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07 agosto 2014

07/08/2014 Reunião Extraordinária do Conselho Deliberativo do Botafogo.




07/08/2014
Reunião Extraordinária do Conselho Deliberativo do Botafogo.


19:40: Álvaro Luiz Carvalho Moreira anuncia afastamento de José Luiz Rolim, presidente do Conselho Deliberativo, por sessenta dias para tratar de doença grave. Com isso, novamente a sessão será presidida por Álvaro Moreira, primeiro vice-presidente do Conselho Deliberativo.

19:45: Álvaro Moreira lê uma carta de Maurício Assumpção, presidente do Conselho Diretor, dizendo que não pode comparecer por já ter um compromisso pessoal marcado antes da convocação, e que será representado pelo vice-presidente de finanças e de futebol Francisco Fonseca. Como chegou apenas uma carta do presidente, Álvaro Moreira considerada que haja "ausência não justificada", configurando-se portanto violação do Estatuto por parte de Maurício Assumpção.

19:48: Álvaro Moreira lê a carta de convocação enviada aos conselheiros e uma carta do grande benemérito Brás Pepe, que está internado.

A carta de convocação:



Explica que houve um adendo, pois inicialmente seria sobre o Ato Trabalhista e a situação financeira do clube, mas com a decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de julgar o caso do Botafogo ainda neste mês, o item relativo ao Ato Trabalhista foi suprimido na retificação da convocação:

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Por fim, com toda a questão do Refis dos clubes e as notícias de sonegação de tributos do Botafogo (confirmadas pelo próprio presidente Maurício Assumpção), foi feito um adendo que inclui a questão das dívidas tributárias na ordem do dia.


19:52: vice-presidente de finanças e de futebol Francisco Fonseca fala, ao lado do diretor executivo Sérgio Landau e do diretor financeiro Marcelo Murad. Faz uma introdução apresentando a si e outros vices e diretores.

Diz que o clube vinha em constante melhoria de receitas, patrocínios, capacidade de investimento. Que o clube vinha conseguindo por exemplo trazer Loco Abreu, Maicosuel e Seedorf. Diz que o patrocínio da Neoquimica chegou a ser bloqueado por ação da Tam referente ao Tailson.

Que em 2012, quanto trouxeram Seedorf, "alguém  descobriu" que o Ato Trabalhista só valia para dívidas até dezembro de 2007. Os que tinham dívidas posteriores entraram na justiça e passaram a penhorar 20% das receitas. A partir daí passou-se a tentar um novo acordo com o TRT

Advogados de dois ex-jogadores, um deles o ex-zagueiro da base Tavares, alegaram que o Botafogo não descontava em cima da receita total. Diz que os valores usados pelos advogados e aceitos pelo TRT supunham uma arrecadação praticamente igual às de Flamengo e Corinthians somadas no mesmo ano, o que totalizaria esse valor supostamente sonegado de 90 milhões de reais

Começaram então as penhoras e a isso somou-se o fechamento do Engenhão. O clube ainda conseguiu se manter através de parceiros. O Engenhão trazia recursos diretos e indiretos, pois a possibilidade de exposição no telão já era um fator de atração para outros patrocínios.

Sendo assim, o clube passou a ter as receitas bloqueadas.

Diz que pela Lei Pelé para que se demita um jogador é preciso pagar todo o valor do contrato contrato para ele, o que inviabiliza a rescisão de contratos como forma de redução de custos.

O clube então foi obrigado a fazer "escolhas de Sofia", isto é, priorizar alguns pagamentos e não honrar outros. Algumas medidas foram tomadas, como vendas de jogadores como Andrezinho.

Francisco Fonseca destacou algumas vezes que só é vice de finanças há três meses, e que o Jurídico (cujo vice-presidente Jurídico é Alberto Macedo) seria o mais indicado para ajudar a responder algumas questões.

20:09: Conselho Diretor fica à disposição para perguntas.

20:10: conselheiro Gustavo Noronha (Mais Botafogo) é o primeiro a perguntar.
Abre lamentando a ausência do presidente Maurício Assumpção em momento tão grave do clube e saúda o grande benemérito Brás Pepe, que enviou a carta lida no começo.

Diz que o Refis na verdade são dois, cada um referente a um período. Seriam então 700 mil reais por mês da Timemania, 300 mil reais de uma modalidade do Refis novo, mais 50 mil reais por mês de outra modalidade do Refis novo, totalizando 1,05 milhão de reais por mês, além de mais 10 milhões de reais para adesão ao Refis.

Diz que já alertara em anos anteriores, nas votações de contas e orçamentos, que o Conselho Deliberativo deveria votar um plano de recuperação, mas que sempre foi alegado que isso seria um ato de gestão do Conselho Diretor, não cabendo ao Conselho Deliberativo determinar esse tipo de plano. Isso foi negado três vezes. Entende que mesmo que tardiamente o Conselho Deliberativo deve tomar a frente para discutir e votar um plano de recuperação. Diz que é sim responsabilidade do Conselho Deliberativo deliberar sobre esse tipo de assunto, e não lavar as mãos e deixar tudo nas mãos do Conselho Diretor.

Diz que o Conselho Diretor tem buscado soluções, mas uma vez que elas não se mostram eficazes, o Conselho Deliberativo tem sim que ser chamado para discutir.


Sobre matéria do Lance! em que o presidente Maurício Assumpção diz que vai afinal entrar com ação de ressarcimento pelos danos causados pelo fechamento do Engenhão. Na reportagem presidente diz que contratou uma empresa para definir quanto pedir de ressarcimento e contra quero Botafogo esteve entrar. Também causou estranheza a existência de empréstimos concedidos pela Odebrecht. Pede explicação sobre esses valores.

20:18: diretor executivo Sérgio Landau:

Diz que o fechamento do Engenhão em 2013 fez o clube discutir as alternativas, mas que não foi possível ter a velocidade necessária para repor as perdas.
Como o contrato era com a Prefeitura, a ação poderia ser contra a Prefeitura. Mas não sabiam contra qual consórcio, porque um fez o projeto e iniciou a obra, e um segundo consórcio assumiu durante a obra e a concluiu. Mas o segundo consórcio pôs uma cláusula em que se isentava de qualquer problema decorrente dos cálculos do projeto, uma vez que se os cálculos e o projeto fossem revistos antes de retomadas as obras, não haveria tempo hábil para a abertura dos jogos Panamericanos de 2007.

Diz que discutiu-se no clube se haveria ação contra algum dos consórcios. A Prefeitura concluiu que a ação deveria ser contra o primeiro consórcio, que fez o projeto. Botafogo conversou com a Prefeitura sobre uma forma de ressarcimento, como um patrocínio da própria Prefeitura ao clube, mas está alegou que não seria possível pois outros clubes pediriam o mesmo.

