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11 julho 2017

CT do Botafogo: o sonho virando realidade



Se o torcedor do Botafogo pensou que não viveria nesse ano uma expectativa tão grande quanto a de um jogo pela Libertadores, foi surpreendido pela notícia de uma possível aquisição de um centro de treinamento (CT). Quem entende a importância dessa estrutura certamente está mais ansioso do que em disputa de pênaltis (até porque isso já perdeu a graça para nós).

Amanhã, 11/07/2017, o Conselho Deliberativo votará a proposta de aquisição de um CT construído em Vargem Pequena, zona Oeste do Rio de Janeiro. Como conta a reportagem do UOL, os irmãos Walter e João Moreira Salles financiarão a compra, e o Botafogo os pagará em 30 anos.


Ilustração do local (Espaço Lonier)

Há anos os torcedores clamam por um mecenas, sempre sonhando com aportes financeiros a fundo perdido feito por botafoguenses ilustres. Num futebol profissional, isso não é necessário. É possível que empresários façam esses investimentos e tenham retorno, se o projeto for viável.



A ajuda dos botafoguenses ilustres

Engana-se quem pensa que o Botafogo não tem ajuda de torcedores ilustres com grande condição financeira. Como em todos os grandes o clubes, no Botafogo também há ajuda política, financeira e de relacionamento institucional por parte de grandes torcedores. Porém, quem direciona os investimentos é o próprio clube. Nunca foi apresentado um projeto bem estruturado, viável, para que fosse feito um investimento com um retorno bom para todos.

Os irmãos Moreira Salles e outros alvinegros sempre socorreram o clube em momentos de dificuldades. Seja para fazer fundo de investimento, ajudar a captar patrocínio, fechar as contas ou até pagar salários, o Botafogo sempre contou com essas pessoas.

No mandato de Bebeto de Freitas, foi feito o CT João Saldanha em General Severiano. Esta obra foi capitaneada por um grande sócio botafoguense que colaborou fortemente nos mandatos de Bebeto de Freitas, Maurício Assumpção e continua a fazê-lo na gestão Carlos Eduardo. Os irmãos Moreira Salles são muito próximos a este sócio, em quem confiam bastante quando se trata de entrar em algum projeto envolvendo o Botafogo.

Citamos aqui os irmãos Moreira Salles porque já saiu na imprensa. Não citaremos o tal sócio porque não lhe pedimos autorização. Mas por ele ter uma visão mais moderna e profissional para o Botafogo, certa vez ouvimos de pessoas da sede que o clube deveria fazer uma reforma estatutária para "impedir que alguém como ele chegue à presidência".



As condições do CT

O Conselho Fiscal do Botafogo já analisou o Memorando de Entendimento entre Botafogo e os irmãos Moreira Salles para aquisição do CT. O memorando trata das condições financeiras do negócio, que são as seguintes:
  • Valor máximo de R$ 25 milhões para aquisição de terreno mais obras (ou já pronto) .
  • Botafogo e irmãos Salles devem aprovar local e condições.
  • Imóvel fica em nome dos irmãos e por meio de Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda, será adquirido pelo BFR.
  • Pagamento em 360 parcelas iguais (30 anos).
O Conselho Fiscal também recomenda que o Botafogo se desfaça de Marechal Hermes ou de Caio Martins para arcar com as despesas mensais das parcelas e da manutenção do novo CT. Seria mesmo interessante para o Botafogo se livrar dessas instalações problemáticas e concentrar esforços e recursos em algo realmente seu.

Pelas contrapartidas exigidas pelos irmãos, o Botafogo deve:
  • Construir uma escola no local que atenda ao menos 60% dos jovens das categorias de base - além da bela preocupação com o social, uma escola agrega muito valor ao clube e aos jovens que lá estão. Ajuda até na formação como jogador.
  • Repassar aos irmãos Moreira Salles 20% dos direitos financeiros que couberem ao clube, derivados de negociação de jogadores das categorias de base.
  • Manter o percentual mínimo de 60% (sessenta por cento), dos direitos financeiros de qualquer jogador que passe pelas categorias de base do Clube - essa cláusula protege os irmãos e também o Botafogo, evitando o fatiamento dos direitos de jogadores da base.
As contrapartidas não apenas parecem justas como agregam valor e protegem o Botafogo em alguns casos.



O local

Conforme já noticiado amplamente, o CT deve ser num terreno de 200 mil metros quadrados em Vargem Pequena, onde hoje funciona o Espaço Lonier. O tamanho do terreno permite com sobras a construção de um CT integrado para categorias de base e profissional.

O local tem um campo de dimensões oficiais, mas já conta com outras estruturas prontas, como as de hospedagem, permitindo ao clube definir a melhor forma de realizar obras de adaptação às suas necessidades.


Infraestrutura esportiva (Espaço Lonier)

Fosse apenas um terreno baldio em município distante, já seria algo bom. Um terreno de 200 mil metros quadrados na zona Oeste do Rio traz excelentes perspectivas para o Botafogo.



