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11 julho 2017

CT do Botafogo: o sonho virando realidade



Se o torcedor do Botafogo pensou que não viveria nesse ano uma expectativa tão grande quanto a de um jogo pela Libertadores, foi surpreendido pela notícia de uma possível aquisição de um centro de treinamento (CT). Quem entende a importância dessa estrutura certamente está mais ansioso do que em disputa de pênaltis (até porque isso já perdeu a graça para nós).

Amanhã, 11/07/2017, o Conselho Deliberativo votará a proposta de aquisição de um CT construído em Vargem Pequena, zona Oeste do Rio de Janeiro. Como conta a reportagem do UOL, os irmãos Walter e João Moreira Salles financiarão a compra, e o Botafogo os pagará em 30 anos.


Ilustração do local (Espaço Lonier)

Há anos os torcedores clamam por um mecenas, sempre sonhando com aportes financeiros a fundo perdido feito por botafoguenses ilustres. Num futebol profissional, isso não é necessário. É possível que empresários façam esses investimentos e tenham retorno, se o projeto for viável.



A ajuda dos botafoguenses ilustres

Engana-se quem pensa que o Botafogo não tem ajuda de torcedores ilustres com grande condição financeira. Como em todos os grandes o clubes, no Botafogo também há ajuda política, financeira e de relacionamento institucional por parte de grandes torcedores. Porém, quem direciona os investimentos é o próprio clube. Nunca foi apresentado um projeto bem estruturado, viável, para que fosse feito um investimento com um retorno bom para todos.

Os irmãos Moreira Salles e outros alvinegros sempre socorreram o clube em momentos de dificuldades. Seja para fazer fundo de investimento, ajudar a captar patrocínio, fechar as contas ou até pagar salários, o Botafogo sempre contou com essas pessoas.

No mandato de Bebeto de Freitas, foi feito o CT João Saldanha em General Severiano. Esta obra foi capitaneada por um grande sócio botafoguense que colaborou fortemente nos mandatos de Bebeto de Freitas, Maurício Assumpção e continua a fazê-lo na gestão Carlos Eduardo. Os irmãos Moreira Salles são muito próximos a este sócio, em quem confiam bastante quando se trata de entrar em algum projeto envolvendo o Botafogo.

Citamos aqui os irmãos Moreira Salles porque já saiu na imprensa. Não citaremos o tal sócio porque não lhe pedimos autorização. Mas por ele ter uma visão mais moderna e profissional para o Botafogo, certa vez ouvimos de pessoas da sede que o clube deveria fazer uma reforma estatutária para "impedir que alguém como ele chegue à presidência".



As condições do CT

O Conselho Fiscal do Botafogo já analisou o Memorando de Entendimento entre Botafogo e os irmãos Moreira Salles para aquisição do CT. O memorando trata das condições financeiras do negócio, que são as seguintes:
  • Valor máximo de R$ 25 milhões para aquisição de terreno mais obras (ou já pronto) .
  • Botafogo e irmãos Salles devem aprovar local e condições.
  • Imóvel fica em nome dos irmãos e por meio de Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda, será adquirido pelo BFR.
  • Pagamento em 360 parcelas iguais (30 anos).
O Conselho Fiscal também recomenda que o Botafogo se desfaça de Marechal Hermes ou de Caio Martins para arcar com as despesas mensais das parcelas e da manutenção do novo CT. Seria mesmo interessante para o Botafogo se livrar dessas instalações problemáticas e concentrar esforços e recursos em algo realmente seu.

Pelas contrapartidas exigidas pelos irmãos, o Botafogo deve:
  • Construir uma escola no local que atenda ao menos 60% dos jovens das categorias de base - além da bela preocupação com o social, uma escola agrega muito valor ao clube e aos jovens que lá estão. Ajuda até na formação como jogador.
  • Repassar aos irmãos Moreira Salles 20% dos direitos financeiros que couberem ao clube, derivados de negociação de jogadores das categorias de base.
  • Manter o percentual mínimo de 60% (sessenta por cento), dos direitos financeiros de qualquer jogador que passe pelas categorias de base do Clube - essa cláusula protege os irmãos e também o Botafogo, evitando o fatiamento dos direitos de jogadores da base.
As contrapartidas não apenas parecem justas como agregam valor e protegem o Botafogo em alguns casos.



O local

Conforme já noticiado amplamente, o CT deve ser num terreno de 200 mil metros quadrados em Vargem Pequena, onde hoje funciona o Espaço Lonier. O tamanho do terreno permite com sobras a construção de um CT integrado para categorias de base e profissional.

O local tem um campo de dimensões oficiais, mas já conta com outras estruturas prontas, como as de hospedagem, permitindo ao clube definir a melhor forma de realizar obras de adaptação às suas necessidades.