Procurou-se a Odebrecht para usar seus técnicos para fundamentar a ação contra o primeiro consórcio. Isso foi feito, mas o problema é que o entendimento era o de que o clube deveria entrar contra a prefeitura. O clube então precisou contratar uma auditoria para calcular os valores a serem cobrados. A empresa foi a Ernst & Young e o trabalho foi terminado recentemente. Porém, esse tipo de ação demora bastante.

20:25: diretor financeiro Marcelo Murad.

O Refis se divide em dois. Um para antes e um para após dezembro de 2008. A dívida até dezembro de 2013 é de 97 milhões de reais. Pagando à vista seria de 56 milhões de reais. O Botafogo optou por 180 meses, com entrada de cinco parcelas de 2,163 milhões de reais e prestação mensal de 288 mil reais.

Essa despesa seria descontada direto do contrato da televisão.

"O Botafogo tem uma única antecipação de receita com a TV que se encerra em dezembro de 2015." Em 2015 o Botafogo tem a receber da TV pouco mais de 200 mil por mês já descontados o valor antecipado e o pagamento mensal do Refis.

20:32: grande benemérito Paulo Sérgio.
Critica a falta de credibilidade do presidente, acusado de mentir e sonegar. Critica os altos salários dos executivos do clube, que está falido e paga a esses executivos (como Sergio Landau e Marcelo Murad) salários incompatíveis ao que no mercado uma empresa na situação do Botafogo pagaria. Diz que as pessoas estão com salários atrasados, e que é inadmissível. Diz que a responsabilidade é toda do Conselho Deliberativo e do Conselho Fiscal, que sempre aprovaram contas, aprovaram orçamentos, nunca contestaram nada.

Critica as sonegações via Companhia Botafogo, que "não foi feita para isso".

Reclama das humilhações a que o clube fica submetido, como piadas até do prefeito. Diz que deveriam ter entrado com ação logo em 2013, e critica o presidente que novamente se ausentou num momento importante.


20:36: diretor executivo Sérgio Landau

Diz que a reunião sobre a entrada ou não na justiça em 2013 foi inconclusiva, e que as ações atuais são tomadas conforme orientações do escritório contratado.

Diz que desde 2007 essa prática é adotada na Companhia Botafogo. Que desde a Liquigás que os contratos entram pela Companhia Botafogo. E que a gestão atual apenas manteve está prática.

Quanto às remunerações, diz que de fato é remunerado, pois é profissional, e por isso está lá se dedicando o dia todo. E que também está sem receber como os demais funcionários.


20:41: conselheiro André Barros (MCR)
Reclama da imprensa, relativiza a situação ao lembrar que o Flamengo é lanterna e o Vasco está na segunda divisão, e diz que a situação atual pode fortalecer o elo entre time e torcida, e que isso salvou o clube em outras vezes. Reclama da ameaça do presidente de retirar o time do Campeonato Brasileiro. Pede mobilização da torcida e apóia a proposta do Conselheiro Gustavo Noronha (Mais Botafogo), que pede que o Conselho Deliberativo discuta um plano de recuperação.

Diz que qualquer solução passa pelo afastamento do presidente Maurício Assumpção, seja por renúncia ou licença, visto que o presidente sequer aparece numa reunião importante como essa e não tem mais condições de permanecer à frente do clube.

20:45: grande benemérito Carlos Eduardo (Mais Botafogo)

*Álvaro Moreira da mesa pede que os membros do Conselho Diretor não se retirem do salão pois podem ser demandados pelos inscritos com perguntas ou pedidos de esclarecimento.

Grande benemérito Carlos Eduardo (Mais Botafogo) diz que se sente orgulhoso por não haver brigas na reunião de hoje como muitos previam.

Lamenta a ausência do presidente Maurício Assumpção, e destaca a questão da comissão do contrato de patrocínio para a empresa de familiares do presidente. Considera a situação inaceitável, que jamais se poderia permitir que empresa de familiares recebessem do clube.

Cita matéria do globoesporte.com, segundo a qual há 68 milhões de reais em aberto até o fim de 2014, que seriam 24 milhões de reais já vencidos e o restante até o fim do ano. Pergunta ao Conselho Diretor se essa informação é correta e se há receitas disponíveis para 2015, uma vez que agora o patrocínio "estará reforçado pelos 5% que não serão mais pagos à família do presidente Maurício Assumpção".

Pede também que mesmo que o presidente Maurício assumpção não decida se afastar por conta própria, que o Conselho Deliberativo, no uso de suas atribuições, lhe conceda licença até o fim de seu mandato para "refletir", e que o vice-presidente geral Paulo Mendes é mais apto e tem mais condições de conduzir o clube neste momento.

20:52: diretor financeiro Marcelo Murad.

Confirma o número de 68 milhões de reais para fechar o ano, e diz que estão tentando vender algum jogador para obter recursos.

Que para 2015, restam apenas 5 milhões de reais a receber da TV no ano inteiro, já considerando os parcelamentos do Refis.

Sobre patrocínio não sabe dizer, pois "não é do departamento comercial".

Sobre salários, diz que nenhum dos executivos do clube recebe há três meses, como os funcionários.


20:55: conselheiro Vinicius Assumpção (MCR)

Vinicius Assumpção (MCR) se diz decepcionado com a ausência do presidente, pois haveria esclarecimentos importantes a serem prestados. Lamenta também que em regra as reuniões do Conselho Deliberativo são muito esvaziadas, com pouco quórum.

Diz que o que precisa ser modificado é o modelo, e concorda com o conselheiro Gustavo Noronha (Mais Botafogo) quanto ao Conselho Deliberativo elaborar um plano de recuperação para o clube. Concorda também que o próprio Conselho Deliberativo tem muita responsabilidade em tudo por sua pouca atuação.

Por fim, Vinicius Assumpção (MCR) diz que a saída é convocar a torcida, com ingressos baratos, uma vez que o Sou Botafogo tem pouca adesão.


21:04: conselheiro Paulo Marcelo Sampaio (MCR)
Discorre sobre a história do clube, relembra outros momentos, lê um texto de jornal antigo e diz que o clube não vai acabar.


21:06: Benemérito Menezes.

Recorda tempos antigos, fala de seus antepassados que jogaram pelo clube, homenageia benemérito ausente, reclama dos uniformes atuais, conta a origem das meias cinza e histórias de Carlito Rocha.


21:12: Conselheiro Gláucio Cruz

Critica o presidente Maurício Assumpção e o Conselho Diretor. Diz que já havia feito ponderações ao André Silva (ex-presidente do Conselho Fiscal), então presidente do Conselho Fiscal. Reclama de algumas respostas do diretor financeiro, que alega não saber alguns números ("isso é com o jurídico").  Faz outras críticas à diretoria.


