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30 novembro 2014

O Botafogo acima das divergências políticas e pessoais



Dias antes da eleição no Botafogo, escrevemos aqui que os candidatos derrotados deveriam levar ao presidente eleito seus tão divulgados projetos, investidores, parcerias e contatos. Mal tomou posse o novo presidente Carlos Eduardo Pereira e o torcedor Botafoguense recebeu duas notícias afins a esse tema.

Os candidatos no dia da eleição (Uol)
A boa notícia é que Carlos Eduardo se reuniu com o prefeito Eduardo Paes e recebeu do alcaide a garantia do Engenhão funcionando já em 2015. O que poucos sabem é que o candidato Vinicius Assumpção, da Chapa Alvinegra, que é secretário municipal, intermediou esse contato entre o presidente do Botafogo e o prefeito carioca. Vinícius não fez alarde do seu feito, e a divulgação ficou por conta do agradecimento público de integrantes da vencedora Chapa Ouro. 

Vinícius contabilizou com isso mais uma grande ação em favor do Botafogo, mostrando que não põe divergências políticas à frente do Botafogo.

A má notícia foi que o Botafogo atrasou uma parcela do Refis. Em entrevista ao blog Facho de Luz, o candidato Thiago Alvim, da Chapa Azul criada por Montenegro, disse textualmente:
No dia 28 de novembro, vence a quarta parcela do Refis no valor de 3,5 milhões. Eu já estou, desde agora, tentando viabilizar esse pagamento através da força do nosso grupo, do relacionamento das pessoas com instituições e empresas de crédito que possam fazer os 3,5 milhões aparecerem. O Botafogo vai ter [que pagar essas parcelas do Refis] em 28/11 e 28/12. São sete milhões em menos de um mês e dois dias que o próximo presidente do Botafogo vai ter que saldar.
Membros da Chapa Azul ajudaram neste pagamento e exigiram dos quatro candidatos a presidente do Botafogo que assinassem um termo se comprometendo a destinar cotas futuras que o Botafogo tem a receber para saldar esta terceira parceira [a de Outubro]. Isto foi feito.
Eis que agora a parcela de 28/11/2014 não foi paga. Ao mesmo tempo partidários da Chapa Azul tripudiam sobre a dificuldade do novo presidente de honrar este compromisso, que conseguiu ao menos estender o prazo em trinta dias. Alegam os integrantes da Chapa Azul que eles é que possuem os contatos com o chamado "pessoal do dinheiro", sem o qual supostamente não se viabiliza o Botafogo.

Fica a pergunta: não seria o caso dos bem relacionados integrantes da chapa derrotada acionarem seus contatos para que tal promessa seja mantida, aliviando um problema de extrema gravidade e urgência do Botafogo?

Caso o pessoal da Chapa Azul não tome essa atitude o quanto antes, caberão duas interpretações. Uma é a de que não fazem nada porque não tinham tanta influência quanto alardeado sobre o chamado "pessoal do dinheiro", o que configura então estelionato eleitoral. A outra interpretação é de que embora eles de fato tenham livre acesso a tais figuras, nada farão a fim de deixar a atual gestão em dificuldades ainda maiores com o objetivo de capitalizar politicamente.

Em ambos os casos, ficam muito mal os apoiadores da Chapa Azul.

E novamente parabéns a Vinícius Assumpção.

O Botafogo precisa da fiscalização, do senso crítico e também da ajuda de todos.





26 novembro 2014

A imagem que explica a vitória de Carlos Eduardo Pereira



Carlos Eduardo Cunha Pereira, 56 anos, administrador, é o novo presidente do Botafogo de Futebol e Regatas.

O resultado final foi o seguinte:

Chapa Ouro, de Carlos Eduardo: 442 (36,14%). 
Chapa Azul, de Thiago Alvim: 347 (28,37%). 
Chapa Cinza, de Marcelo Guimarães: 234 (19,13%). 
Chapa Alvinegra, de Vinicius Assumpção: 200 (16,35%).


A foto acima, que dispensa legenda, é a imagem da vitória de Carlos Eduardo, muito mais do que as inúmeras imagens de comemoração que devem estar a circular neste momento. A vitória da Chapa Ouro não foi construída apenas na campanha, mas na atuação do grupo no Conselho Deliberativo (CD) em forte oposição ao mandato da praia.

A foto foi tirada por Thiago Pinheiro durante a reunião do CD de 25/03/2014, onde Carlos Eduardo interpelou Maurício Assumpção acerca da saída do ato trabalhista, adiantamento de receitas (que Nininho não soube quantificar), promessas não cumpridas de CT, categorias de base, etc. Com sua veemência, Carlos Eduardo tirou Nininho do sério, numa discussão que chegou ao ponto de gerar esta foto.

Carlos Eduardo fez o que toda oposição deve fazer: fiscalizar, questionar. Não é preciso xingar ou apelas para baixarias. Basta questionar. Perguntar o porquê das decisões do presidente, pedir explicações de como o clube pode se beneficiar de tais decisões, cobrar o cumprimento de promessas, zelar pelo cumprimento do Estatuto.

Nesta mesma reunião o Mais Botafogo já tinha a companhia do Botafogo Acima de Tudo, de Antonio Carlos Mantuano, a esta altura finalmente rompido com Maurício, que tem forte influência no corpo permanente de beneméritos. Com isso foi possível dificultar a aprovação de novos vices e beneméritos.