Infraestrutura esportiva (Espaço Lonier)

Fosse apenas um terreno baldio em município distante, já seria algo bom. Um terreno de 200 mil metros quadrados na zona Oeste do Rio traz excelentes perspectivas para o Botafogo.



Benefícios para o futebol

A base do Botafogo, blindada por Manoel Renha, conseguiu excelentes resultados com os bons profissionais capitaneados pelo diretor, mesmo padecendo de investimento muito baixo e infraestrutura modesta. Por isso o Botafogo desenvolve muito bem seus jogadores, mas não atrai os melhores talentos. Daí a tendência a revelar bons defensores inteligentes taticamente, mas poucos jogadores de ataque.

A nova estrutura do CT pode trazer o que faltava para a base dar um salto de qualidade, ainda mais num momento em que já perdemos um excelente profissional para o Cruzeiro e temos risco de perder outros para clubes mais estruturados.

Os profissionais, por sua vez, poderão trabalhar isolados da sede, com mais tranquilidade, privacidade e menos pressões e distrações. O treinador do profissional poderá acompanhar de perto os jovens das categorias de base.



A evolução da estrutura do Botafogo

Em 2014, durante o processo eleitoral, conversamos com algumas chapas e fizemos a todos a pergunta: o que você pretende deixar de legado para o Botafogo? A surpresa com a pergunta nos deixou preocupados com todas as chapas.

Em 2003, Bebeto de Freitas pegou um Botafogo rebaixado, endividado, até com computadores sumidos. Seu legado foi: Estádio Nilton Santos, CT João Saldanha, Ato Trabalhista, Timemania (o antecessor do Profut). A administração Bebeto teve inúmeros problemas, mas deixou este legado estrutural. Seu sucessor deveria manter as conquistas e avançar em dois pontos principais: um CT definitivo e categorias de base, abandonadas por Bebeto.

Em 2009, Maurício Assumpção assumiu nesse cenário. Teve dois méritos: conseguiu gerar receita e avançou nas categorias de base, que não tinham nada. Mas, além de tudo que já sabemos, ele depreciou as conquistas anteriores ao ser excluído do Ato Trabalhista, atrasar impostos, degradar o estádio Nilton Santos e não fazer CT - o Botafogo de Assumpção regrediu.

Em 2014, Carlos Eduardo assume esse Botafogo. Primeiro volta ao Ato Trabalhista e depois adere ao novo Profut. O Botafogo desfazia alguns retrocessos de Assumpção. Em 2017, passa a utilizar melhor o Nilton Santos. A categoria de base, agora nas mãos de Manoel Renha, dá sequência e melhora o trabalho que já vinha de alguns anos. 

Note que não abordamos resultado de campo, pois não nos interessam bons resultados fortuitos. Mais do que ganhar um título, queremos que o Botafogo tenha estrutura que lhe permita disputar todos os grandes títulos ano após ano.



O legado de Carlos Eduardo

Carlos Eduardo, quando cobrado para que fizesse um CT, sempre alegou que o clube não tinha condições para tal. Apesar disso, esbanjando os R$ 100 milhões adiantados junto à Globo, o clube gastou R$ 13 milhões na Ilha do Governador e anunciou mais R$ 3 milhões em obras no Nilton Santos para receber treinos do profissional (ninguém sabe em quanto ficou essa obra). Esses R$ 16 milhões gastos em menos de um ano já seriam 64% desses R$ 25 milhões do Memorando de Entendimentos.

Em janeiro deste ano, em entrevista à Rádio Botafogo, Carlos Eduardo pensava em utilizar Marechal Hermes e trabalhar com as categorias de base descentralizadas mesmo, pois entendia ser o possível a ser feito. Não se cogitava um CT, o que nos leva a crer que esta proposta tenha surgido recentemente.


Entretanto, ao assinar este contrato pelo CT, Carlos Eduardo preenche a lacuna que faltava para o Botafogo entrar no século XXI e passar a ter condições estruturais em nível semelhante às de seus competidores.

A torcida tem acompanhado como o estádio Nilton Santos é uma vantagem para o Botafogo dentro e fora de campo. E no seu aniversário de dez anos, ganha a companhia do CT.

O Botafogo terá os seguintes pilares para continuar evoluindo:

Futebol:
  • Estádio Nilton Santos.
  • CT integrado.

Financeiro:
  • Ato Trabalhista.
  • Profut.

Precisamos evoluir na questão administrativa: 
  • Profissionalizar o clube. 
  • Isolar o futebol do social.
  • Gerar receitas.
  • Aplicar os recursos corretamente.


Esperamos que o sim dito pelos conselheiros nesta terça seja o início de uma nova era para o Botafogo.

