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11 julho 2017

CT do Botafogo: o sonho virando realidade



Se o torcedor do Botafogo pensou que não viveria nesse ano uma expectativa tão grande quanto a de um jogo pela Libertadores, foi surpreendido pela notícia de uma possível aquisição de um centro de treinamento (CT). Quem entende a importância dessa estrutura certamente está mais ansioso do que em disputa de pênaltis (até porque isso já perdeu a graça para nós).

Amanhã, 11/07/2017, o Conselho Deliberativo votará a proposta de aquisição de um CT construído em Vargem Pequena, zona Oeste do Rio de Janeiro. Como conta a reportagem do UOL, os irmãos Walter e João Moreira Salles financiarão a compra, e o Botafogo os pagará em 30 anos.


Ilustração do local (Espaço Lonier)

Há anos os torcedores clamam por um mecenas, sempre sonhando com aportes financeiros a fundo perdido feito por botafoguenses ilustres. Num futebol profissional, isso não é necessário. É possível que empresários façam esses investimentos e tenham retorno, se o projeto for viável.



A ajuda dos botafoguenses ilustres

Engana-se quem pensa que o Botafogo não tem ajuda de torcedores ilustres com grande condição financeira. Como em todos os grandes o clubes, no Botafogo também há ajuda política, financeira e de relacionamento institucional por parte de grandes torcedores. Porém, quem direciona os investimentos é o próprio clube. Nunca foi apresentado um projeto bem estruturado, viável, para que fosse feito um investimento com um retorno bom para todos.

Os irmãos Moreira Salles e outros alvinegros sempre socorreram o clube em momentos de dificuldades. Seja para fazer fundo de investimento, ajudar a captar patrocínio, fechar as contas ou até pagar salários, o Botafogo sempre contou com essas pessoas.

No mandato de Bebeto de Freitas, foi feito o CT João Saldanha em General Severiano. Esta obra foi capitaneada por um grande sócio botafoguense que colaborou fortemente nos mandatos de Bebeto de Freitas, Maurício Assumpção e continua a fazê-lo na gestão Carlos Eduardo. Os irmãos Moreira Salles são muito próximos a este sócio, em quem confiam bastante quando se trata de entrar em algum projeto envolvendo o Botafogo.

Citamos aqui os irmãos Moreira Salles porque já saiu na imprensa. Não citaremos o tal sócio porque não lhe pedimos autorização. Mas por ele ter uma visão mais moderna e profissional para o Botafogo, certa vez ouvimos de pessoas da sede que o clube deveria fazer uma reforma estatutária para "impedir que alguém como ele chegue à presidência".



As condições do CT

O Conselho Fiscal do Botafogo já analisou o Memorando de Entendimento entre Botafogo e os irmãos Moreira Salles para aquisição do CT. O memorando trata das condições financeiras do negócio, que são as seguintes:
  • Valor máximo de R$ 25 milhões para aquisição de terreno mais obras (ou já pronto) .
  • Botafogo e irmãos Salles devem aprovar local e condições.
  • Imóvel fica em nome dos irmãos e por meio de Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda, será adquirido pelo BFR.
  • Pagamento em 360 parcelas iguais (30 anos).
O Conselho Fiscal também recomenda que o Botafogo se desfaça de Marechal Hermes ou de Caio Martins para arcar com as despesas mensais das parcelas e da manutenção do novo CT. Seria mesmo interessante para o Botafogo se livrar dessas instalações problemáticas e concentrar esforços e recursos em algo realmente seu.

Pelas contrapartidas exigidas pelos irmãos, o Botafogo deve:
  • Construir uma escola no local que atenda ao menos 60% dos jovens das categorias de base - além da bela preocupação com o social, uma escola agrega muito valor ao clube e aos jovens que lá estão. Ajuda até na formação como jogador.
  • Repassar aos irmãos Moreira Salles 20% dos direitos financeiros que couberem ao clube, derivados de negociação de jogadores das categorias de base.
  • Manter o percentual mínimo de 60% (sessenta por cento), dos direitos financeiros de qualquer jogador que passe pelas categorias de base do Clube - essa cláusula protege os irmãos e também o Botafogo, evitando o fatiamento dos direitos de jogadores da base.
As contrapartidas não apenas parecem justas como agregam valor e protegem o Botafogo em alguns casos.



O local

Conforme já noticiado amplamente, o CT deve ser num terreno de 200 mil metros quadrados em Vargem Pequena, onde hoje funciona o Espaço Lonier. O tamanho do terreno permite com sobras a construção de um CT integrado para categorias de base e profissional.

O local tem um campo de dimensões oficiais, mas já conta com outras estruturas prontas, como as de hospedagem, permitindo ao clube definir a melhor forma de realizar obras de adaptação às suas necessidades.


Infraestrutura esportiva (Espaço Lonier)

Fosse apenas um terreno baldio em município distante, já seria algo bom. Um terreno de 200 mil metros quadrados na zona Oeste do Rio traz excelentes perspectivas para o Botafogo.



Benefícios para o futebol

A base do Botafogo, blindada por Manoel Renha, conseguiu excelentes resultados com os bons profissionais capitaneados pelo diretor, mesmo padecendo de investimento muito baixo e infraestrutura modesta. Por isso o Botafogo desenvolve muito bem seus jogadores, mas não atrai os melhores talentos. Daí a tendência a revelar bons defensores inteligentes taticamente, mas poucos jogadores de ataque.

A nova estrutura do CT pode trazer o que faltava para a base dar um salto de qualidade, ainda mais num momento em que já perdemos um excelente profissional para o Cruzeiro e temos risco de perder outros para clubes mais estruturados.

Os profissionais, por sua vez, poderão trabalhar isolados da sede, com mais tranquilidade, privacidade e menos pressões e distrações. O treinador do profissional poderá acompanhar de perto os jovens das categorias de base.



A evolução da estrutura do Botafogo

Em 2014, durante o processo eleitoral, conversamos com algumas chapas e fizemos a todos a pergunta: o que você pretende deixar de legado para o Botafogo? A surpresa com a pergunta nos deixou preocupados com todas as chapas.