21:20: vice-presidente de finanças e de futebol Francisco Fonseca

Diz que o Conselho Diretor buscou sim soluções. Reclama da Lei Pelé, que segundo ele não permite que se mande embora os atletas. Se fizesse isso, o clube teria de pagar o contrato todo e a dívida apenas seria jogada para frente. Diz que todas as possibilidades de reduções drásticas de despesa no futebol seriam apenas momentâneas e não resolveriam. E que não dá para mandar um elenco inteiro embora sob risco de rebaixamento.


Grande benemérito Carlos Eduardo (Mais Botafogo) pergunta que jogadores o Botafogo possui.


Francisco Fonseca diz que apenas Emerson Sheik e Ramirez pertencem ao Corinthians e em todos os demais o Botafogo tem alguma participação nos diretos, que o Botafogo tem direitos sobre algo em torno de 85% do elenco, mas que a maioria já foi negociada com parceiros que emprestam dinheiro ou ajudam o clube de alguma forma. Alguma negociações são através de "cestas" , isto é, percentuais de direitos de vários jogadores.

Sobre o jogador Lodeiro, diz que o jogador pediu para sair porque "não tinha mais clima para continuar no Botafogo". Reforça que não foi uma iniciativa do Botafogo, mas do jogador. Explica que o que ocorre é que muitas vezes o Botafogo já deve ao próprio empresário do jogador, e por isso grande parte do dinheiro não entra no clube.

Diz que apesar de todas as dificuldades o clube conseguiu pagar neste ano 20 milhões de reais de dívidas antigas. Que o fato do dinheiro não entrar direto no Botafogo não significa que tenha sido perdido, mas sim usado para abatimento de alguma dívida.


21:30: Grande Benemérito Carlos Augusto Montenegro.

Parabeniza a grande presença do Conselho Deliberativo e o "alto nível do debate".

Sobre saída do presidente, diz que para haver impeachment é necessário um processo longo. Para renúncia, de 160 conselheiros pelo menos. Diz que vai iniciar o processo eleitoral na próxima semana.

"Acho que ele tem que ficar."

Diz que está disposto sempre a ajudar, "desde que solicitado", qualquer presidente do Botafogo.

Considera a questão da empresa de familiares do presidente Maurício Assumpção imoral, antiética, e em que em mais de vinte anos de Botafogo "jamais tirou um centavo do clube", e que "jamais faria isso".

Mas que independentemente disso, ele foi eleito presidente, faltam apenas três meses, e ele tem de ficar até o fim, "mesmo humilhado, sem poder ir a jogo, sem poder ir à praia".

"O mandato foi bom até dezembro do ano passado e nos últimos sete meses foi um desastre. Botou alguns amigos, achando que seria melhor com pessoas mais próximas, mesmo não profissionais, e foi um desastre."

Conclama o Conselho Deliberativo a uma grande união.

Diz que os candidatos deveriam "começar a transição amanhã". Comparecer em dupla (candidato mais uma pessoa) e conhecer exatamente como está a situação em cada departamento - marketing, jurídico, financeiro, etc.

Diz que o dinheiro ora bloqueado não entrará no clube mesmo com o Ato Trabalhista e o Refis, pois irá direto para o abatimento de tais dívidas. A partir daí sim o clube passa a ter as dívidas equacionadas e a não ser devedor. Ou seja, não há receitas previstas.

Diz que daí a necessidade da transição começar agora com os candidatos a presidente, aproveitando o ambiente de união do Conselho Deliberativo, pois é hora de olhar para frente e não ficar culpando sempre os anteriores, e por isso os candidatos precisam saber exatamente a situação do clube para evitar surpresas posteriores e até para decidirem se querem manter a candidatura.

Sugere que o conselheiro Gustavo Noronha (Mais Botafogo) reunisse mais uns quatro advogados para estudar o Estatuto do BFR e até promover alterações permitindo o sócio torcedor ou regulamentando o sócio contribuinte para que esse novo Estatuto do BFR seja promulgado com a posse do novo presidente.

Também sugere a criação de uma Comissão de Crise para administrar a situação atual, e se oferece para participar de tal comissão. Supõe até uma doação a fundo perdido de alguns colaboradores ou outra forma de socorro urgente e imediato ao clube.

Em suma, três sugestões:
- Transição iniciada agora com os candidatos.
- Reforma estatutária liderada pelo conselheiro Gustavo Noronha (Mais Botafogo) para promulgação com a eleição.
- Comissão de Crise do Conselho Deliberativo para administrar o momento atual.


21:42: Vice-presidente geral Paulo Mendes.

Diz que não queria ser vice geral porque seu trabalho não lhe permite tempo de dedicação ao clube da forma que seria necessária, pois trabalha viajando em boa parte do tempo. Que nos últimos seis meses veio ao clube de 6:00 às 10:00 e depois ia para o seu trabalho, de onde só saía às 23:00. Diz que agora assumiu mais atribuições no trabalho e deve passar mais de 40 dias fora do Brasil até o fim do ano.

Diz não ter a mínima condição de ser presidente do clube nesse momento porque não tem como abrir mão do seu trabalho e o clube precisa de dedicação integral.

Diz que nessa semana um grande advogado Botafoguense propôs um fundo com contribuições de altos e baixos valores de várias pessoas para salvar o clube neste momento. Entende que a ideia é boa mas de difícil execução.

21:50: conselheiro Carlos Matos (Mais Botafogo)
Propõe que os percentuais que o clube tem sobre cada jogador sejam divulgados, inclusive antes das negociações.


21:52: conselheiro Rodrigo Pian (MCR) (erramos: ele não faz parte do grupo, embora seja da Coordenação da campanha do candidato Vinícius)
Diz que a responsabilidade do Conselho Deliberativo não pode ser esquecida, que o Conselho Deliberativo aprovou tudo isso que está acontecendo hoje, com a aprovação das contas, etc.
Pede que a transição seja imediata. Com o vice-presidente geral Paulo Mendes se recusando a assumir o clube e o presidente do Conselho Deliberativo José Luiz Rolim doente, caberia ao presidente em exercício do Conselho Deliberativo Álvaro Moreira assumir o clube e conduzir a transição.
Diz que esse processo tem de partir da própria diretoria, e não do Conselho Deliberativo
Elogia o grande benemérito Carlos Augusto Montenegro, que diz ser "o maior farol do clube", e pede que o ex-presidente conduza esse processo da melhor forma.


21:56: conselheiro André Barros (MCR)

Reforça a importância do elo entre torcida e time para evitar o rebaixamento e diz que a transição deve ser imediata. Sendo a renúncia ato unilateral, pede que sai da reunião de hoje uma comissão para levar ao presidente a carta de renúncia e que seja feita uma comissão de três pessoas para tocar o clube.


21:58: conselheiro Gustavo Noronha (Mais Botafogo)
Detalha sua proposta, dizendo que os atos de gestão até o fim da gestão deveriam ser compartilhados com o Conselho Deliberativo, inclusive o plano de recuperação a ser elaborado e executado.