Daqui a alguns anos, quando o Botafogo for candidato a título nas principais competições, lembremos de 2007 (Nilton Santos) e 2017 (CT).

14 dezembro 2016

Com a palavra, o Conselho Fiscal do Botafogo



Após o texto sobre o adiantamento de R$ 100 milhões pela gestão atual, recebemos alguns questionamentos, especialmente sobre ser antecipação ou não.

Foto: Blog do Torcedor do GE
O primeiro ponto é que preocupa-nos mais a aplicação do recurso do que seu recebimento. A aplicação do recurso deve ser alvo de debate e fiscalização, sob risco de gastarmos sem agregar nada ao clube.

O segundo ponto, sobre ser antecipação, deixamos que as manifestações do Conselho Fiscal sobre o tema possam esclarecer.


Memorando 15 do Conselho Fiscal, sobre contrato da Globo

Em 12 de setembro de 2016, o Conselho Fiscal emitiu memorando acerca da prorrogação do contrato com a Globo até 2024. Nele, o Colegiado afirma que se trata de antecipação e manifesta preocupação com a longa duração do contrato.


Memorando 15 do Conselho Fiscal, de 12/09/2016
"Preliminarmente, algumas observações devem ser consideradas como:
a) Como já houve uma "pré-assinatura" da cessão, acreditamos que o Departamento Jurídico tenha feito suas considerações e tenha dado o aval acerca dessa negociação.
b) Nesta cessão, como a negociação vai até 2024, se trata de um período muito longo, de outras administrações inclusive, outros momentos financeiros ou quem sabe até de apresentação de outras propostas, assim, ficamos impossibilitados de negociar melhores propostas, já que ficamos vinculados a Globo;
c) Sabemos da nossa difícil realidade financeira, mas não podemos nos deixar seduzir por antecipações de pagamentos, que eles chamam de luvas. Será que todos os clubes terão esses mesmos valores;
d) O item em que as proponentes terão o direito de sublicenciar a terceiros, qualquer dos direitos da proposta, sem anuência ou pagamento do clube, ou seja, estarão ganhando em cima dos clubes (terceirização)."

Parecer do Conselho Fiscal sobre o orçamento 2017:

Em seu parecer acera do orçamento 2017, tema da reunião de 15/12/2016, o Conselho Fiscal novamente refere-se ao dinheiro da Globo como "antecipação".
Parecer do Conselho Fiscal sobre o orçamento 2017
"Com um aumento de 27% das receitas em relação ao ano de 2016, entendemos que esta variação está embasada principalmente na provável antecipação no contrato da Rede Globo em Janeiro/2017, no valor de R$ 40.000.000,00 (quarenta milhões de reais)."

08/12/2015 - A primeira antecipação de R$ 40 milhões

Na reunião de 08/12/2016, foi analisada a proposta de prorrogação do contrato com a Globo de 2017 para 2019, com redução no valor global e antecipação de receitas. 

Desta vez quem explica é o Vice-Presidente Executivo, Luís Fernando Santos, conforme registrado em ata:
Ressaltou o Vice-Presidente Executivo que os quarenta milhões (R$ 40 milhões) não são luvas e que teremos que devolvê-los em cinco anos (5 anos), sem juros e correção monetária. 

...
Ou seja, ao em vez de simplesmente aplicar os quarenta milhões (R$ 40 milhões) de adiantamento, nós utilizarmos dezesseis milhões (R$ 16 milhões) para zerar as dívidas de 2015 e aplicarmos o resto, a perda financeira do novo contrato se limitará, na realidade, a aproximadamente dois milhões de reais (R$ 2 milhões). 
...
Concluiu o Vice-Presidente Executivo que é um compromisso da Diretoria que o saldo remanescente do adiantamento, depois de retirados os dezesseis milhões (R$ 16 milhões) para pagamento das dívidas correntes, será preservado fora do orçamento, sendo utilizado apenas nos casos de despesas julgadas necessárias pelo Conselho Diretor e com a devida aprovação dos Conselhos Fiscal e Deliberativo. 
Vejam, o próprio Vice-Presidente Executivo afirma que os R$ 40 milhões são adiantamento de uma primeira negociação que já extrapolava o mandato atual.

O mais importante aqui é o compromisso assumido de só utilizar os R$ 24 milhões restantes com autorização dos Conselhos Fiscal e Deliberativo. 

Jamais houve qualquer solicitação ao Conselho Deliberativo sobre uso desse dinheiro. 