Em 2003, Bebeto de Freitas pegou um Botafogo rebaixado, endividado, até com computadores sumidos. Seu legado foi: Estádio Nilton Santos, CT João Saldanha, Ato Trabalhista, Timemania (o antecessor do Profut). A administração Bebeto teve inúmeros problemas, mas deixou este legado estrutural. Seu sucessor deveria manter as conquistas e avançar em dois pontos principais: um CT definitivo e categorias de base, abandonadas por Bebeto.

Em 2009, Maurício Assumpção assumiu nesse cenário. Teve dois méritos: conseguiu gerar receita e avançou nas categorias de base, que não tinham nada. Mas, além de tudo que já sabemos, ele depreciou as conquistas anteriores ao ser excluído do Ato Trabalhista, atrasar impostos, degradar o estádio Nilton Santos e não fazer CT - o Botafogo de Assumpção regrediu.

Em 2014, Carlos Eduardo assume esse Botafogo. Primeiro volta ao Ato Trabalhista e depois adere ao novo Profut. O Botafogo desfazia alguns retrocessos de Assumpção. Em 2017, passa a utilizar melhor o Nilton Santos. A categoria de base, agora nas mãos de Manoel Renha, dá sequência e melhora o trabalho que já vinha de alguns anos. 

Note que não abordamos resultado de campo, pois não nos interessam bons resultados fortuitos. Mais do que ganhar um título, queremos que o Botafogo tenha estrutura que lhe permita disputar todos os grandes títulos ano após ano.



O legado de Carlos Eduardo

Carlos Eduardo, quando cobrado para que fizesse um CT, sempre alegou que o clube não tinha condições para tal. Apesar disso, esbanjando os R$ 100 milhões adiantados junto à Globo, o clube gastou R$ 13 milhões na Ilha do Governador e anunciou mais R$ 3 milhões em obras no Nilton Santos para receber treinos do profissional (ninguém sabe em quanto ficou essa obra). Esses R$ 16 milhões gastos em menos de um ano já seriam 64% desses R$ 25 milhões do Memorando de Entendimentos.

Em janeiro deste ano, em entrevista à Rádio Botafogo, Carlos Eduardo pensava em utilizar Marechal Hermes e trabalhar com as categorias de base descentralizadas mesmo, pois entendia ser o possível a ser feito. Não se cogitava um CT, o que nos leva a crer que esta proposta tenha surgido recentemente.


Entretanto, ao assinar este contrato pelo CT, Carlos Eduardo preenche a lacuna que faltava para o Botafogo entrar no século XXI e passar a ter condições estruturais em nível semelhante às de seus competidores.

A torcida tem acompanhado como o estádio Nilton Santos é uma vantagem para o Botafogo dentro e fora de campo. E no seu aniversário de dez anos, ganha a companhia do CT.

O Botafogo terá os seguintes pilares para continuar evoluindo:

Futebol:
  • Estádio Nilton Santos.
  • CT integrado.

Financeiro:
  • Ato Trabalhista.
  • Profut.

Precisamos evoluir na questão administrativa: 
  • Profissionalizar o clube. 
  • Isolar o futebol do social.
  • Gerar receitas.
  • Aplicar os recursos corretamente.


Esperamos que o sim dito pelos conselheiros nesta terça seja o início de uma nova era para o Botafogo.

Daqui a alguns anos, quando o Botafogo for candidato a título nas principais competições, lembremos de 2007 (Nilton Santos) e 2017 (CT).

07 agosto 2014

07/08/2014 Reunião Extraordinária do Conselho Deliberativo do Botafogo.




07/08/2014
Reunião Extraordinária do Conselho Deliberativo do Botafogo.


19:40: Álvaro Luiz Carvalho Moreira anuncia afastamento de José Luiz Rolim, presidente do Conselho Deliberativo, por sessenta dias para tratar de doença grave. Com isso, novamente a sessão será presidida por Álvaro Moreira, primeiro vice-presidente do Conselho Deliberativo.

19:45: Álvaro Moreira lê uma carta de Maurício Assumpção, presidente do Conselho Diretor, dizendo que não pode comparecer por já ter um compromisso pessoal marcado antes da convocação, e que será representado pelo vice-presidente de finanças e de futebol Francisco Fonseca. Como chegou apenas uma carta do presidente, Álvaro Moreira considerada que haja "ausência não justificada", configurando-se portanto violação do Estatuto por parte de Maurício Assumpção.

19:48: Álvaro Moreira lê a carta de convocação enviada aos conselheiros e uma carta do grande benemérito Brás Pepe, que está internado.

A carta de convocação:



Explica que houve um adendo, pois inicialmente seria sobre o Ato Trabalhista e a situação financeira do clube, mas com a decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de julgar o caso do Botafogo ainda neste mês, o item relativo ao Ato Trabalhista foi suprimido na retificação da convocação:

.
Por fim, com toda a questão do Refis dos clubes e as notícias de sonegação de tributos do Botafogo (confirmadas pelo próprio presidente Maurício Assumpção), foi feito um adendo que inclui a questão das dívidas tributárias na ordem do dia.


19:52: vice-presidente de finanças e de futebol Francisco Fonseca fala, ao lado do diretor executivo Sérgio Landau e do diretor financeiro Marcelo Murad. Faz uma introdução apresentando a si e outros vices e diretores.

Diz que o clube vinha em constante melhoria de receitas, patrocínios, capacidade de investimento. Que o clube vinha conseguindo por exemplo trazer Loco Abreu, Maicosuel e Seedorf. Diz que o patrocínio da Neoquimica chegou a ser bloqueado por ação da Tam referente ao Tailson.

Que em 2012, quanto trouxeram Seedorf, "alguém  descobriu" que o Ato Trabalhista só valia para dívidas até dezembro de 2007. Os que tinham dívidas posteriores entraram na justiça e passaram a penhorar 20% das receitas. A partir daí passou-se a tentar um novo acordo com o TRT. 

Advogados de dois ex-jogadores, um deles o ex-zagueiro da base Tavares, alegaram que o Botafogo não descontava em cima da receita total. Diz que os valores usados pelos advogados e aceitos pelo TRT supunham uma arrecadação praticamente igual às de Flamengo e Corinthians somadas no mesmo ano, o que totalizaria esse valor supostamente sonegado de 90 milhões de reais. 