Os quatro candidatos (globoesporte.com)

O contraponto é o MCR. O grupo tem uma bela página escrita na história do clube ao suportar a gestão Bebeto de Freitas, que salvou o clube de um abismo, e conta com figuras respeitadas no clube por sua atuação em outras épocas, como Mario Pinheiro, Marcos Portella, Gustavo Ferreira e, claro, o próprio Vinícius. Porém, talvez por certa desmobilização, o MCR aceitou compor com Nininho em 2011 e teve atuação muito apagada no CD ao longo destes três anos. O espaço vazio foi ocupado com destaque pelo Mais Botafogo, e a tentativa de Vinícius se descolar de Nininho soou artificial, não sendo possível compensar apenas com a campanha os últimos três anos.

Vinícius Assumpção vota (oglobo.com.br)

Thiago Alvim fiou-se somente na promessa de ter consigo "o pessoal do dinheiro". Mas não conseguiu se descolar de Nininho, e a imagem de Montenegro ganha os votos de quem gravita em torno de General Severiano, mas afasta quem não convive na sede. Thiago não tem muito traquejo para se expressar como candidato, e teve como ponto mais baixo da campanha o momento em que num debate seu grande trunfo para desqualificar Carlos Eduardo era o fato de que ele mora em Itaipava. A resposta do adversário afirmando que trabalha no Rio Sul, em frente ao Botafogo, tornou a pergunta ainda mais constrangedora.

O favorito Thiago Alvim ficou em segundo (oglobo.com.br)

Marcelo Guimarães conseguia cativar os sócios mais recentes, pouco afeitos ao que se passa dentro do clube. Seu discurso funcionava externamente, mas não convencia quem acompanha o clube de perto. É outro que não abandonou Nininho. Ao contrário, foi abandonado por ele - e duas vezes. Quando Thiago Alvim abriu mais detalhes de sua demissão, mostrou certo descontrole no debate.

Marcelo Guimarães e seu vice Edson Santana (oglobo.com.br)

Carlos Eduardo é o mais velho dos candidatos, e também o mais tradicional dentro do clube, por já ter sido vice geral de Montenegro há 20 anos, o que não lhe ajuda a se vender como algo novo. Também era o único sem uma promessa de campanha repetida a todo instante, tais como "sou amigo do pessoal do dinheiro" ou "sou um homem de mercado que vai profissionalizar o clube". Talvez por isso fosse o menos carismático para o torcedor médio.

Também havia na chapa a presença do grupo de Mantuano, que conta com certa rejeição de muita gente. O fato do Mais Botafogo ter apoiado Nininho em 2008 era sempre lembrado, e o antídoto da chapa foi jamais negar tal fato, mas contrapor com a atuação de oposição durante o mandato da praia.

Amarildo apoiou Carlos Eduardo (oglobo.com.br)

Os debates favoreceram o candidato da Chapa Ouro, que conseguiu sempre ser mais seguro e com os pés no chão, mas tiveram repercussão relativa. A reta final da campanha serviu para definitivamente descolá-lo de Nininho, e para isso a divulgação exaustiva da foto que abre esse texto foi fundamental. Ela passou uma imagem de forma mais eficiente do que qualquer texto.

Que todos aprendam a lição de que a eleição é resultado de um processo. Não adianta em dois meses encher o eleitor de promessas e achar que vai vencer. Os eleitores mudam, evoluem, as demandas mudam também. Montenegro aprendeu uma lição dura. Subestimou as demais candidaturas e achou que venceria com um improviso. Não deu.

Que todos nós entendamos que a eleição de 2017 começa agora. Vamos acompanhar, fiscalizar e cobrar o mandato de Carlos Eduardo. Mas acompanhemos também as demais correntes do clube, estejam dentro ou fora do CD, para que em 2017 ninguém tente nos vender uma imagem de si diferente da realidade.

Agora é hora de trabalho, muito trabalho. Boa sorte para Carlos Eduardo e boa sorte para nós.

21 novembro 2014

Sobre as promessas dos candidatos



Foto tirada de: http://goo.gl/DcEi0Z


No último dia 18/11 foi realizado um debate com os quatro candidatos à presidência do Botafogo. Ontem foi disponibilizada a íntegra do debate no Youtube no link abaixo:


Ao longo da campanha, muitas propostas e promessas tem surgido. Apoio de investidores, contratação de empresas, contatos para parcerias com grandes empresas, acordos com executivos e grandes especialistas em áreas importantes, ex-jogadores, etc.

Sugerimos aos candidatos que se comprometam a levar tais projetos e contatos ao Botafogo mesmo que não vençam a eleição. Uma vez vencidos, que apresentem seus contatos ao novo presidente, façam a ponte entre o clube e aqueles que conseguiu atrair ao longo do processo eleitoral.

Partimos do ponto de que todos estão trabalhando em prol do Botafogo. Logo, uma vez derrotados no pleito (e três deles perderão), não há razão para que tais promessas sejam engavetadas. Que levem tudo o que estão prometendo e alardeando ao novo mandatário, independentemente de questões pessoais que eventualmente existam entre si.

Isso serviria até para comprovar que as promessas e supostos acordos já firmados com pessoas e empresas não são factóides eleitoreiros mas sim algo concreto, real. Pois promessa qualquer pode inventar uma e, se não eleito, fingir que era real e só não foi implementada devido à derrota nas urnas.

Fiquemos bem atentos e após a eleição cobremos todos eles quanto a suas promessas. Inclusive os derrotados.

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