Benefícios para o futebol

A base do Botafogo, blindada por Manoel Renha, conseguiu excelentes resultados com os bons profissionais capitaneados pelo diretor, mesmo padecendo de investimento muito baixo e infraestrutura modesta. Por isso o Botafogo desenvolve muito bem seus jogadores, mas não atrai os melhores talentos. Daí a tendência a revelar bons defensores inteligentes taticamente, mas poucos jogadores de ataque.

A nova estrutura do CT pode trazer o que faltava para a base dar um salto de qualidade, ainda mais num momento em que já perdemos um excelente profissional para o Cruzeiro e temos risco de perder outros para clubes mais estruturados.

Os profissionais, por sua vez, poderão trabalhar isolados da sede, com mais tranquilidade, privacidade e menos pressões e distrações. O treinador do profissional poderá acompanhar de perto os jovens das categorias de base.



A evolução da estrutura do Botafogo

Em 2014, durante o processo eleitoral, conversamos com algumas chapas e fizemos a todos a pergunta: o que você pretende deixar de legado para o Botafogo? A surpresa com a pergunta nos deixou preocupados com todas as chapas.

Em 2003, Bebeto de Freitas pegou um Botafogo rebaixado, endividado, até com computadores sumidos. Seu legado foi: Estádio Nilton Santos, CT João Saldanha, Ato Trabalhista, Timemania (o antecessor do Profut). A administração Bebeto teve inúmeros problemas, mas deixou este legado estrutural. Seu sucessor deveria manter as conquistas e avançar em dois pontos principais: um CT definitivo e categorias de base, abandonadas por Bebeto.

Em 2009, Maurício Assumpção assumiu nesse cenário. Teve dois méritos: conseguiu gerar receita e avançou nas categorias de base, que não tinham nada. Mas, além de tudo que já sabemos, ele depreciou as conquistas anteriores ao ser excluído do Ato Trabalhista, atrasar impostos, degradar o estádio Nilton Santos e não fazer CT - o Botafogo de Assumpção regrediu.

Em 2014, Carlos Eduardo assume esse Botafogo. Primeiro volta ao Ato Trabalhista e depois adere ao novo Profut. O Botafogo desfazia alguns retrocessos de Assumpção. Em 2017, passa a utilizar melhor o Nilton Santos. A categoria de base, agora nas mãos de Manoel Renha, dá sequência e melhora o trabalho que já vinha de alguns anos. 

Note que não abordamos resultado de campo, pois não nos interessam bons resultados fortuitos. Mais do que ganhar um título, queremos que o Botafogo tenha estrutura que lhe permita disputar todos os grandes títulos ano após ano.



O legado de Carlos Eduardo

Carlos Eduardo, quando cobrado para que fizesse um CT, sempre alegou que o clube não tinha condições para tal. Apesar disso, esbanjando os R$ 100 milhões adiantados junto à Globo, o clube gastou R$ 13 milhões na Ilha do Governador e anunciou mais R$ 3 milhões em obras no Nilton Santos para receber treinos do profissional (ninguém sabe em quanto ficou essa obra). Esses R$ 16 milhões gastos em menos de um ano já seriam 64% desses R$ 25 milhões do Memorando de Entendimentos.

Em janeiro deste ano, em entrevista à Rádio Botafogo, Carlos Eduardo pensava em utilizar Marechal Hermes e trabalhar com as categorias de base descentralizadas mesmo, pois entendia ser o possível a ser feito. Não se cogitava um CT, o que nos leva a crer que esta proposta tenha surgido recentemente.


Entretanto, ao assinar este contrato pelo CT, Carlos Eduardo preenche a lacuna que faltava para o Botafogo entrar no século XXI e passar a ter condições estruturais em nível semelhante às de seus competidores.

A torcida tem acompanhado como o estádio Nilton Santos é uma vantagem para o Botafogo dentro e fora de campo. E no seu aniversário de dez anos, ganha a companhia do CT.

O Botafogo terá os seguintes pilares para continuar evoluindo:

Futebol:
  • Estádio Nilton Santos.
  • CT integrado.

Financeiro:
  • Ato Trabalhista.
  • Profut.

Precisamos evoluir na questão administrativa: 
  • Profissionalizar o clube. 
  • Isolar o futebol do social.
  • Gerar receitas.
  • Aplicar os recursos corretamente.


Esperamos que o sim dito pelos conselheiros nesta terça seja o início de uma nova era para o Botafogo.

Daqui a alguns anos, quando o Botafogo for candidato a título nas principais competições, lembremos de 2007 (Nilton Santos) e 2017 (CT).

14 dezembro 2016

Com a palavra, o Conselho Fiscal do Botafogo



Após o texto sobre o adiantamento de R$ 100 milhões pela gestão atual, recebemos alguns questionamentos, especialmente sobre ser antecipação ou não.

Foto: Blog do Torcedor do GE
O primeiro ponto é que preocupa-nos mais a aplicação do recurso do que seu recebimento. A aplicação do recurso deve ser alvo de debate e fiscalização, sob risco de gastarmos sem agregar nada ao clube.

O segundo ponto, sobre ser antecipação, deixamos que as manifestações do Conselho Fiscal sobre o tema possam esclarecer.