Começaram então as penhoras e a isso somou-se o fechamento do Engenhão. O clube ainda conseguiu se manter através de parceiros. O Engenhão trazia recursos diretos e indiretos, pois a possibilidade de exposição no telão já era um fator de atração para outros patrocínios.

Sendo assim, o clube passou a ter as receitas bloqueadas.

Diz que pela Lei Pelé para que se demita um jogador é preciso pagar todo o valor do contrato contrato para ele, o que inviabiliza a rescisão de contratos como forma de redução de custos.

O clube então foi obrigado a fazer "escolhas de Sofia", isto é, priorizar alguns pagamentos e não honrar outros. Algumas medidas foram tomadas, como vendas de jogadores como Andrezinho.

Francisco Fonseca destacou algumas vezes que só é vice de finanças há três meses, e que o Jurídico (cujo vice-presidente Jurídico é Alberto Macedo) seria o mais indicado para ajudar a responder algumas questões.

20:09: Conselho Diretor fica à disposição para perguntas.

20:10: conselheiro Gustavo Noronha (Mais Botafogo) é o primeiro a perguntar.
Abre lamentando a ausência do presidente Maurício Assumpção em momento tão grave do clube e saúda o grande benemérito Brás Pepe, que enviou a carta lida no começo.

Diz que o Refis na verdade são dois, cada um referente a um período. Seriam então 700 mil reais por mês da Timemania, 300 mil reais de uma modalidade do Refis novo, mais 50 mil reais por mês de outra modalidade do Refis novo, totalizando 1,05 milhão de reais por mês, além de mais 10 milhões de reais para adesão ao Refis.

Diz que já alertara em anos anteriores, nas votações de contas e orçamentos, que o Conselho Deliberativo deveria votar um plano de recuperação, mas que sempre foi alegado que isso seria um ato de gestão do Conselho Diretor, não cabendo ao Conselho Deliberativo determinar esse tipo de plano. Isso foi negado três vezes. Entende que mesmo que tardiamente o Conselho Deliberativo deve tomar a frente para discutir e votar um plano de recuperação. Diz que é sim responsabilidade do Conselho Deliberativo deliberar sobre esse tipo de assunto, e não lavar as mãos e deixar tudo nas mãos do Conselho Diretor.

Diz que o Conselho Diretor tem buscado soluções, mas uma vez que elas não se mostram eficazes, o Conselho Deliberativo tem sim que ser chamado para discutir.


Sobre matéria do Lance! em que o presidente Maurício Assumpção diz que vai afinal entrar com ação de ressarcimento pelos danos causados pelo fechamento do Engenhão. Na reportagem presidente diz que contratou uma empresa para definir quanto pedir de ressarcimento e contra quero Botafogo esteve entrar. Também causou estranheza a existência de empréstimos concedidos pela Odebrecht. Pede explicação sobre esses valores.

20:18: diretor executivo Sérgio Landau:

Diz que o fechamento do Engenhão em 2013 fez o clube discutir as alternativas, mas que não foi possível ter a velocidade necessária para repor as perdas.
Como o contrato era com a Prefeitura, a ação poderia ser contra a Prefeitura. Mas não sabiam contra qual consórcio, porque um fez o projeto e iniciou a obra, e um segundo consórcio assumiu durante a obra e a concluiu. Mas o segundo consórcio pôs uma cláusula em que se isentava de qualquer problema decorrente dos cálculos do projeto, uma vez que se os cálculos e o projeto fossem revistos antes de retomadas as obras, não haveria tempo hábil para a abertura dos jogos Panamericanos de 2007.

Diz que discutiu-se no clube se haveria ação contra algum dos consórcios. A Prefeitura concluiu que a ação deveria ser contra o primeiro consórcio, que fez o projeto. Botafogo conversou com a Prefeitura sobre uma forma de ressarcimento, como um patrocínio da própria Prefeitura ao clube, mas está alegou que não seria possível pois outros clubes pediriam o mesmo.

Procurou-se a Odebrecht para usar seus técnicos para fundamentar a ação contra o primeiro consórcio. Isso foi feito, mas o problema é que o entendimento era o de que o clube deveria entrar contra a prefeitura. O clube então precisou contratar uma auditoria para calcular os valores a serem cobrados. A empresa foi a Ernst & Young e o trabalho foi terminado recentemente. Porém, esse tipo de ação demora bastante.

20:25: diretor financeiro Marcelo Murad.

O Refis se divide em dois. Um para antes e um para após dezembro de 2008. A dívida até dezembro de 2013 é de 97 milhões de reais. Pagando à vista seria de 56 milhões de reais. O Botafogo optou por 180 meses, com entrada de cinco parcelas de 2,163 milhões de reais e prestação mensal de 288 mil reais.

Essa despesa seria descontada direto do contrato da televisão.

"O Botafogo tem uma única antecipação de receita com a TV que se encerra em dezembro de 2015." Em 2015 o Botafogo tem a receber da TV pouco mais de 200 mil por mês já descontados o valor antecipado e o pagamento mensal do Refis.

20:32: grande benemérito Paulo Sérgio.
Critica a falta de credibilidade do presidente, acusado de mentir e sonegar. Critica os altos salários dos executivos do clube, que está falido e paga a esses executivos (como Sergio Landau e Marcelo Murad) salários incompatíveis ao que no mercado uma empresa na situação do Botafogo pagaria. Diz que as pessoas estão com salários atrasados, e que é inadmissível. Diz que a responsabilidade é toda do Conselho Deliberativo e do Conselho Fiscal, que sempre aprovaram contas, aprovaram orçamentos, nunca contestaram nada.

Critica as sonegações via Companhia Botafogo, que "não foi feita para isso".

Reclama das humilhações a que o clube fica submetido, como piadas até do prefeito. Diz que deveriam ter entrado com ação logo em 2013, e critica o presidente que novamente se ausentou num momento importante.


20:36: diretor executivo Sérgio Landau

Diz que a reunião sobre a entrada ou não na justiça em 2013 foi inconclusiva, e que as ações atuais são tomadas conforme orientações do escritório contratado.

Diz que desde 2007 essa prática é adotada na Companhia Botafogo. Que desde a Liquigás que os contratos entram pela Companhia Botafogo. E que a gestão atual apenas manteve está prática.