Sobre as falas do grande benemérito Carlos Augusto Montenegro acerca da inviabilidade de remoção do presidente Maurício Assumpção do cargo, conselheiro Gustavo Noronha (Mais Botafogo) lê o Estatuto do BFR que prevê intervenção do Conselho Deliberativo para retirar o presidente em caso de algo grave, e é isso que também propõe neste momento.


22:03: Benemérito Jorge Aurélio (Mais Botafogo)

Entende que saída do presidente Maurício Assumpção deveria ser por renúncia, e que deveriam pressioná-lo para que time tal atitude, evitando batalhas judiciais.

Concorda com a proposta do grande benemérito Carlos Augusto Montenegro de criação de uma Comissão de Crise, mas que seria preciso operacionalizar isso tudo. Sobre reforma estatutária, como precisa ser votada pela Assembléia Geral, sugere que o seja concomitantemente à eleição.


22:06: Conselheiro Luiz Felipe

Manifesta preocupação com os meses que faltam para terminar o ano. Sugere que o Conselho Diretor elabore um plano, que esta reunião seja declarada permanente é que haja reuniões quinzenais para avaliar a execução do plano. E que se o Conselho Diretor se sentir inapto para essa tarefa, que o clube traga pessoas de fora para tal.


22:09: Álvaro Moreira, presidente da sessão.

Lê as propostas feitas hoje. Três delas são convergentes, sugerindo a intervenção do Conselho Deliberativo na administração.

Outra proposta versa sobre a renúncia do presidente, que a julgar pela entrevista concedida à ESPN, não parece ser a intenção dele. Mas pode ser votada uma proposta de impeachment, como foi sugerido. 

Outra proposta é sobre a criação de Comissão de Crise, como sugerido pelo grande benemérito Carlos Augusto Montenegro.


Álvaro Moreira relê:

1) Convocação de reunião extraordinária com quórum mínimo de dois terços do Conselho Deliberativo para votação do impeachment.

Álvaro Moreira ordena a saída de todos os não conselheiros do recinto para que a votação seja secreta.

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Neste momento, todos os não conselheiros saíram do salão, e ficou muito difícil entender o que era discutido. Porém, em vez de votação, houve longo debate especialmente entre o grande benemérito Carlos Augusto Montenegro e o grupo Mais Botafogo, com destaque para o conselheiro Gustavo Noronha.
Grande benemérito Carlos Augusto Montenegro é contra a intervenção do Conselho Deliberativo e contra qualquer proposta de impeachment ou algo semelhante. Alega que a eleição será em três meses, o novo presidente assumirá logo após a eleição (conforme mudança estatutária), e que ele mesmo iniciará o processo eleitoral na próxima semana. Diz também que para votar a saída do presidente ou a intervenção do Conselho Deliberativo é necessária a aprovação por maioria qualificada, isto é, ao menos dois terços do total de conselheiros transitórios e permanentes.

O grupo Mais Botafogo então fez os cálculos. São 154 conselheiros transitórios (eleitos para mandato de três anos) e cerca de 80 permanentes (beneméritos e grandes beneméritos, que são conselheiros vitalícios). Seria necessário um total de votos muito maior do que o quórum inteiro de uma sessão considerada cheia para os padrões normais.



Diante disso, ficou acordado o seguinte:

No dia 19/08/2014 haverá reunião extraordinária do Conselho Deliberativo para criação da Comissão de Crise do Conselho Deliberativo.

Nesta reunião também serão decididas a composição e as atribuições da Comissão de Crise.

Atribuições: pode ser para acompanhamento ou para intervenção. Como para ser de intervenção precisaria de uma impossível maioria qualifica no Conselho Deliberativo, podemos já considerar a Comissão de Crise com atribuição de acompanhamento.

A composição deverá ser a seguinte: cada um dos candidatos a presidente e mais uma ou duas pessoas por ele indicadas. O problema é que não há nenhum candidato formal, nenhuma chapa registrada, o que em tese dá a qualquer sócio apto o direito de se declarar candidato e pedir participação em tal Comissão de Crise.

Porém, há um consenso de que os considerados candidatos são:

Conselheiro Vinícius Assumpção (MCR).
Grande benemérito Carlos Eduardo Pereira (Mais Botafogo).
Benemérito Antônio Carlos Mantuano.
Sócio Marcelo Guimarães (Grande Salto).
Sócio Durcésio de Mello.

Atuação da Comissão de Crise: acompanhará por um tempo todos os departamentos do clube (jurídico, financeiro, administrativo, futebol, etc.) para que todos os candidatos tenham total conhecimento da real situação. A partir daí eles decidem se mantém a candidatura, se fazem novos arranjos políticos e qual o plano de ação para administrar o clube desde já.


22:55: Fim da reunião

A próxima reunião do Conselho Deliberativo, no dia 12/08/2014, será uma sessão solene de aniversário do Botafogo, conforme o Estatuto do BFR. Na semana seguinte, dia 19/08/2014, haverá a reunião extraordinária para a criação da Comissão de Crise.






10 junho 2014

Pauta da reunião do Conselho do dia 10/06



Nesta terça, dia 10/06, o Conselho Deliberativo do Botafogo se reúne para uma reunião dupla: ela será extraordinária e ordinária ao mesmo tempo - o que não tem nenhuma implicação prática. O Botafogo Sem Medo cobrirá a reunião em tempo real, como sempre. Aqui no blog e no twitter. Veja em @fernandolopo e @pinheiro77.



Ainda no rastro da confusão do campo de General Severiano, o grupo Mais Botafogo recolheu assinaturas para uma reunião extraordinária que eles pretendiam que acontecesse em maio. Entretanto, o presidente do Conselho, José Luiz Ruim, unificou-a com a reunião ordinária de junho.

Segue a pauta:
a)    Leitura e apreciação das Atas das Reuniões Ordinária de 25/03/2014 e Extraordinária de 15/04/2014;
b)    Informes do Conselho Diretor sobre:
b.1) a rescisão de contrato com a sociedade “Jogue Bola” – razão social ou nome fantasia – e as consequências da aludida rescisão em relação ao Botafogo;
b.2) a eventual existência de outros contratos em vigor tendo por objetivo a realização de obras e/ou cessão de posse direta a terceiros, relativamente ao campo de treinamento existente na sede de General Severiano/Venceslau Brás;
b.3) a origem dos recursos destinados às obras eventualmente pretendidas realizar no campo de treinamento da sede de General Severiano/Venceslau Brás;
b.4) a situação das medidas visando à vinculação do Botafogo ao Ato Trabalhista;
c)    Deliberações correlatas às matérias indicadas na letra (b) precedente;
d)    Assuntos gerais.
Será interessante ouvir o que a diretoria tem a dizer sobre a saída do Ato Trabalhista.

Fiquem ligados nos nossos canais!