Memorando 15 do Conselho Fiscal, sobre contrato da Globo

Em 12 de setembro de 2016, o Conselho Fiscal emitiu memorando acerca da prorrogação do contrato com a Globo até 2024. Nele, o Colegiado afirma que se trata de antecipação e manifesta preocupação com a longa duração do contrato.


Memorando 15 do Conselho Fiscal, de 12/09/2016
"Preliminarmente, algumas observações devem ser consideradas como:
a) Como já houve uma "pré-assinatura" da cessão, acreditamos que o Departamento Jurídico tenha feito suas considerações e tenha dado o aval acerca dessa negociação.
b) Nesta cessão, como a negociação vai até 2024, se trata de um período muito longo, de outras administrações inclusive, outros momentos financeiros ou quem sabe até de apresentação de outras propostas, assim, ficamos impossibilitados de negociar melhores propostas, já que ficamos vinculados a Globo;
c) Sabemos da nossa difícil realidade financeira, mas não podemos nos deixar seduzir por antecipações de pagamentos, que eles chamam de luvas. Será que todos os clubes terão esses mesmos valores;
d) O item em que as proponentes terão o direito de sublicenciar a terceiros, qualquer dos direitos da proposta, sem anuência ou pagamento do clube, ou seja, estarão ganhando em cima dos clubes (terceirização)."

Parecer do Conselho Fiscal sobre o orçamento 2017:

Em seu parecer acera do orçamento 2017, tema da reunião de 15/12/2016, o Conselho Fiscal novamente refere-se ao dinheiro da Globo como "antecipação".
Parecer do Conselho Fiscal sobre o orçamento 2017
"Com um aumento de 27% das receitas em relação ao ano de 2016, entendemos que esta variação está embasada principalmente na provável antecipação no contrato da Rede Globo em Janeiro/2017, no valor de R$ 40.000.000,00 (quarenta milhões de reais)."

08/12/2015 - A primeira antecipação de R$ 40 milhões

Na reunião de 08/12/2016, foi analisada a proposta de prorrogação do contrato com a Globo de 2017 para 2019, com redução no valor global e antecipação de receitas. 

Desta vez quem explica é o Vice-Presidente Executivo, Luís Fernando Santos, conforme registrado em ata:
Ressaltou o Vice-Presidente Executivo que os quarenta milhões (R$ 40 milhões) não são luvas e que teremos que devolvê-los em cinco anos (5 anos), sem juros e correção monetária. 

...
Ou seja, ao em vez de simplesmente aplicar os quarenta milhões (R$ 40 milhões) de adiantamento, nós utilizarmos dezesseis milhões (R$ 16 milhões) para zerar as dívidas de 2015 e aplicarmos o resto, a perda financeira do novo contrato se limitará, na realidade, a aproximadamente dois milhões de reais (R$ 2 milhões). 
...
Concluiu o Vice-Presidente Executivo que é um compromisso da Diretoria que o saldo remanescente do adiantamento, depois de retirados os dezesseis milhões (R$ 16 milhões) para pagamento das dívidas correntes, será preservado fora do orçamento, sendo utilizado apenas nos casos de despesas julgadas necessárias pelo Conselho Diretor e com a devida aprovação dos Conselhos Fiscal e Deliberativo. 
Vejam, o próprio Vice-Presidente Executivo afirma que os R$ 40 milhões são adiantamento de uma primeira negociação que já extrapolava o mandato atual.

O mais importante aqui é o compromisso assumido de só utilizar os R$ 24 milhões restantes com autorização dos Conselhos Fiscal e Deliberativo. 

Jamais houve qualquer solicitação ao Conselho Deliberativo sobre uso desse dinheiro. 


Conselho Fiscal cobra mais transparência

Não por acaso, o próprio Conselho Fiscal cobrou transparência. Nos memorandos 14 e 15, ambos de 12 de setembro de 2016, o Conselho Fiscal escreveu este mesmo parágrafo abaixo:


Memorandos 14 e 15 do Conselho Fiscal, de 12/09/2016
"Destarte, mais uma vez lembramos a sugestão deste Conselho Fiscal, feita acerca da criação de um "departamento para o controle dos contratos e/ou processos", onde pelo princípio da transparência, todos deveriam após sua análise e ter seu fluxo de controle, serem direcionados ao Conselho Fiscal, para o seu efetivo exame, como está previsto no Estatuto, e não apenas alguns contratos."
Na reunião do Conselho Deliberativo de 27/09/2016, um conselheiro mencionou este fato, que o Conselho Fiscal havia questionado em memorandos que não estava recebendo todos os contratos, mas apenas alguns. 

O presidente Carlos Eduardo reagiu de forma agressiva, mas a presidente do Conselho Fiscal, Leila Freitas, estava presente e confirmou que o Conselho Fiscal enviou ofício solicitando alguns contratos não entregues pelo Conselho Diretor.


Como usar esses recursos?

As renegociações do Botafogo com a Rede Globo com antecipação de receitas não são anormais. A questão é como usar dinheiro antecipado de contratos longos. Esse dinheiro tem que ser direcionado para investimentos que deem retorno, que agreguem valor ao patrimônio ou à estrutura do clube, que permitam posterior aumento de arrecadação. O maior exemplo seria um Centro de Treinamento.