Quanto às remunerações, diz que de fato é remunerado, pois é profissional, e por isso está lá se dedicando o dia todo. E que também está sem receber como os demais funcionários.


20:41: conselheiro André Barros (MCR)
Reclama da imprensa, relativiza a situação ao lembrar que o Flamengo é lanterna e o Vasco está na segunda divisão, e diz que a situação atual pode fortalecer o elo entre time e torcida, e que isso salvou o clube em outras vezes. Reclama da ameaça do presidente de retirar o time do Campeonato Brasileiro. Pede mobilização da torcida e apóia a proposta do Conselheiro Gustavo Noronha (Mais Botafogo), que pede que o Conselho Deliberativo discuta um plano de recuperação.

Diz que qualquer solução passa pelo afastamento do presidente Maurício Assumpção, seja por renúncia ou licença, visto que o presidente sequer aparece numa reunião importante como essa e não tem mais condições de permanecer à frente do clube.

20:45: grande benemérito Carlos Eduardo (Mais Botafogo)

*Álvaro Moreira da mesa pede que os membros do Conselho Diretor não se retirem do salão pois podem ser demandados pelos inscritos com perguntas ou pedidos de esclarecimento.

Grande benemérito Carlos Eduardo (Mais Botafogo) diz que se sente orgulhoso por não haver brigas na reunião de hoje como muitos previam.

Lamenta a ausência do presidente Maurício Assumpção, e destaca a questão da comissão do contrato de patrocínio para a empresa de familiares do presidente. Considera a situação inaceitável, que jamais se poderia permitir que empresa de familiares recebessem do clube.

Cita matéria do globoesporte.com, segundo a qual há 68 milhões de reais em aberto até o fim de 2014, que seriam 24 milhões de reais já vencidos e o restante até o fim do ano. Pergunta ao Conselho Diretor se essa informação é correta e se há receitas disponíveis para 2015, uma vez que agora o patrocínio "estará reforçado pelos 5% que não serão mais pagos à família do presidente Maurício Assumpção".

Pede também que mesmo que o presidente Maurício assumpção não decida se afastar por conta própria, que o Conselho Deliberativo, no uso de suas atribuições, lhe conceda licença até o fim de seu mandato para "refletir", e que o vice-presidente geral Paulo Mendes é mais apto e tem mais condições de conduzir o clube neste momento.

20:52: diretor financeiro Marcelo Murad.

Confirma o número de 68 milhões de reais para fechar o ano, e diz que estão tentando vender algum jogador para obter recursos.

Que para 2015, restam apenas 5 milhões de reais a receber da TV no ano inteiro, já considerando os parcelamentos do Refis.

Sobre patrocínio não sabe dizer, pois "não é do departamento comercial".

Sobre salários, diz que nenhum dos executivos do clube recebe há três meses, como os funcionários.


20:55: conselheiro Vinicius Assumpção (MCR)

Vinicius Assumpção (MCR) se diz decepcionado com a ausência do presidente, pois haveria esclarecimentos importantes a serem prestados. Lamenta também que em regra as reuniões do Conselho Deliberativo são muito esvaziadas, com pouco quórum.

Diz que o que precisa ser modificado é o modelo, e concorda com o conselheiro Gustavo Noronha (Mais Botafogo) quanto ao Conselho Deliberativo elaborar um plano de recuperação para o clube. Concorda também que o próprio Conselho Deliberativo tem muita responsabilidade em tudo por sua pouca atuação.

Por fim, Vinicius Assumpção (MCR) diz que a saída é convocar a torcida, com ingressos baratos, uma vez que o Sou Botafogo tem pouca adesão.


21:04: conselheiro Paulo Marcelo Sampaio (MCR)
Discorre sobre a história do clube, relembra outros momentos, lê um texto de jornal antigo e diz que o clube não vai acabar.


21:06: Benemérito Menezes.

Recorda tempos antigos, fala de seus antepassados que jogaram pelo clube, homenageia benemérito ausente, reclama dos uniformes atuais, conta a origem das meias cinza e histórias de Carlito Rocha.


21:12: Conselheiro Gláucio Cruz

Critica o presidente Maurício Assumpção e o Conselho Diretor. Diz que já havia feito ponderações ao André Silva (ex-presidente do Conselho Fiscal), então presidente do Conselho Fiscal. Reclama de algumas respostas do diretor financeiro, que alega não saber alguns números ("isso é com o jurídico").  Faz outras críticas à diretoria.


21:20: vice-presidente de finanças e de futebol Francisco Fonseca

Diz que o Conselho Diretor buscou sim soluções. Reclama da Lei Pelé, que segundo ele não permite que se mande embora os atletas. Se fizesse isso, o clube teria de pagar o contrato todo e a dívida apenas seria jogada para frente. Diz que todas as possibilidades de reduções drásticas de despesa no futebol seriam apenas momentâneas e não resolveriam. E que não dá para mandar um elenco inteiro embora sob risco de rebaixamento.


Grande benemérito Carlos Eduardo (Mais Botafogo) pergunta que jogadores o Botafogo possui.


Francisco Fonseca diz que apenas Emerson Sheik e Ramirez pertencem ao Corinthians e em todos os demais o Botafogo tem alguma participação nos diretos, que o Botafogo tem direitos sobre algo em torno de 85% do elenco, mas que a maioria já foi negociada com parceiros que emprestam dinheiro ou ajudam o clube de alguma forma. Alguma negociações são através de "cestas" , isto é, percentuais de direitos de vários jogadores.

Sobre o jogador Lodeiro, diz que o jogador pediu para sair porque "não tinha mais clima para continuar no Botafogo". Reforça que não foi uma iniciativa do Botafogo, mas do jogador. Explica que o que ocorre é que muitas vezes o Botafogo já deve ao próprio empresário do jogador, e por isso grande parte do dinheiro não entra no clube.

Diz que apesar de todas as dificuldades o clube conseguiu pagar neste ano 20 milhões de reais de dívidas antigas. Que o fato do dinheiro não entrar direto no Botafogo não significa que tenha sido perdido, mas sim usado para abatimento de alguma dívida.


21:30: Grande Benemérito Carlos Augusto Montenegro.

Parabeniza a grande presença do Conselho Deliberativo e o "alto nível do debate".