16 abril 2014

Comentários sobre a reunião #3/2014 do Conselho Deliberativo do Botafogo




André Silva e Maurício Assumpção
A 3ª reunião do Conselho Deliberativo do Botafogo em 2014 prometia ser bastante agitada. Convocada de forma extraordinária para debater a transformação do campo de General Severiano em outros 3 menores para futebol society, a reunião serviria para a explanação da Diretoria sobre a matéria e a discussão do assunto.

O problema é que, certamente pela comoção causada, a diretoria anunciou, ainda à tarde, a rescisão do contrato de exploração do espaço pela empresa. Só que a obra continua. A novidade informada pelo conselheiro e membro do Mais Botafogo, Edson Alves, é que são dois contratos: o para a obra e o já rescindido de exploração.


Ao final da reunião, o ex-vice geral na 1ª gestão do Maurício Assumpção e presidente do Conselho Fiscal na 2ª gestão dele, bem como na 1ª do Bebeto (e renunciou nas duas vezes), Mantuano, agrediu com uma cópia do Estatuto do Botafogo o atual vice geral, Paulo Mendes.

Conselheiros que discursaram: 13

Maurício Assumpção

A sua feição já não era a mesma da outra reunião. Pareceu mais abatido e ficou por muito tempo sozinho na parte dos fundos do ginásio. A peregrinação usual ao seu lugar já não foi tão intensa como das últimas vezes. E muitos conselheiros que o apoiam manifestaram insatisfação quanto à forma como se deu a remoção do campo. Se as votações da última reunião serviram de alerta, a de ontem causa um pouco de preocupação.

E é bom observar que ninguém subiu à tribuna para defender a atual gestão. 

Maurício discursa
Rotemberg e Jefferson Mello

O vice de futebol e o diretor de marketing da gestão Bebeto de Freitas estiveram ontem no clube e assistiram à reunião do Conselho. Manoel Renha subiu às arquibancadas para cumprimentá-los.

Good e Renha

Os dois fizeram discursos contra a remoção do campo. Eu não lembrava a última vez que Good havia feito uso da palavra na reunião, provavelmente quando da exposição do Balanço de 2009. Renha foi bem técnico ao defender o uso de General Severiano.

Mas o que fica é que mais uma vez os dois estiveram com discursos bem similares.

Cláudio Good
Mais Botafogo

Estiveram mais coordenados na exposição dos seus argumentos. Certamente houve uma preparação para a reunião - o que é muito positivo. Se não fosse a enérgica atuação do Rolim no comando do Conselho, teriam conseguido votar (e aprovar) a manutenção do campo como local de treinamento.

Marcelo Guimarães

O ex-diretor de marketing e candidato à Presidência esteve na reunião e conversou com muitos presentes. E assistiu a reunião inteira nas arquibancadas.

Marcelo Guimarães aponta
Vinícius Assumpção

O integrante do MCR e candidato do grupo à Presidência fez uma grave crítica ao Montenegro (eterno desafeto do MCR) ao lembrar que ele não poderia ter sido eleito grande benemérito em 93, já que não possuía tempo de benemerência suficiente. Houve, nesta mesma fala, uma crítica ao Carlos Eduardo (Mais Botafogo) que não ficou clara. 

Explicando: em 1993, o Conselho debateu o que seria feito na sede (Carlos Eduardo elogiou ontem o então presidente Mauro Ney por ter colocado a questão em discussão). E o recém-fundado Movimento Carlito Rocha foi um dos grandes defensores da ideia de o futebol ser na sede, o que também foi ironizado por Vinícius ("os mesmos que votaram em 1993 pelo fim do campo para os profissionais, agora defendem ardorosamente a permanência do futebol profissional na sede").

Paralelamente à discussão da volta, deu-se a concessão da grande benemerência ao Montenegro, o que fez com que o MCR desse entrada na Justiça contra a nomeação. 
No final, após muito debate e negociação, Montenegro manteve a benemerência e a concorrente que defendia a volta do futebol à General Severiano venceu.

Assim o MCR surgia e ganhava um desafeto.

Mantuano

Difícil saber o que levou o benemérito ao ataque de fúria, mas é inegável que essa não é uma ação louvável, sejam lá quais forem os motivos. A repercussão não foi boa.

Carlos Eduardo

Rebateu Vinícius Assumpção ao criticar "os que dizem que [a remoção do campo] deve ser aprovado por falta de projeto melhor". Apareceu menos desta vez.

André Silva e Chico Fonseca

Os vices administrativo e de futebol, respectivamente, não se manifestaram na reunião.

E foi isso. Em breve teremos outra reunião para discutir o contrato rescindido. Até lá, como o time não parece que vá fazer uma boa campanha no Brasileiro, a tendência é a sangria da situação aumentar. A diretoria precisa criar um fato positivo - ou torcer para a Copa do Mundo começar logo.

Manoel Renha

14 abril 2014

Reunião do Conselho Deliberativo: 15/04 - Campo de GS



O Botafogo não vive um momento conturbado apenas dentro de campo, a política também está em ebulição. Se a polêmica em relação às declarações do Bebeto à FoxSports já jogaram mais lenha ainda na fogueira, uma decisão da Diretoria de ceder a exploração do campo de General Severiano a uma empresa gerou muita polêmica.
Rolim e Maurício
As obras começaram na semana seguinte à reunião do Conselho Deliberativo do dia 25 de março (leia tudo aqui e aqui) e os conselheiros não ficaram nada felizes de tal decisão não ter sido nem comunicada na reunião, ainda mais que o presidente Maurício Assumpção ocupou a tribuna por longos minutos e ignorou o assunto.

Sendo assim, a Mesa do Conselho Deliberativo convocou uma reunião extraordinária exclusiva para discutir a matéria. Nos dois itens da convocação, a primeira é destinado à exposição do Conselho Diretor sobre o projeto, bem como a apresentação do contrato. O segundo item da pauta é para discussão da matéria.

Causa estranheza a ausência de um espaço para discussão de outros itens, o tradicional "Assuntos Gerais". Ainda mais que, desde a última reunião, casos como o Ato do TRT e admissão de erro por parte do presidente na contratação de Eduardo Húngaro surgiram. 

Enfim, cabe ao presidente do Conselho, José Luiz Rolim, a definição da pauta.

A convocação
Mesmo que não consigam fazer uso da palavra em relação a outros assuntos, será uma noite que os conselheiros e sócios estarão presentes à sede. E, além do momento político delicado, ainda tivemos os lançamentos oficiais das candidaturas de Vinícius Assumpção (MCR) e do ex-diretor de marketing, Marcelo Guimarães.

E como as votações da última reunião foram apertadas para a Diretoria, isso já pode ser um sinal de que alguns estão se movimentado para novembro.

Será uma noite interessante. Espero que também seja para o Botafogo.