Porém, se o dinheiro for gasto em capital de giro, para fechar os anos do mandato atual, teremos um enorme problema no mandato seguinte. Se em 2018 não haverá mais dinheiro de antecipação entrando, e se agora não for feito nada para aumentar receita, o gestor de 2018 será provavelmente obrigado a contrair empréstimos ou obter novos adiantamentos, comprometendo mais o futuro do clube.

Esta é a cobrança que fazemos ao presidente e aos conselheiros. O uso do dinheiro antecipado tem que garantir um melhor futuro para o Botafogo, e não comprometê-lo.

Esperamos que o assunto seja tratado com a transparência e a serenidade que merece.  



21 dezembro 2014

25 dias de Carlos Eduardo



Carlos Eduardo Cunha Pereira completou ontem 25 dias como presidente do Botafogo. Façamos um balanço desse início de mandato do período eleitoral até hoje.

Carlos Eduardo: trabalho já vem sendo recompensado

A eleição

Já escrevemos aqui que sua vitória foi construída ao longo da atuação como oposição a Maurício Assumpção no último mandato, o que lhe conferiu credibilidade e expectativa de uma grande mudança. Mas para vencer, o Mais Botafogo precisou compor com o Botafogo Acima de Tudo, de Antonio Carlos Mantuano e do vice Nelson Mufarrej, o que garantiu a vitória na urna de beneméritos e eméritos. Essa composição se reflete também na montagem do Conselho Diretor, em que a estratégica vice-presidência de futebol foi entregue 


Consciência da realidade financeira

No primeiro semestre de 2014, um grupo de investidores encomendou à KPMG um estudo sobre a situação financeira. O estudo foi apresentado a todas as correntes políticas do clube que tinham pretensões eleitorais. O grupo Mais Botafogo foi o que melhor entendeu o choque de realidade, tomando ciência de que os próximos anos serão de extrema austeridade, num processo que pode levar até uma década. Por isso Carlos Eduardo foi o candidato mais realista nas entrevistas, o que menos fez promessas.


Reaproximação política

Muitas das questões envolvendo clubes de futebol podem ser facilitadas ou prejudicadas pelo bom relacionamento com políticos e autoridades. Não para vantagens indevidas, mas para acelerar processos ou facilitar parcerias. Nesse início de mandato, Carlos Eduardo já  se reuniu com o Botafoguense governador do estado Luiz Fernando Pezão. 

Também houve aproximação com o prefeito Eduardo Paes, passo importante para a reabertura do Engenhão. E aqui cabe destacar o importante papel de Vinicius Assumpção, secretário municipal e candidato à presidência do Botafogo, que tem sido o grande articulador desse entendimento. Vinícius mostra que o Botafogo está acima de questões políticas ou pessoais dentro do clube. A expectativa é que o alcaide libere o estádio, mesmo que parcialmente, já para o Campeonato Carioca. 


Dívidas

As prioridades mais urgentes do Botafogo todos sabiam: equacionar as dívidas trabalhistas e fiscais, deliberadamente ignoradas por Maurício Assumpção e que tem por consequência penhoras e bloqueio de receitas, paralisando o clube.

Na última sessão do CD, no dia 17/12/2014, o presidente destacou a atuação de sua equipe na área jurídica, citando o vice geral Nelson Mufarrej, o vice jurídico Domingos Fleury e o advogado trabalhista Vagner Barroso. Este trabalho teve como resultado o retorno do clube ao Ato Trabalhista, confirmado nesta semana. Foi um trabalho árduo tanto dentro quanto fora do clube. Internamente para investigar a real situação interna e se organizar para resolver as diversas pendências que vem surgindo. Externamente, convencer o tribunal de que a nova diretoria cumprirá o que promete, que não haverá sonegação e que o Botafogo é capaz de honrar o acordo. Isso foi feito com sucesso.

Outra parte importante e urgente das dívidas é a fiscal. O Botafogo pagou as parcelas atrasadas da Timemania e se organiza para pagar as próximas do Refis. O desbloqueio de receitas a partir do Ato Trabalhista permitirá esse pagamento.


Patrocínio

O Botafogo fechou nessa semana novo acordo com a Viton 44, que estampará sua marca na parte frontal do uniforme ao longo de 2015 por 9,5 milhões. O contrato com a Puma foi estendido até o fim do Campeonato Carioca, ganhando tempo para um acordo melhor para o resto do ano, visto que já havia sido adiantado o dinheiro do contrato que ia até fevereiro.

Falta agora negociar bons contratos para o restante do uniforme, permitindo uma boa receita anual, e bons contratos para o Engenhão, caso liberado. Neste caso, é bom lembrar que há pendências com as empresas que tinham contrato em vigor quando da interdição.


Austeridade interna

A nova diretoria pretende cortar o máximo de gastos possível. Já foram identificados pagamentos excessivos a pessoas jurídicas, reflexo ainda da Confraria da Praia instaurada por Nininho. O vice de finanças, Bernardo Santoro, que assumiu um cargo do qual muitos fugiram, já avisou que será extremamente rigoroso com tudo que tiver de assinar e com as contas do clube.