Sobre saída do presidente, diz que para haver impeachment é necessário um processo longo. Para renúncia, de 160 conselheiros pelo menos. Diz que vai iniciar o processo eleitoral na próxima semana.

"Acho que ele tem que ficar."

Diz que está disposto sempre a ajudar, "desde que solicitado", qualquer presidente do Botafogo.

Considera a questão da empresa de familiares do presidente Maurício Assumpção imoral, antiética, e em que em mais de vinte anos de Botafogo "jamais tirou um centavo do clube", e que "jamais faria isso".

Mas que independentemente disso, ele foi eleito presidente, faltam apenas três meses, e ele tem de ficar até o fim, "mesmo humilhado, sem poder ir a jogo, sem poder ir à praia".

"O mandato foi bom até dezembro do ano passado e nos últimos sete meses foi um desastre. Botou alguns amigos, achando que seria melhor com pessoas mais próximas, mesmo não profissionais, e foi um desastre."

Conclama o Conselho Deliberativo a uma grande união.

Diz que os candidatos deveriam "começar a transição amanhã". Comparecer em dupla (candidato mais uma pessoa) e conhecer exatamente como está a situação em cada departamento - marketing, jurídico, financeiro, etc.

Diz que o dinheiro ora bloqueado não entrará no clube mesmo com o Ato Trabalhista e o Refis, pois irá direto para o abatimento de tais dívidas. A partir daí sim o clube passa a ter as dívidas equacionadas e a não ser devedor. Ou seja, não há receitas previstas.

Diz que daí a necessidade da transição começar agora com os candidatos a presidente, aproveitando o ambiente de união do Conselho Deliberativo, pois é hora de olhar para frente e não ficar culpando sempre os anteriores, e por isso os candidatos precisam saber exatamente a situação do clube para evitar surpresas posteriores e até para decidirem se querem manter a candidatura.

Sugere que o conselheiro Gustavo Noronha (Mais Botafogo) reunisse mais uns quatro advogados para estudar o Estatuto do BFR e até promover alterações permitindo o sócio torcedor ou regulamentando o sócio contribuinte para que esse novo Estatuto do BFR seja promulgado com a posse do novo presidente.

Também sugere a criação de uma Comissão de Crise para administrar a situação atual, e se oferece para participar de tal comissão. Supõe até uma doação a fundo perdido de alguns colaboradores ou outra forma de socorro urgente e imediato ao clube.

Em suma, três sugestões:
- Transição iniciada agora com os candidatos.
- Reforma estatutária liderada pelo conselheiro Gustavo Noronha (Mais Botafogo) para promulgação com a eleição.
- Comissão de Crise do Conselho Deliberativo para administrar o momento atual.


21:42: Vice-presidente geral Paulo Mendes.

Diz que não queria ser vice geral porque seu trabalho não lhe permite tempo de dedicação ao clube da forma que seria necessária, pois trabalha viajando em boa parte do tempo. Que nos últimos seis meses veio ao clube de 6:00 às 10:00 e depois ia para o seu trabalho, de onde só saía às 23:00. Diz que agora assumiu mais atribuições no trabalho e deve passar mais de 40 dias fora do Brasil até o fim do ano.

Diz não ter a mínima condição de ser presidente do clube nesse momento porque não tem como abrir mão do seu trabalho e o clube precisa de dedicação integral.

Diz que nessa semana um grande advogado Botafoguense propôs um fundo com contribuições de altos e baixos valores de várias pessoas para salvar o clube neste momento. Entende que a ideia é boa mas de difícil execução.

21:50: conselheiro Carlos Matos (Mais Botafogo)
Propõe que os percentuais que o clube tem sobre cada jogador sejam divulgados, inclusive antes das negociações.


21:52: conselheiro Rodrigo Pian (MCR) (erramos: ele não faz parte do grupo, embora seja da Coordenação da campanha do candidato Vinícius)
Diz que a responsabilidade do Conselho Deliberativo não pode ser esquecida, que o Conselho Deliberativo aprovou tudo isso que está acontecendo hoje, com a aprovação das contas, etc.
Pede que a transição seja imediata. Com o vice-presidente geral Paulo Mendes se recusando a assumir o clube e o presidente do Conselho Deliberativo José Luiz Rolim doente, caberia ao presidente em exercício do Conselho Deliberativo Álvaro Moreira assumir o clube e conduzir a transição.
Diz que esse processo tem de partir da própria diretoria, e não do Conselho Deliberativo. 
Elogia o grande benemérito Carlos Augusto Montenegro, que diz ser "o maior farol do clube", e pede que o ex-presidente conduza esse processo da melhor forma.


21:56: conselheiro André Barros (MCR)

Reforça a importância do elo entre torcida e time para evitar o rebaixamento e diz que a transição deve ser imediata. Sendo a renúncia ato unilateral, pede que sai da reunião de hoje uma comissão para levar ao presidente a carta de renúncia e que seja feita uma comissão de três pessoas para tocar o clube.


21:58: conselheiro Gustavo Noronha (Mais Botafogo)
Detalha sua proposta, dizendo que os atos de gestão até o fim da gestão deveriam ser compartilhados com o Conselho Deliberativo, inclusive o plano de recuperação a ser elaborado e executado.

Sobre as falas do grande benemérito Carlos Augusto Montenegro acerca da inviabilidade de remoção do presidente Maurício Assumpção do cargo, conselheiro Gustavo Noronha (Mais Botafogo) lê o Estatuto do BFR que prevê intervenção do Conselho Deliberativo para retirar o presidente em caso de algo grave, e é isso que também propõe neste momento.


22:03: Benemérito Jorge Aurélio (Mais Botafogo)

Entende que saída do presidente Maurício Assumpção deveria ser por renúncia, e que deveriam pressioná-lo para que time tal atitude, evitando batalhas judiciais.

Concorda com a proposta do grande benemérito Carlos Augusto Montenegro de criação de uma Comissão de Crise, mas que seria preciso operacionalizar isso tudo. Sobre reforma estatutária, como precisa ser votada pela Assembléia Geral, sugere que o seja concomitantemente à eleição.


22:06: Conselheiro Luiz Felipe

Manifesta preocupação com os meses que faltam para terminar o ano. Sugere que o Conselho Diretor elabore um plano, que esta reunião seja declarada permanente é que haja reuniões quinzenais para avaliar a execução do plano. E que se o Conselho Diretor se sentir inapto para essa tarefa, que o clube traga pessoas de fora para tal.