Conselho Fiscal cobra mais transparência

Não por acaso, o próprio Conselho Fiscal cobrou transparência. Nos memorandos 14 e 15, ambos de 12 de setembro de 2016, o Conselho Fiscal escreveu este mesmo parágrafo abaixo:


Memorandos 14 e 15 do Conselho Fiscal, de 12/09/2016
"Destarte, mais uma vez lembramos a sugestão deste Conselho Fiscal, feita acerca da criação de um "departamento para o controle dos contratos e/ou processos", onde pelo princípio da transparência, todos deveriam após sua análise e ter seu fluxo de controle, serem direcionados ao Conselho Fiscal, para o seu efetivo exame, como está previsto no Estatuto, e não apenas alguns contratos."
Na reunião do Conselho Deliberativo de 27/09/2016, um conselheiro mencionou este fato, que o Conselho Fiscal havia questionado em memorandos que não estava recebendo todos os contratos, mas apenas alguns. 

O presidente Carlos Eduardo reagiu de forma agressiva, mas a presidente do Conselho Fiscal, Leila Freitas, estava presente e confirmou que o Conselho Fiscal enviou ofício solicitando alguns contratos não entregues pelo Conselho Diretor.


Como usar esses recursos?

As renegociações do Botafogo com a Rede Globo com antecipação de receitas não são anormais. A questão é como usar dinheiro antecipado de contratos longos. Esse dinheiro tem que ser direcionado para investimentos que deem retorno, que agreguem valor ao patrimônio ou à estrutura do clube, que permitam posterior aumento de arrecadação. O maior exemplo seria um Centro de Treinamento.

Porém, se o dinheiro for gasto em capital de giro, para fechar os anos do mandato atual, teremos um enorme problema no mandato seguinte. Se em 2018 não haverá mais dinheiro de antecipação entrando, e se agora não for feito nada para aumentar receita, o gestor de 2018 será provavelmente obrigado a contrair empréstimos ou obter novos adiantamentos, comprometendo mais o futuro do clube.

Esta é a cobrança que fazemos ao presidente e aos conselheiros. O uso do dinheiro antecipado tem que garantir um melhor futuro para o Botafogo, e não comprometê-lo.

Esperamos que o assunto seja tratado com a transparência e a serenidade que merece.  



12 dezembro 2016

Reunião do Conselho Deliberativo - 15/12/2016



Após a festa pela classificação à Libertadores, já é hora de planejar 2017. Nesta quinta-feira, dia 15, a partir das 19:00, o Conselho Deliberativo se reunirá com uma pauta importante. Os destaques são o orçamento de 2017 e a reforma estatutária.

Sede de General Severiano (foto: globoesporte.com)

Você, torcedor, deve estar atento aos assuntos discutidos e às decisões tomadas. Elas tem não apenas consequências de curto prazo, por exemplo a próxima Libertadores, como no futuro do clube a médio e longo prazo.

A convocação enviada em 05/12/2016 aos conselheiros traz a seguinte pauta:
a) Leitura, discussão, aprovação, ou não, das Atas das reuniões de junho, agosto, setembro e outubro;

b) Recebimento da proposta de reforma do Estatuto;
c) Nomeação da Comissão Especial para reforma do Estatuto;
d) Parecer do Conselho Fiscal sobre a Proposta Orçamentária;
e) Apreciação e votação do Orçamento para 2017 e deliberar sobre o limite 
da autorização de que trata o art. 54, inciso XIV;
f) Tomar conhecimento do Parecer do Conselho Fiscal sobre a locação do 33º andar à Empresa HLV Auditores Sociedade Simples, de acordo com o art.54, item XIX, letra f ;
g) Aprovar, ou não, a locação desse andar;
h) Assuntos gerais.

Convocação para reunião de 15/12/2016

Esperamos que os conselheiros cumpram sua missão de fiscalizar e questionar o Conselho Diretor. Não é para criticar por criticar nem fazer oposição destrutiva, mas apenas perguntar, questionar pontos pertinentes.

Exemplos de questões importantes:

O Botafogo adiantou R$ 100 milhões da Globo, estendendo o vínculo até 2024. Como foram gastos os adiantamentos já recebidos e como serão gastos os que receberá em 2017?
O orçamento prevê aumento de despesas superior ao aumento de arrecadação, só fechando a conta com adiantamento, fato que despertou preocupação do Conselho Fiscal. Se a gestão é austera como se diz, por que não reduz despesas ou aumenta receita, evitando uso de antecipação para cobrir déficit?
Por que a proposta de reforma do Estatuto foi feita apenas por membros do Mais Botafogo? Por que só agora foi enviada ao Conselho Deliberativo se a comissão do Mais Botafogo já havia concluído o trabalho em março?

Há outras questões importantes. No dia 15/12, quinta-feira, estaremos no ginásio Oscar Zelaya, em General Severiano, observando atentamente as explicações da Diretoria e a atuação dos conselheiros. 

Informaremos os principais pontos da reunião pelo Twitter. Sigam o @othiagopinheiro e o @fernandolopo.






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