Sócio torcedor com direito a voto

O sócio torcedor com direito a voto é um compromisso de campanha. Após a eleição a nova diretoria continua manifestando desejo de por isso em prática. Evitando uma reforma estatutária que pode ser complexa e demorada, a alternativa será adaptar o já existente sócio contribuinte. O formato final do programa dependerá da liberação ou não do Engenhão. 


Ponto fraco: o futebol

O setor mais preocupante da nova diretoria é justamente o futebol, aquele que também é urgente, demandando soluções imediatas. Já explicamos por que o Botafogo não pode errar na escolha do comando do futebol também já criticamos muito a escolha de Renê Simões para técnico. Renê Simões é quase uma unanimidade negativa na torcida.

O futebol tem sido o preço mais caro do acordo eleitoral com o grupo de Antonio Carlos Mantuano, que assumiu a vice de futebol. De trato difícil e muito contestado, Mantuano não tem o perfil desejado para o momento, que seria o de alguém capaz de gerenciar crises, estabelecer bons relacionamentos e atrair valores. É o mesmo perfil desejado para o cargo de técnico ou gerente, isto é, alguém reconhecido no meio do futebol e que seja acapaz de atrair jogadores.

Em entrevista a O Dia, Bebeto de Freitas comentou sobre a montagem do time de 2003:

“Haviam 15 jogadores. Quem contratou os atletas que atuaram na Segunda Divisão, obviamente, foi o Botafogo, mas quem os fez vir foi o Levir Culpi. Ele telefonava e pedia que viessem. O Valdo voltou a jogar por causa dele. Levir, Valdo, Túlio e Sandro... Eu e o Botafogo não esqueceremos jamais deles.”
O Botafogo de 2003 não tinha credibilidade nem bom relacionamento com o mercado do futebol. A solução foi trazer alguém experiente e reconhecido capaz de emprestar ao clube naquele momento a credibilidade e os atrativos que lhe faltavam. Levir desempenhou este papel. O mesmo deveria ser feito agora, e definitivamente não é com o trio Mantuano, Carlos Alberto Torres e Renê Simões que conseguiremos isso.

Todas essas boas medidas administrativas podem ser jogadas fora se o futebol for mal administrado. Quando há escassez de recursos, a margem de erro diminui, e precisamos de muita eficiência nos investimentos. 

Torçamos para que esse trio que comanda nosso futebol vá contra todos os prognósticos e contra tudo que seu histórico nos sugere e façam o melhor trabalho de suas vidas. Vamos precisar.

18 dezembro 2014

17/12/2014 - Sessão do Conselho Deliberativo



Nesta quarta-feira, dia 17/12, foi realizada a primeira reunião do Conselho Deliberativo (CD) após a eleição de 25/11. 




Às 20:22, José Luiz Rolim, presidente do CD, abriu a reunião com hino do Botafogo e em seguida pediu um minuto de silêncio em homenagem ao jornalista Roberto Porto, recentemente falecido.

Por votação simbólica, o CD aprova a ata da última sessão.


Nas últimas cadeiras do casarão ficam os sócios que não são conselheiros.

Como de praxe, o quórum dessa sessão de abertura de novo mandato foi superior ao de sessões regulares.


O ex-presidente Carlos Augusto Montenegro, patrono da derrotada chapa azul de Thiago Alvim e Durcésio Mello, pediu a palavra:

20:25: Carlos Augusto Montenegro lembra que exatamente há 19 anos o Botafogo era campeão brasileiro. Lamenta o momento atual, em que por duas vezes o clube caiu para a segunda divisão. Diz que assim como em 2002, a situação é horrorosa, e que "cansou de avisar". Diz que não existe isso de oposição ou situação, que é Botafogo, que só sabe ser Botafogo, que não sabe ser oposição, e que a pedido dos filhos resolveu se afastar um pouco. Diz que torce por Carlos Eduardo, que o conhece há mais de 20 anos, que ele é guerreiro e enfrentará muitas dificuldades, mas que o Botafogo precisa de mais ainda. Diz que vai se afastar um pouco, e que tem certeza de que tudo que não envolver aporte de dinheiro tem certeza de que Carlos Eduardo conseguirá resolver. Que torce muito pelo novo presidente. Cumprimenta o presidente e sua esposa. Lembra uma história pessoal envolvendo Nilton Santos e a esposa. Faz referência ao novo vice de remo, Antônio Carlos Azeredo, neto de Paulo Azeredo. Montenegro encerra sua fala doando ao clube a camisa que Nilton Santos usou na final do Carioca de 1957, na vitória de 6 a 2 sobre o Fluminense.

O presidente Carlos Eduardo Cunha Pereira respondeu:

20:34: Carlos Eduardo agradece a Carlos Augusto Montenegro, prega a união de forças, diz que o clube "está aberto a todos nós", que o Botafogo está numa situação difícil. Diz que Montenegro "não precisará fazer oposição porque o clube estar sempre aberto a ouvir e a prestar contas, com transparência". E que se não corresponder à expectativa, "pode puxar a orelha".