22:09: Álvaro Moreira, presidente da sessão.

Lê as propostas feitas hoje. Três delas são convergentes, sugerindo a intervenção do Conselho Deliberativo na administração.

Outra proposta versa sobre a renúncia do presidente, que a julgar pela entrevista concedida à ESPN, não parece ser a intenção dele. Mas pode ser votada uma proposta de impeachment, como foi sugerido. 

Outra proposta é sobre a criação de Comissão de Crise, como sugerido pelo grande benemérito Carlos Augusto Montenegro.


Álvaro Moreira relê:

1) Convocação de reunião extraordinária com quórum mínimo de dois terços do Conselho Deliberativo para votação do impeachment.

Álvaro Moreira ordena a saída de todos os não conselheiros do recinto para que a votação seja secreta.

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Neste momento, todos os não conselheiros saíram do salão, e ficou muito difícil entender o que era discutido. Porém, em vez de votação, houve longo debate especialmente entre o grande benemérito Carlos Augusto Montenegro e o grupo Mais Botafogo, com destaque para o conselheiro Gustavo Noronha.
Grande benemérito Carlos Augusto Montenegro é contra a intervenção do Conselho Deliberativo e contra qualquer proposta de impeachment ou algo semelhante. Alega que a eleição será em três meses, o novo presidente assumirá logo após a eleição (conforme mudança estatutária), e que ele mesmo iniciará o processo eleitoral na próxima semana. Diz também que para votar a saída do presidente ou a intervenção do Conselho Deliberativo é necessária a aprovação por maioria qualificada, isto é, ao menos dois terços do total de conselheiros transitórios e permanentes.

O grupo Mais Botafogo então fez os cálculos. São 154 conselheiros transitórios (eleitos para mandato de três anos) e cerca de 80 permanentes (beneméritos e grandes beneméritos, que são conselheiros vitalícios). Seria necessário um total de votos muito maior do que o quórum inteiro de uma sessão considerada cheia para os padrões normais.



Diante disso, ficou acordado o seguinte:

No dia 19/08/2014 haverá reunião extraordinária do Conselho Deliberativo para criação da Comissão de Crise do Conselho Deliberativo.

Nesta reunião também serão decididas a composição e as atribuições da Comissão de Crise.

Atribuições: pode ser para acompanhamento ou para intervenção. Como para ser de intervenção precisaria de uma impossível maioria qualifica no Conselho Deliberativo, podemos já considerar a Comissão de Crise com atribuição de acompanhamento.

A composição deverá ser a seguinte: cada um dos candidatos a presidente e mais uma ou duas pessoas por ele indicadas. O problema é que não há nenhum candidato formal, nenhuma chapa registrada, o que em tese dá a qualquer sócio apto o direito de se declarar candidato e pedir participação em tal Comissão de Crise.

Porém, há um consenso de que os considerados candidatos são:

Conselheiro Vinícius Assumpção (MCR).
Grande benemérito Carlos Eduardo Pereira (Mais Botafogo).
Benemérito Antônio Carlos Mantuano.
Sócio Marcelo Guimarães (Grande Salto).
Sócio Durcésio de Mello.

Atuação da Comissão de Crise: acompanhará por um tempo todos os departamentos do clube (jurídico, financeiro, administrativo, futebol, etc.) para que todos os candidatos tenham total conhecimento da real situação. A partir daí eles decidem se mantém a candidatura, se fazem novos arranjos políticos e qual o plano de ação para administrar o clube desde já.


22:55: Fim da reunião

A próxima reunião do Conselho Deliberativo, no dia 12/08/2014, será uma sessão solene de aniversário do Botafogo, conforme o Estatuto do BFR. Na semana seguinte, dia 19/08/2014, haverá a reunião extraordinária para a criação da Comissão de Crise.






21 julho 2014

O Botafogo sem Medo nas eleições e as últimas sobre a política no Botafogo



Maurício Assumpção discursa no Conselho para
alguns de seus possíveis sucessores

Acabada a Copa, voltamos à realidade. Embora em campo os resultados tenham sido na média (derrota fora e vitória no Rio), a política indica que voltará com mais força. Vamos aos informes:

O Botafogo sem Medo está se reunindo com as chapas que se apresentaram para a disputa da Presidência do Botafogo. A ideia é conhecer as propostas e saber qual delas está comprometida com os ideiais que norteam a atuação do grupo: a abertura do Botafogo através da criação de uma modalidade de sócio-torcedor com direito a votar e ser votado e transparência nos atos do clube. Já houve reunião com a chapa do candidato Vinícius e durante a semana ocorrerá um encontro com o pessoal do Mais Botafogo. Posteriormente, tentaremos nos encontrar com o "O Grande Salto", de Marcelo Guimarães.

Chegou ao nosso conhecimento que houve reunião entre as chapas do Vinícius e a do Marcelo Guimarães para um composição em torno de uma candidatura. Entretanto, não houve acordo. Possivelmente por ambos postularem a cabeça de chapa.

Um outro possível candidato, Mantuano, foi visto em um camarote na final da Copa junto ao Jairzinho e Zagallo. O que reforça a ideia de que ele vem buscando suporte de ex-jogadores em reforço ao apoio que detém junto a alguns beneméritos.

Para os próximos dias, há apenas uma reunião aberta da chapa do Vinícius, nesta quinta-feira, dia 24, no Centro do Rio de Janeiro. Segue abaixo o convite para os interessados.


O outro candidato, Durcésio Mello, não teve nenhuma movimentação conhecida no período, exceto uma nota na coluna do jornalista Ancelmo Gois, no Globo do dia 17/07, indicando que o empresário pretende triplicar o número de sócios-torcedores, investir na base e calibrar as finanças do clube de General Severiano.

E falando em Montenegro, o ex-presidente tem tentado reunir os atuais candidatos e alguns beneméritos para encontrarem uma saída para a grave situação financeira, bem como pensar o futuro do clube, em relação ao Ato Trabalhista, Engenhão e Caio Martins. A boa notícia é que discute-se a adoção do sócio-torcedor com direito ao voto (mas não a ser votado).

É pouco, mas já é algo.