Lembrando que a cobertura será em tempo real amanhã. Aqui no blog haverá um post com atualizações sobre o que for falado e, também, nos perfis do twitter do @fernandolopo e @pinheiro77

27 março 2014

"Os números dizem mais" (comentários sobre a reunião do Conselho Deliberativo do Botafogo - 25/3)



Ontem à noite, em General Severiano, o Conselho Deliberativo do Botafogo se reuniu para votação das contas do ano de 2013, benemerências e emerências. Porém, longe da simplicidade da frase introdutória, a reunião teve uma discussão acalorada e votações inesperadas.

"O espetáculo da Democracia"
Vamos, então, aos destaques da noite.

Conselheiros


Houve uma melhora na presença, com 93 conselheiros participando da reunião, cerca da metade do total. Mas temos que destacar o baixo número de pessoas fazendo o uso do microfone para o debate ou exposição de ideias: 10.

Essa situação foi tratada pelos conselheiros Vinícius Assumpção (MCR) e Luiz Felipe (Mais Botafogo). Ambos disseram que é necessário um novo caminho, com mais participação do Conselho e um planejamento ao longo prazo.

Os números da dívida


Enquanto os votos eram calculados, o presidente Maurício Assumpção queixou-se das críticas em relação ao aumento da dívida do Botafogo e citou números, muitos números. Vamos analisá-los:

"Olha a dívida lá no teto!"
Janeiro de 2009 - R$286 milhões
Após a auditoria - R$370 milhões

Um aumento de R$84 milhões ou 29,5%

Hoje, segundo Maurício, a dívida é de R$700 milhões. Isso dá um aumento de R$330 milhões em relação ao valor auditado (R$370 milhões), o que significa um crescimento de 89,2%.

Para a defesa da sua gestão, Maurício afirmou que, se fossem pagar a dívida hoje, à vista, esta seria de R$496 milhões. Entretanto, surge uma dúvida nesse raciocínio:

O valor declarado de R$286 milhões para a dívida (depois, R$370 milhões) era o valor para pagamento à vista?

Pela fala do presidente e números apresentados, não parecia ser este o caso. Sendo assim, a comparação não parece ter sido a correta.

Com isso, a menos que se considere o valor para pagamento à vista dos R$370 milhões (em 2009), a única comparação que pode ser feita é com os R$700 milhões, não com os R$496 milhões.

O Ato do TRT


Ao ser questionado sobre os motivos que levaram o Botafogo sair do Ato Trabalhista do TRT, Maurício Assumpção respondeu que "o ato expirou no fim do ano passado, e nos termos de então não interessava ao Botafogo continuar".

Conversamos com algumas pessoas sobre a saída do Botafogo do Ato e tivemos respostas divergentes da informada pelo presidente do clube.

Pelo que apuramos, houve uma denúncia de um advogado de um ex-jogador do clube em relação às receitas da Cia Botafogo. Com isso, o presidente do TRT excluiu o Botafogo do Ato Trabalhista no meio do ano.

O Botafogo recorreu da exclusão, mas como estava em dezembro e o ato é renovado anualmente, o clube achou melhor desistir do recurso e começar a negociar um novo ato.

Na negociação, o Botafogo reconhecia dívidas trabalhistas até o ano de 2013 e que totalizavam R$90 milhões. O juiz responsável pelo Botafogo fez algumas propostas de pagamento, com o clube oferecendo R$900 mil por mês para quitação da dívida.

Entretanto, o juiz tomou conhecimento da situação da Cia Botafogo e paralisou as negociações. O Botafogo espera retornar em breve.

É bom ressaltar que Vasco e Fluminense continuam no Ato do TRT.

A discussão e a confusão


Após a sua explicação da dívida, Maurício Assumpção preparava-se para deixar o púlpito e retornar ao seu lugar. Entretanto, um conselheiro pediu a palavra e fez um questionamento sobre o Ato do TRT. Após essa pergunta, o benemérito oposicionista Carlos Eduardo Pereira pediu a palavra e questionou o presidente a respeito dos adiantamentos de receitas futuras.

"Até aqui, tudo tranquilo..."
Inicialmente, é justo elogiar a postura do Maurício Assumpção de ir ao Conselho esclarecer aspectos da sua gestão. Porém, a maneira pela qual isso ocorreu não merece elogios. Entendemos que exista uma relação pouco amistosa entre a pessoa do Maurício Assumpção e o benemérito Carlos Eduardo (e, consequentemente, o seu grupo, Mais Botafogo), mas um presidente jamais pode responder de forma debochada e cheio de ironias, ainda mais quando em outro Poder soberano do clube, o Conselho Deliberativo.

Críticas existirão sempre e os resultados da eleição de 2011, quando Maurício enfrentou nas urnas o mesmo Carlos Eduardo, comprovaram de que lado estavam os sócios. Assim, ao dizer que não sabe quanto foi adiantado, que Carlos Eduardo deveria pedir ao membro do Mais Botafogo no Conselho Fiscal que respondesse, ele ignora que aquela pode ser também a dúvida de diversos outros conselheiros e sócios ali presentes.

O mesmo se deu na pergunta final, quando Maurício foi questionado em relação ao número de sócios. Visivelmente irritado, foge da pergunta para só, enfim, falar três mil, mas sem muita convicção.

O que seguiu foram cenas ainda mais lamentáveis, mas não podemos ser levianos e condenar apenas Maurício pela confusão. Conversamos com conselheiros presentes à reunião e houve troca de acusações entre os dois, permeadas de xingamentos. E o ápice teria sido quando Carlos Eduardo chamou para briga Maurício Assumpção, repetindo o acontecido durante as discussões da implantação do novo estatuto do clube, ainda em 2008 - quando o benemérito repetiu o gesto com um conselheiro da situação à época.

Que se respeitem os Poderes do clube, que briguem as ideias e que dialoguem as pessoas.

Votações


As votações do Orçamento de 2013, vices e benemerências constituíam um teste político para a atual administração. Sendo assim, podemos dizer que ela foi aprovada, mas na recuperação (se é que isso existe ainda nas escolas).

"Vazia igual à nossa conta, presidente"
Vamos aos fatos:

1 - O grupo de oposição "Mais Botafogo" elegeu 14 conselheiros. Não foi possível precisar o número de beneméritos que eles possuem nos seus quadros, mas o grupo tem cerca de 20 votos no Conselho.

2 - A votação do Orçamento, assim como as dos vices, são indicações diretas do presidente, muito mais que as benemerências. Explico: os vices estarão ligados à sua administração, os beneméritos continuarão no clube. 

Enfim, uma derrota nessas votações seria uma derrota do Maurício Assumpção, enquanto que as eleições dos beneméritos são vistas muito mais como algo do homenageado.

Isso talvez explique a diferença nos votos dados ao Carlos Calumby para vice (48 x 42) e benemérito (43 x 44).