José Luiz Rolim iniciou o item 2 da pauta: eleição e posse da mesa diretora. Os conselheiros já haviam votado antes do início oficial da sessão, sendo então iniciada contagem de votos será iniciada.

Rolim diz que o presidente que terminou o mandato, Mauricio Assumpção, deixou de cumpriu o Estatuto ao não enviar à mesa diretora a sua declaração de bens.

Jorge Aurélio Ribeiro, grande benemérito que será o próximo presidente do Conselho Deliberativo, diz que o presidente eleito Carlos Eduardo apresentará a sua declaração de bens dentro do prazo.

José Luiz Rolim aproveita enquanto os votos são contados para parabenizar o presidente eleito e o novo Conselho Diretor. Fala das dificuldades e da torcida pelo sucesso da nova gestão. Também prega a união de forças dentro do Botafogo.

Rolim passa alguns minutos repetindo basicamente isso.

Encerrada a contagem, Rolim declarou eleita a nova mesa diretora. Havia chapa única.


Carlos Eduardo, ao lado do vice geral Nelson Mufarrej e do vice jurídico Domingos Fleury, fala sobre o Ato Trabalhista. Destaca a importância do retorno ao Ato para que o clube volte a ter receitas e capacidade de pagamento. Diz que em tempo recorde o Botafogo redigiu e enviou ao Tribunal Regional do Trabalho o pedido de retorno ao Ato. Fala das dificuldades decorrentes do descrédito que se abateu sobre o clube. Destaca o trabalho incansável de Mufarrej, Fleury, do advogado trabalhista Vagner Barroso, dentre outros. Diz que hoje esteve com o governador Luiz Fernando Pezão, que se mostrou solidário.

Carlos Eduardo tem em mãos o parecer da juíza centralizadora Anelise de Miranda, e começa a leitura. O parecer da juíza é favorável ao retorno do Botafogo ao ato trabalhista, e os conselheiros comemoram efusivamente.

O novo ato abrange cerca de 130 milhões de dívidas trabalhistas. O Botafogo terá de pagar R$ 750 mil mensais do 1º ao 3º mês, e R$ 1,2 milhão do 4º ao 12º mês de 2015, totalizando R$ 13,5 milhões no 1º ano. O valor sobe progressivamente até atingir R$ 1,7 milhão no 10º ano, quando a dívida deve ser quitada.

Agora a decisão da juíza foi encaminhada ao MPT. Caberá ao presidente do TRT-RJ a decisão final. Porém, é pouco provável que haja uma decisão em sentido contrário a este parecer.


É importante destacar que o acordo anterior do qual o Botafogo da turma da praia foi expulso por sonegação tinha abrangência menor. As divídas centralizadas naquele Ato abrangiam um período menor de tempo, totalizando cerca de R$ 90 milhões dos R$ 150 milhões que o Botafogo devia. Isso significa que havia cerca de R$ 60 milhões transitando, alguns em estágio avançado, e que certamente o Botafogo perderia,  podendo vir a ser penhorado por não integrarem o Ato. Este novo contempla R$ 130 milhões, sendo a dívida trabalhista total estimada em torno de R$ 170 milhões.

Como o volume incluído no Ato subiu, a parcela mensal subiu. Nos primeiros acordos o Botafogo tinha de pagar um percentual de qualquer receita que entrasse (algo em torno de 22%), o que acabou ensejando a oportunidade de Maurício Assumpção sonegar, isto é, criar formas de maquiar a entrada de receitas para não descontar o percentual.  O acordo por valor fixo obriga o clube a de qualquer forma pagar aquela quantia acordada. Estimava-se um valor de R$ 900 mil, mas agora vemos que logo no primeiro ano o valor chega a R$ 1,2 milhão.

Somando esse pagamento do Ato com as parcelas das dívidas fiscais - R$ 400 mil da Timemania e cerca de R$ 700 mil do Refis - teremos de desembolsar cerca de R$ 2,3 milhões mensais no primeiro ano. Ou seja, R$ 2,3 milhões mensais comprometidos com pagamento de dívidas fiscais e trabalhistas.


José Luiz Rolim lê o resultado da votação, que aprova a nova composição da mesa diretora do Conselho Deliberativo.

Rolim agradece os componentes da mesa antiga e cumprimenta e deseja sucesso aos da nova mesa.

Rolim chama um a um os integrantes da nova mesa diretora, que terão mandato de três anos coincidentes com o do presidente do clube.


José Luiz Rolim passa o cargo de presidente do Conselho Deliberativo a Jorge Aurélio Ribeiro.

Jorge Aurélio assume a função e faz um pronunciamento.

O grande benemérito Menezes também fala.

Carlos Eduardo agradece a presença de Vinicius e sua grande ajuda nos contatos com a prefeitura. Agradece também a presença de Edson Santana, vice de Marcelo Guimarães, e agradece o apoio deles. Menciona também Thiago Alvim e outros integrantes da chapa azul.

Jorge Aurélio discursa.