Correção das 23h10: a reunião essa semana será com o Mais Botafogo. Posteriormente tentaremos nos encontrar com "O Grande Salto".

07 maio 2014

A incapacidade da diretoria do Botafogo de buscar mais receitas que os rivais



Em reportagem de 1º/05/2014 no jornal O Globo sobre preços de ingresso do Botafogo em comparação aos do Fluminense, o presidente do Botafogo, Maurício Assumpção saiu-se com a seguinte frase:
O vice de comunicação, de futebol e o Presidente
na reunião do Conselho Deliberativo

 — Eu não tenho o patrocínio que eles têm e não posso descartar a minha receita de bilheteria 
A frase é grave e merece atenção. Assumpção trata o patrocínio maior do rival como um fator de sorte, como se ele não pudesse fazer nada quanto a isso, como se fosse algo impossível de competir.

Ora, os rivais são concorrentes das mesmas competições, dos mesmos mercados. O Fluminense de fato tem um patrocínio de exceção, bem como Corinthians e Flamengo arrecadam muito mais em TV e patrocínio. Mas o Botafogo concorre nas mesmas competições que todos eles. Se não temos essas vantagens competitivas, precisamos criar outras situações favoráveis.

Clubes como Cruzeiro, Atlético, Internacional e Grêmio recebem menos dinheiro de patrocínio pelo simples fato de não estarem no Rio nem em São Paulo. Podem ganhar Libertadores e Mundial que continuam recebendo menos por conta de um fator geográfico imutável. Não estão nas duas principais cidades do país, nem são clubes de torcida nacional, e são todos clubes de torcida local.

Como, então, esses clubes competem em igualdade de condições técnicas com clubes como Flamengo e Corinthians, e acima de Botafogo e Palmeiras, por exemplo? Programa de sócio-torcedor (de verdade) e estádio próprio são as receitas gaúchas. Em Minas, investimento em centros de treinamento. Todos esses clubes arrecadam muito com venda de jogadores graças aos altos investimentos em categorias de base de excelência.

Quanto à TV, esses clubes de MG e RS recebem menos dinheiro por seus estaduais do que cariocas e paulistas e têm menos tempo de exposição. Entretanto, recebem pelo Brasileiro o mesmo que Botafogo e Fluminense. Por que isso? 

Porque esses dois cariocas são incompetentes, e gaúchos e mineiros mais competentes. O Santos, único paulista que estava nesse mesmo patamar, conseguiu se descolar e hoje recebe mais do que esse sexteto.

O Botafogo tem fatores de vantagem em relação a gaúchos e mineiros - está no Rio de Janeiro e tem torcida nacional. Mas hoje em termos competitivos está claramente abaixo deles em poder de investimento e desempenho técnico.

Assumpção, ao dizer "não tenho o patrocínio que eles têm", esquiva-se de sua responsabilidade, admite e aceita como realidade inexorável que o Botafogo está condenado a sempre ter poucos recursos, e com isso destinado a contentar-se a equipes modestas, de meio de tabela, equipes que podem, no máximo, embalar uma boa fase e eventualmente beliscar uma Libertadores.

Isso é fugir da responsabilidade de gestor e praticamente desistir do Botafogo como clube de ponta, como clube dominante.

Tal frase conformista e escapista retrata bem o que são os seis anos de Assumpção à frente do Botafogo. Os gestores do Botafogo não podem transferir a responsabilidade pela má colocação do clube no cenário nacional em comparação aos demais grandes.

03 maio 2014

Maurício Assumpção e a sua dificuldade de entender a torcida do Botafogo



Em reportagem de 01/05/2014, no jornal Extra online, o presidente do Botafogo, Maurício Assumpção foi questionado sobre o preço dos ingressos, numa comparação com a bem sucedida campanha do Fluminense, que baixou o preço e passou a ter públicos bons para a realidade brasileira. As respostas de Assumpção guardam o eterno desprezo para com a torcida do Botafogo, mas revelam também uma assustadora incompetência.

Maurício Assumpção nunca entendeu a torcida do Botafogo
Os números levantados pelo jornal são os seguintes:

Fluminense x Figueirense
Preço mínimo: R$ 10,00
Público pagante: 31.173
Arrecadação líquida (após descontos): R$ 118.000,00
Ingresso médio: R$ 12,36

Botafogo x Internacional
Preço mínimo: R$ 50,00
Público pagante: 7.954
Arrecadação líquida (após descontos): R$ 22.000,00
Ingresso médio: R$ 38,50

Vejamos as respostas de Assumpção:
— Nós já fizemos promoções no ano passado, quando tínhamos Seedorf e Rafael Marques, e percebemos que o aumento do público nesses casos é de 15%. No Fluminense, realmente, eles colocam o dobro de torcedores quando há promoção. A verdade é que o torcedor do Botafogo fica nas redes sociais cobrando promoção, mas, quando fazemos isso, ele não vem ao estádio. Na Libertadores, o torcedor do Botafogo mostrou que comparece quando compra o barulho do time, mesmo sem promoção.
— Eu não posso cobrar R$ 10 no ingresso e o sócio-torcedor, que está com a gente o ano todo e pagando R$ 79,90 por mês, ficar com cara de otário — disse.
 O assunto é importante, e merece uma análise mais aprofundada.

1 - Sou Botafogo não é sócio-torcedor


Para começar, esqueçam a expressão “sócio-torcedor”. O Sou Botafogo não é um programa de sócios, pois quem o assina não se torna sócio do Botafogo. É apenas uma assinatura de ingressos ou benefícios, mais nada.

2 - Preço do ingresso médio pago pelos assinantes do Sou Botafogo


A reportagem diz que o Botafogo tem cerca de 7 mil assinantes do Sou Botafogo com direito a entrar no estádio com a carteirinha. Esse número parece estar inchado, ao menos se cotejado com o público que realmente comparece aos jogos. 

A mensalidade mais baixa dessa modalidade de assinatura é de R$ 80,00 reais. Em um ano, são R$ 960,00. O Botafogo até agora mandou 7 jogos no Campeonato Carioca (seis contra pequenos e um clássico), 4 na Libertadores, e até o fim do ano terá mandado mais 19 no Brasileiro e ao menos 1 na Copa do Brasil. Isso totaliza 31 jogos com mando (podendo chegar a 34, se formos à final da Copa do Brasil). 