3 - A votação que aprovou o Orçamento 2013 teve o seguinte placar: 70 a favor, com 23 contrários. Não houve abstenções.

Posto isso, e considerando que o "Mais Botafogo" votou em peso pela rejeição, sobrariam apenas 3 votos para mapear. Número desprezível. Sigamos.

4 - Antes de a reunião começar, eu já tinha a informação que o "Mais Botafogo" (o que era natural) e conselheiros ligados ao benemérito Mantuano trabalhariam contra as indicações do André Silva e Carlos Calumby. Se eu sabia, imagine os conselheiros...

5 - Não temos os números do André Silva para vice, embora os votos a favor e contra estejam na casa dos 40, como as outras votações para vice, pelo que pudemos entender do péssimo áudio.  O que causa estranheza aqui é a diferença nos votos para benemérito: 52 a favor, 35 contra.

Na votação do André, podemos levar em consideração que ele, hoje, é o candidato da situação à sucessão do Maurício.

Assim, quem iria querer ficar mal com ele?

"Agora até que faz sentido"
6 - Dado os números, a oposição teve a ajuda de cerca de outras 20 pessoas nas votações para vices e beneméritos. Uma parte era o grupo ligado ao benemérito Mantuano (ex-vice do Maurício na 1ª gestão, além de ter sido presidente do 1º Conselho Fiscal do Bebeto e renunciado às vésperas da eleição de 2005 para concorrer), a outra certamente de conselheiros "independentes", já que a os números variaram bastante.

Poderíamos colocar na balança desavenças pessoais e questões de ego. E, também, claro!, quem não concordava com as indicações. Mas isso seria para votos "residuais", mas as votações foram muito parecidas.

7 - Entretanto, o principal indicador é: das 3 votações para vice, duas levaram 42 votos contra; outra, 43. Há um padrão aí. E é difícil acreditar em coincidências em política.

Até junho!

26 março 2014

Tudo o que aconteceu na Reunião do Conselho Deliberativo do dia 25/3



Nesta terça, por volta das 19h45, o Conselho Deliberativo do Botafogo se reuniu em General Severiano para uma noite de muitas votações e poucas surpresas. Além disso, o presidente Maurício Assumpção e o benemérito Carlos Eduardo envolveram-se em uma discussão acalorada e estiveram perto de brigarem. Abaixo vocês poderão ver a descrição de tudo o que aconteceu na reunião, incluindo comentários que ajudarão a entender melhor os fatos.

Amanhã à noite, os comentários sobre a noite do Conselho Deliberativo.

Maurício Assumpção e Carlos Eduardo
discutem na reunião do Conselho
Transcrição por Fernando Lôpo
Fotos por Thiago Pinheiro

25/03/2014 - Reunião do Conselho Deliberativo

19:45: abertura da sessão com a leitura da ordem do dia.

19:49: ata da sessão anterior (27/01/2014) aprovada por unanimidade em votação simbólica.


19:50: pauta é invertida, com emerências e benemerências sendo votadas primeiramente, antes da votação sobre as contas de 2013.

19:51: Luís Eduardo Vaz Miranda, ex-presidente do Conselho Deliberativo, lê uma homenagem a Nilton Santos e a proposta de que, em todas as categorias do futebol do clube, a camisa de nº 6 tenha escrito Nilton Santos em dourado acima do escudo do clube.

O plenário terá de votar a proposta. Maurício Assumpção mostra uma camisa nova, etiquetada, já com este detalhe. Maurício Assumpção é chamado ao microfone.

19:55: Maurício Assumpção explica que a grafia usada no nome do Nilton é a mesma que ele usava em seu autógrafo, com um boneco que era o logo que o representava. A proposta é de que tal logo seja usado acima do escudo até o fim de 2014.

Maurício mostra a camisa a cada um dos conselheiros
19:57: em votação simbólica, conselheiros aprovam que a matéria entre na ordem do dia para ser votada hoje. Da mesma forma, conselheiros aprovam a homenagem.

Aprovado pelo Conselho Deliberativo: Durante todo o ano de 2014, camisa 6 do Botafogo, em todas as categorias de futebol, terá a assinatura e um desenho de Nilton Santos acima do escudo.

20:00: urna é aberta e exibida vazia a todos os presentes.

20:02: beneméritos são chamados nominalmente para votar se aprovam ou não as concessões de benemerências e emerências.

20:05: eméritos são chamados para votar.

20:08: integrantes do conselho transitório são chamados para votar.

20:19: encerrada a votação.

20:20: convocada a mesa de apuração, composta pela conselheira Katia Regina, o grande benemérito e ex-presidente Carlos Augusto Montenegro, o conselheiro do Mais Botafogo Edson Alves.

A mesa de apuração: Kátia e Montenegro (sentados)
e Edson em pé.
 20:23: Maurício Assumpção ao microfone. Começa a falar sobre sua gestão no clube.

"Ao longo do meu tempo no clube, tenho ouvido falar que essa gestão tem aumentado as dívidas em grande escala. Diz que quando assumiu, seu diretor Renato Blaute sugeriu que a dívida então de 286 milhões fosse auditada. Essa correção faz com que aquela dívida atualizada fosse de mais de 370 milhões. As pessoas dizem que o presidente aumentou de 372 milhões para mais de 700 milhões. Mas se alguém quiser pagar de uma vez a dívida, basta chegar com 496 milhões. Pois parte da dívida é composta de empréstimos, adiantamentos, fundo de atletas, dinheiro financiado no mercado, com lastro.

Maurício Assumpção discursa
Se há uma dívida de mais de 700 milhões que seria paga com. 496 milhões, então essa diretoria de fato aumentou a dívida em pouco mais de 100 milhões. Mas pagou 98 milhões de dívidas passadas. A diferença mesmo assim é grande? Sim. M as só em acordos trabalhistas, são mais de 30 milhões economizados. Logo, foram mais de 100 milhões de dívidas pagas. Isso não quer dizer que a situação seja boa. Há dívidas, há penhoras, há mais o que fazer. Estamos tentando retornar ao ato trabalhista, propostas pelo próprio tribunal. E há uma questão que afeta a todos os clubes que é o Proforte.

Eu vivo escutando dizer que o Maurício Assumpção aumentou a dívida para 700 milhões, o que não é verdade."

Conselheiro: por que o Botafogo saiu do ato?

MA: porque o ato expirou no fim do ano passado, e nos termos de então não interessava ao Botafogo continuava.

Carlos Eduardo: pergunta sobre as receitas adiantadas das gestões futuras.

Benemérito Carlos Eduardo
MA: diz que não sabe os números, e responde agressivamente que o Mais Botafogo tem um representante no Conselho Fiscal e deveria saber esses números.

Carlos Eduardo e Maurício Assumpção discutem.

CE: "vejam vocês, o presidente não sabe quanto ele adiantou das administrações futuras."