Começa votação para homologação do Conselho Diretor, do Conselho Fiscal e da Junta de Julgamento e Recurso. Todos são aprovados.


Presidente - Carlos Eduardo Cunha Pereira

VP Geral - Nelson Mufarrej Filho

VP Administrativo - Anderson de Carvalho Simões

VP Finanças - Bernardo Santoro

VP Jurídico - Domingos Flores Fleury da Rocha

VP Patrimônio - Alvaro Costa de Paula Antunes

VP Futebol - Antonio Carlos Mantuano Sabato

VP Social e de Comunicação - Marcio Santos Padilha de Oliveira

VP Esportes Gerais - Alexandre Pinto de Brito Oliveira

VP de Remo - Antonio Carlos Azeredo de Azevedo

Durcésio Mello será o representant da oposição no Conselho Fiscal.


Carlos Eduardo faz uma apresentação resumindo a projeções de receitas e despesas para 2015. Destaques:

- Contrato com a Viton deve ficar em torno de 9 milhões em espaço menor  - possivelmente frente e costas. 

- Dinheiro da Puma foi antecipado, clube tenta prorrogar contrato até o fim do Estadual enquanto negocia com outra empresa. Botafogo está conversando com uma empresa estrangeira que está entrando no mercado brasileiro.

- As receitas de sócio torcedor já estão vinculadas ao pagamento do empréstimo do Refis - um empresário Botafoguense está pagando as parcelas e o pagamento se dará com a receita do sócio torcedor.

- Sócio torcedor será reformulado, mas depende do Engenhão. Despesas e receitas com Engenhão não entraram na conta porque não há certeza sobre a reabertura. 

- Há gastos muito altos com pessoas jurídicas - mais de R$ 300 mil - que devem ser cortados.

- Olympique de Marselha assumiu a dívida do Botafogo com Dória, mas não a dívida do clube com o empresário dele. Assim o Botafogo além de não receber nada pela venda do zagueiro ainda saiu da transação devendo ao empresário.


Ricardo Rotenberg, um dos 14 conselheiros eleitos pela chapa de oposição, pede a palavra e sugere ao vice de futebol Mantuano que se monte um time modesto para o Campeonato Carioca e use os campeonatos estaduais para contratar jogadores para o Brasileiro da série B. Pediu também que o Engenhão deixe de ser chamado de Stadium Rio.


Carlos Eduardo volta a falar:

- Os contratos de empréstimos com a Odebrecht transferem à mesma diversos direitos relativos a Engenhão, jogadores e televisão. Se a Odebrecht decidisse executar tudo o que pode relativo a esses contratos, o Botafogo estaria "em graves dificuldades".

- O empresário que intermediou a contratação do volante Renato em 2011 tinha direito a receber R$ 1,5 milhão de comissão, não foi devidamente pago e agora cobra cerca de R$ 2 milhões.


Antônio Carlos Mantuano, vice de futebol, diz que o Botafogo tem uma dívida de R$ 1,9 milhão com Loco, que por isso "cava a sua volta". Os direitos sobre os jogadores da base já foram comprometidos com empréstimos.


Carlos Eduardo volta a falar: 

- Com o retorno ao Ato Trabalhista, o Botafogo terá o desbloqueio de R$ 4 milhões referentes ao PPV 2014. 

- Jefferson será prioridade.


Jorge Aurélio lê relatório o relatório da Comissão Especial do CD. Alguns destaques do texto:

- As dívidas ao final de 2014 devem ultrapassar R$ 850 milhões.

- O clube não tem receitas e a prioridade máxima deve ser o retorno ao Ato Atrabalhista e a regularização dos programas de pagamento das dívidas fiscais, Timemania e Refis.

- Há muitos atrasos de pagamentos a jogadores [e daí as sucessivas ações de desligamento].

- Há problemas em relação aos contratos do Engenhão. À época da interdição, o Botafogo tinha diversos contratos de patrocínio do Engenhão dos quais já havia recebido. Com a reabertura, será preciso renegociar com essas empresas.

- Necessidade urgente de corte de custos com pessoal em todos os setores do clube.

- É preciso com urgência um plano de recuperação por conta do grau de endividamento.


Nesse momento nos retiramos do casarão, mas não havia muito mais por vir no restante da sessão.





26 novembro 2014

A imagem que explica a vitória de Carlos Eduardo Pereira



Carlos Eduardo Cunha Pereira, 56 anos, administrador, é o novo presidente do Botafogo de Futebol e Regatas.

O resultado final foi o seguinte:

Chapa Ouro, de Carlos Eduardo: 442 (36,14%). 
Chapa Azul, de Thiago Alvim: 347 (28,37%). 
Chapa Cinza, de Marcelo Guimarães: 234 (19,13%). 
Chapa Alvinegra, de Vinicius Assumpção: 200 (16,35%).


A foto acima, que dispensa legenda, é a imagem da vitória de Carlos Eduardo, muito mais do que as inúmeras imagens de comemoração que devem estar a circular neste momento. A vitória da Chapa Ouro não foi construída apenas na campanha, mas na atuação do grupo no Conselho Deliberativo (CD) em forte oposição ao mandato da praia.

