto. No Internacional o lugar está garantido a menos que o sócio formalize que abre mão. Aqui o assinante pagou mas não garantiu lugar, pois ainda depende de conseguir fazer o famigerado check-in antes do seu ingresso ser vendido.

A solução para quem se propõe a vender assinaturas deste tipo é que cada assinante em dia conte como um ingresso vendido. Parte-se da premissa do comparecimento, pois já está pago. Esta quantidade de assinaturas deve ser abatida da carga de ingressos posta à venda para aquele setor do plano. Assim se garante o direito de quem já pagou e elimina-se o risco de superlotação setorial.

O Botafogo complicou algo simples e está procurando encrenca grande.

Leia mais sobre o regulamento e as respostas da Golden Goal aos nossos questionamentos

Sou Botafogo agora exige check-in



Em dezembro passado, o Botafogo relançou com algumas modificações o Sou Botafogo, programa que é uma espécie de assinatura que dá direito ao acesso direto ao estádio em todos os jogos com mando do Botafogo.

Os planos com essa funcionalidade são denominados Sou Botafogo Glorioso e Sou Botafogo Ninguém Cala. Abaixo, a transcrição do regulamento que os explica:

"5. PLANOS
5.1.1. Plano SOU BOTAFOGO GLORIOSO. 
a. Cartão de acesso livre ao setor das arquibancadas centrais do Estádio Olímpico João Havelange ("Stadium Rio") do setor OESTE INFERIOR quando o Botafogo for o mandante do jogo.
c. Cartão de acesso livre ao setor das arquibancadas centrais do Estádio Jornalista Mario Filho, ("Maracanã"), do setor LESTE INFERIOR, quando o Botafogo for o mandante do jogo.

d. Para garantir o acesso em cada partida, o torcedor deste plano deverá entrar na área exclusiva para o Sócio no site oficial do programa www.botafogo.com.br/soubotafogo e reservar o seu lugar na referida partida com 72 (setenta e duas) horas de antecedência ao evento. Apenas após efetuar esta reserva o associado será autorizado a acessar o jogo (sistema Opt In). Após esta reserva, um e-mail de confirmação será enviado e a sua carteira já estará habilitada a entrar no estádio. Não serão aceitas reservas e confirmações no dia do jogo.
e. O torcedor deste plano terá preferência total na reserva de lugares.
5.1.2. Plano SOU BOTAFOGO NINGUÉM CALA. 
a. Cartão de acesso livre ao setor das arquibancadas centrais do Stadium Rio do setor OESTE SUPERIOR, quando o Botafogo for o mandante do jogo. Nos demais jogos em que o Botafogo venha a participar no Stadium Rio, em que a capacidade do referido Estádio venha a ser dividida, o seu direito de acesso será mantido (como por exemplo, clássicos semifinais e finais doCampeonato Carioca, de acordo com o Regulamento da Competição), no entanto o Botafogo poderá, a seu exclusivo critério, não utilizar a arquibancada central superior do Stadium Rio, sendo certo que neste caso os associados ficarão localizados, necessariamente, na arquibancada oeste inferior lateral.
b. Cartão de acesso livre ao setor das arquibancadas do Estádio Mário Filho, “Maracanã“, do setor SUL, quando o Botafogofor o mandante do jogo.
c. Para garantir o acesso em cada partida, o torcedor deste plano deverá entrar na área exclusiva para o Sócio no site oficial do programa www.botafogo.com.br/soubotafogo e reservar o seu lugar na referida partida com 72 (setenta e duas) horas de antecedência ao evento. Apenas após efetuar esta reserva o associado será autorizado a acessar o jogo (sistema Opt In). Após esta reserva, um e-mail de confirmação será enviado e a sua carteira já estará habilitada a entrar no estádio. Não serão aceitas reservas e confirmações no dia do jogo.
d. O torcedor deste plano terá preferência em segunda posição na reserva de lugares."

O regulamento, que só foi disponibilizado muito tempo após o início da venda de assinaturas, diz os setores a que cada plano permite acesso nos estádios Engenhão e Maracanã, e nos apresenta como principal novidade isso que estão chamando de check-in.

Desde o lançamento dos planos temos feito questionamentos telefônicos e por email à Golden Goal, empresa que opera o Sou Botafogo, e ao próprio Botafogo, tratando de diversos temas, mas com preocupação especial com esse tal check-in. 

Segue o trecho da última troca de emails que trata do check-in:

1 - Diz que o torcedor deve “reservar seu lugar na referida partida com 72 horas de antecedência”. Quanto tempo antes do jogo é aberta a opção de confirmação?

Golden Goal: O período dependerá sempre da liberação para venda dos ingressos.


2 - O que acontece se a página ficar fora do ar e o torcedor perder a oportunidade de confirmar presença?

Golden Goal: Se o site ficar fora do ar, estenderemos o período ou efetuaremos trocas de ingressos, mas lembramos que apenas se for caracterizado problema do site e não de internet do usuário/ região.
Problema do site é caracterizado quando não há a possibilidade de nenhum usuário efetuar qualquer ação no sistema.


3 - Como será feita a venda antecipada de ingressos se ela depende do número de lugares disponíveis por setor, que por sua vez depende dos assinantes confirmados?
  
Golden Goal: Não há numero definido apenas para sócios, e a venda ocorrerá simultaneamente às da bilheteria.
O Glorioso terá o check-in liberado com 1 dia de antecedência.


4 - A partir de 72 horas do jogo, o assinante perde a preferência mas continua aberta a possibilidade de confirmação?

Golden Goal: Não. O check-in só poderá ser efetuado em até 72hs de antecedência. Após este período, não haverá mais a possibilidade.


5 - Como é feita a gestão da carga de ingressos posta à venda e as confirmações na internet?
Será tudo em tempo real para evitar uma provável superlotação setorial, o que pode acarretar uma tragédia?

Golden Goal: Claro. Sempre respeitando a capacidade máxima e por este motivo, não há prazo para efetuar o check in.


6 - O que significam “preferência total” e “preferência em segunda posição” nos planos? O “Glorioso” tem preferência sobre o “Ninguém Cala” em que sentido, uma vez que são planos para setores diferentes?

Golden Goal: Preferência em relação à venda de bilheteria.
As vendas para o Glorioso ocorrerão antes das vendas de bilheteria.
As vendas do Ninguém Cala abrirão simultaneamente às de bilheteria, mas em caso de grande procura, ele terá prioridade aos de bilheteria.


Esse procedimento nos causa preocupação tanto no conceito quanto na execução. Além de não garantir o lugar de quem já pagou por ele, também é de difícil operação na forma como está colocado.

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