MA: "o que não pode são mentiras dizendo que aumentei as dívidas para mais de 700 milhões. Isso não é verdade".

CE: "vendo o relatório do Conselho Fiscal, vi que o Botafogo está quebrado."

CE critica o departamento de compras subordinado ao diretor administrativo, critica os valores relativos às questões de base, dentre outros.

MA: responde que não há como discutir a base dessa gestão, que os resultados falam mais do que os números. Novamente promete o CT da base, diz que será entregue à torcida, em que pese as pessoas dizendo que não sairá.

Diz que o Proforte afeta não apenas o Botafogo, mas que todos os demais clubes serão gravemente afetados pelas medidas necessárias do Proforte.

Diz que as medidas não são simplórias, e que a boa administração leva pessoas a quererem ser presidentes hoje, pessoas que não queriam antes.

Pede para que se fale a verdade, que se mostrem os números que comprovam a boa gestão quanto às dívidas.

CE: diz que torce para que dessa vez saia mesmo o CT, pois em seis anos de mandato é a sexta vez que ouve a promessa da base e nunca sai do papel.

MA: responde ironicamente enumerando o que considera conquistas da sua gestão.

CE: pergunta para quanto aumentou o quadro social.

MA: diz que aumentou em 100% o número de pessoas aptas a votar.

CE: pergunta sobre números, sobre quantidade de sócios.

MA: tenta evitar responder, mas diz que são em torno de 3 mil.

CE: pergunta se os candidatos terão acesso à lista de sócios.

MA: se exalta dizendo que CE está querendo falar de eleição.

Ambos se exaltam, especialmente MA, e saem discutindo fora dos microfones. Outros conselheiros apartam e cada um vai para o seu lado.

Maurício e Carlos Eduardo são separados
20:40: conselheiro discursa questionando sobre as receitas antecipadas, mas dívidas da Cia. Botafogo e reclama da má colocação no estadual.

20:41: Vinicius Assumpção ao microfone. Diz que, desde os 20 anos, ouve as mesmas discussões, sem soluções. Diz que há umas sete legislaturas ouve o Carlos Eduardo dizer que o clube está quebrado. E que talvez esteja, e o que falta é um melhor debate dentro do Conselho Deliberativo, trazendo mais e melhores Botafoguenses para dentro do clube.

Vinicíus Assumpção
Que a questão vai além do nome do presidente, é do modelo, e que se continuar assim o próximo presidente estará aqui apresentando as contas e as dívidas terão aumentado.

Diz que a gestão atual tem problemas e méritos. Fala do suposto impacto de 40 milhões pelo fechamento do Engenhão.

Acha que o clube precisa se unir em torno de uma nova forma de gerir o Botafogo.

20:45: conselheira reclama do excesso de críticas e defende ardorosamente a gestão de Maurício Assumpção.

20:48: Gustavo Noronha, do Mais Botafogo, diz que o Conselho Deliberativo discute muito condecorações e pouco de questões que realmente afetam o clube. Que gostaria de ver os conselheiros debatendo os números em questão. Diz que se preocupa com uma interpretação literal do estatuto quanto a um plano de recuperação. Diz que quando o orçamento já é feito com déficit, esse plano de recuperação já deveria ser levado ao Conselho Deliberativo pelo Conselho Diretor para ser discutido.

Quanto ao Proforte, diz que vê na mídia jornalistas ironizando clubes que fazem orçamento e planejamento ignorando os impostos a pagar. Que os clubes em geral deixam de pagar impostos e depois buscam o perdão das dívidas, que no Brasil é regra o mau planejamento dos clubes com posterior pedido de perdão. E que não quer ver isso novamente no Botafogo.

20:53: representante do Conselho Fiscal ao microfone. Diz que o Conselho Fiscal encaminha ao Conselho Deliberativo a análise do balanço de 2013. Resultado operacional negativo em 2013, com capital circulante e patrimônio líquido negativos, obrigando a administração a contrair empréstimo e adiantamento de receitas, especialmente com a TV. Ressalta que o não pagamento dessas obrigações paralisaria as atividades operacionais. Dessa forma, tornando urgente a regularização dessa situação, recomenda o pagamento dos tributos devidos e medidas da administração para continuidade das atividades.

Após a auditoria contratada e análise do Conselho Fiscal, este sugere que as contas encerradas em 31/12/2013 sejam aprovadas pelo Conselho Deliberativo. O único voto contrário é do Conselheiro Fiscal Edson Alves, do Mais Botafogo, por falta de um projeto do clube para sanar os problemas identificados.

Os números não são bons, mas as contas foram apresentadas corretamente e observando os princípios de contabilidade. Por isso o Conselho Fiscal entendeu que não teria como não aprovar as contas.

20:57: mesa pede para que os não conselheiros fiquem afastados, restando próximos apenas os conselheiros.

20:58: iniciada a votação. A maioria permanece sentada, aprovando as contas. Alguns conselheiros se levantam registrando voto contrário, basicamente os do Mais Botafogo e mais alguns. As contas são declaradas aprovadas "por ampla maioria" (70 a 23).

21:00: no item Assuntos Gerais, o conselheiro Luiz Felipe fala sobre as contas. Diz que o momento não é de politizar essa questão. Diz que até se animou com a fala do presidente, que achou que ele fosse dizer algo esclarecedor, mas não veio nada novo. Que não vale a pena discutir se a justificativas estão certas ou não, pois isso não resolve. Que se deve discutir o porquê dessa situação, como isso pode ser equacionado. Que o clube precisa de um trabalho de longo prazo, achar um novo caminho e, concordando com Vinicius Assumpção, que é preciso mudar o modelo de gestão.

Diz que não parece haver uma urgência para resolver essa questão, que parece que todos acham ser possível sempre empurrar com a barriga sem nunca resolver. Que em todos os levantamentos o Botafogo é sempre o pior dos grandes, e hoje até pior do que alguns clubes médios.

Que o assunto deve ser tratado de forma mais técnica e menos política.

Chico Fonseca, Cláudio Good, Montenegro e Renha

21:25: resultado das votações.

Para as vice-presidências, todos foram aprovados.

Chico Fonseca (futebol) - 45 a favor x 43 contra
Ricardo Braga (patrimônio) - 45 a favor x 42 contra
Carlos Calumby (esportes gerais) - 48 a favor x 42 contra
André Silva (administrativo) - aprovado, embora não tenhamos conseguido entender os números

Todos os indicados a emérito foram aprovados.

Daisy Miguel 
Nely Barcelos dos Santos 
Sonia Guardia 
Jordan Dantas Guedes

Para os beneméritos:

André Silva - 52 a favor x 35 contra
Carlos Calumby - 43 a favor x 44 contra (não aprovado)
Luiz Ronado da Silva - aprovado
Therezinha da Costa Pereira Nadruz - aprovada

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