A foto foi tirada por Thiago Pinheiro durante a reunião do CD de 25/03/2014, onde Carlos Eduardo interpelou Maurício Assumpção acerca da saída do ato trabalhista, adiantamento de receitas (que Nininho não soube quantificar), promessas não cumpridas de CT, categorias de base, etc. Com sua veemência, Carlos Eduardo tirou Nininho do sério, numa discussão que chegou ao ponto de gerar esta foto.

Carlos Eduardo fez o que toda oposição deve fazer: fiscalizar, questionar. Não é preciso xingar ou apelas para baixarias. Basta questionar. Perguntar o porquê das decisões do presidente, pedir explicações de como o clube pode se beneficiar de tais decisões, cobrar o cumprimento de promessas, zelar pelo cumprimento do Estatuto.

Nesta mesma reunião o Mais Botafogo já tinha a companhia do Botafogo Acima de Tudo, de Antonio Carlos Mantuano, a esta altura finalmente rompido com Maurício, que tem forte influência no corpo permanente de beneméritos. Com isso foi possível dificultar a aprovação de novos vices e beneméritos.

Os quatro candidatos (globoesporte.com)

O contraponto é o MCR. O grupo tem uma bela página escrita na história do clube ao suportar a gestão Bebeto de Freitas, que salvou o clube de um abismo, e conta com figuras respeitadas no clube por sua atuação em outras épocas, como Mario Pinheiro, Marcos Portella, Gustavo Ferreira e, claro, o próprio Vinícius. Porém, talvez por certa desmobilização, o MCR aceitou compor com Nininho em 2011 e teve atuação muito apagada no CD ao longo destes três anos. O espaço vazio foi ocupado com destaque pelo Mais Botafogo, e a tentativa de Vinícius se descolar de Nininho soou artificial, não sendo possível compensar apenas com a campanha os últimos três anos.

Vinícius Assumpção vota (oglobo.com.br)

Thiago Alvim fiou-se somente na promessa de ter consigo "o pessoal do dinheiro". Mas não conseguiu se descolar de Nininho, e a imagem de Montenegro ganha os votos de quem gravita em torno de General Severiano, mas afasta quem não convive na sede. Thiago não tem muito traquejo para se expressar como candidato, e teve como ponto mais baixo da campanha o momento em que num debate seu grande trunfo para desqualificar Carlos Eduardo era o fato de que ele mora em Itaipava. A resposta do adversário afirmando que trabalha no Rio Sul, em frente ao Botafogo, tornou a pergunta ainda mais constrangedora.

O favorito Thiago Alvim ficou em segundo (oglobo.com.br)

Marcelo Guimarães conseguia cativar os sócios mais recentes, pouco afeitos ao que se passa dentro do clube. Seu discurso funcionava externamente, mas não convencia quem acompanha o clube de perto. É outro que não abandonou Nininho. Ao contrário, foi abandonado por ele - e duas vezes. Quando Thiago Alvim abriu mais detalhes de sua demissão, mostrou certo descontrole no debate.

Marcelo Guimarães e seu vice Edson Santana (oglobo.com.br)

Carlos Eduardo é o mais velho dos candidatos, e também o mais tradicional dentro do clube, por já ter sido vice geral de Montenegro há 20 anos, o que não lhe ajuda a se vender como algo novo. Também era o único sem uma promessa de campanha repetida a todo instante, tais como "sou amigo do pessoal do dinheiro" ou "sou um homem de mercado que vai profissionalizar o clube". Talvez por isso fosse o menos carismático para o torcedor médio.

Também havia na chapa a presença do grupo de Mantuano, que conta com certa rejeição de muita gente. O fato do Mais Botafogo ter apoiado Nininho em 2008 era sempre lembrado, e o antídoto da chapa foi jamais negar tal fato, mas contrapor com a atuação de oposição durante o mandato da praia.

Amarildo apoiou Carlos Eduardo (oglobo.com.br)

Os debates favoreceram o candidato da Chapa Ouro, que conseguiu sempre ser mais seguro e com os pés no chão, mas tiveram repercussão relativa. A reta final da campanha serviu para definitivamente descolá-lo de Nininho, e para isso a divulgação exaustiva da foto que abre esse texto foi fundamental. Ela passou uma imagem de forma mais eficiente do que qualquer texto.

Que todos aprendam a lição de que a eleição é resultado de um processo. Não adianta em dois meses encher o eleitor de promessas e achar que vai vencer. Os eleitores mudam, evoluem, as demandas mudam também. Montenegro aprendeu uma lição dura. Subestimou as demais candidaturas e achou que venceria com um improviso. Não deu.

Que todos nós entendamos que a eleição de 2017 começa agora. Vamos acompanhar, fiscalizar e cobrar o mandato de Carlos Eduardo. Mas acompanhemos também as demais correntes do clube, estejam dentro ou fora do CD, para que em 2017 ninguém tente nos vender uma imagem de si diferente da realidade.

Agora é hora de trabalho, muito trabalho. Boa sorte para Carlos Eduardo e boa sorte para nós.

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