R$ 960,00 no ano por 31 jogos já dariam um ingresso médio de R$ 30,97 reais. Se considerarmos que dos seis jogos contra pequenos, apenas um foi no Maracanã, e que do Brasileiro estão previstos ao menos dois jogos fora do Maracanã, essa conta cai para 24 jogos, com o ingresso médio apenas para jogos no Maracanã subindo para R$ 40,00. Se por um acaso o torcedor faltar a quatro partidas e for apenas a 20 jogos, a média já sobe para R$ 48,00 por jogo. Se considerarmos que muita gente paga meia, um assinante do Sou Botafogo que vá a 20 jogos terá pago em média quase o dobro de alguém que vá aos mesmos 20 jogos pagando meia.

Quem empenha R$ 960,00 nisso? Somente os famosos "sete mil de sempre", que são basicamente o público inercial do Botafogo que desde 2003 assina qualquer coisa que a diretoria invente, por pior que seja, embora nem sempre vão aos jogos. Os demais ficam no varejo, contando dinheiro apenas para os jogos mais importantes.

Isso não é legal, Maurício

3 - Antes de renda e fidelização, o importante é a taxa de ocupação


Buscar fidelização e aumentar arrecadação com a renda devem ser objetivos de todo clube. Mas primeiramente é necessário criar demanda. Não se pode vender caro um produto que não tem demanda. E o futebol brasileiro tem problema de demanda, pois o baixo público é histórico e endêmico, com razões nacionais, locais e específicas de cada clube. Alguns clubes têm feito ações que trazem bons públicos, mas geralmente por curto período.

Ao usar o Sou Botafogo como justificativa para o alto preço, Maurício continua persistindo no mesmo erro pelo sexto ano seguido, o mesmo erro que outros clubes cometem. Cria uma dificuldade, o valor alto do ingresso, para que o plano de ingressos, que também não é bom, se torne vantajoso. Não há demanda grande que justifique sacrifícios ou altos gastos do torcedor.

Assumpção alega que é mais vantajoso assinar o Sou Botafogo do que pagar ingresso cheio em todos os jogos. Mas quem disse que o torcedor está disposto a ir a todos os jogos nas condições atuais? O Sou Botafogo sai a uma média um pouco menor? E daí? Estamos comparando algo caro com outro ainda mais caro, por um produto que não vale o que cobram. E quem diz que não vale são os borderôs, os públicos. 

A diretoria do Fluminense finalmente reconheceu que seu público acha que o espetáculo que o clube vende vale R$ 10,00, mas não vale R$ 50,00. Por R$ 10,00, há demanda, por R$ 50,00 não.

4 - Experiência e hábito, não obrigação


O clube hoje precisa oferecer ao torcedor uma boa experiência no estádio, de modo que ele goste e queira voltar. Com isso, ele cria o hábito de ir aos jogos regularmente, passa a sentir falta quando não vai, pode ir com amigos ou familiares, transformando aquela simples partida de futebol numa experiência também de relacionamento.

O torcedor já sofre com o transporte, a violência e alguns horários complicados. A desorganização do futebol brasileiro, com excesso de jogos, muitos deles inúteis, também contribui para o desânimo. Esses são fatores inerentes ao país, às cidades e ao futebol brasileiro. O clube deve então atacar os pontos que lhe cabem, especialmente no interior do estádio.

Baixo preço de ingresso, permitindo ao torcedor comprar por impulso e até levar familiares sem que isso pese no bolso. O torcedor pensa em ir ao jogo e vai, sem fazer contas ou se assustar com valores. O clube precisa oferecer também conforto e comodidade. Venda de ingressos antecipada, organizada, entrada no estádio também organizada e boa estrutura dentro, preferencialmente sem tentar extorquir o cidadão nos bares internos.

O torcedor não tem nenhuma obrigação de ir ao estádio, como pensam muitos dirigentes. Ele é ao mesmo patrão, cliente e consumidor. Sendo bem tratado, o torcedor usufrui da experiência e quer repeti-la, leva filhos, leva amigos e uma nova geração de torcedores cria o hábito da arquibancada.

5 - Os ganhos indiretos


É comum que um dirigente de pouca visão pense no público apenas pela renda. O Extra já mostrou que mesmo com ingresso mínimo custando um quinto do Botafogo, o Fluminense saiu de seu jogo com o quíntuplo de dinheiro. Ou seja, mesmo na conta direta o Botafogo já saiu perdendo.

Mas há ganhos indiretos. O estádio cheio traz diversas vantagens para o clube. Primeiro, há um ganho técnico, pois a atmosfera criada com mais torcida pressiona o adversário, anima a equipe e aumenta a chance de resultado positivo. E vitórias significam mais retorno de mídia, valorização, disputa de títulos.

O estádio cheio é bom para a imagem do clube e da torcida. Cria-se a fama de torcida que comparece, que empurra, e o torcedor se sente parte do jogo, sente que ajuda no resultado. O torcedor sente orgulho de si mesmo.

Com mais pessoas criando o hábito de ir aos jogos e vivenciando essa experiência de um estádio cheio, forma-se uma nova geração de torcedores atuantes, torcedores estes que também são mais propensos a consumir produtos originais do clube.

Também agrega valor à marca. A tendência é a TV transmitir mais jogos, pois partidas com mais público dão mais audiência do que as de estádio vazio. A camisa se valoriza, aumentando a arrecadação com patrocínios.

Não fica mais bonito assim?

6 - Fazer o básico corretamente


Portanto, é preciso ter em mente que o mais importante no momento é subir a taxa de ocupação do estádio. Para tal, o Botafogo precisa tratar bem seu torcedor através de ações simples:

- Ingressos compatíveis ao que hoje vale o espetáculo e ao que hoje está disposto a pagar o torcedor. 
- Venda de ingressos organizada e bem antecipada. 
- Operação do estádio também organizada, especialmente entrada e saída. 
- Pacotes de ingressos para jogos em sequência ou por competição.
- Confirmação antecipada de datas e locais dos jogos (por exemplo, ninguém sabe ao certo onde serão os próximos). 

Não são ações inovadoras ou mirabolantes, basta fazer com qualidade a rotina inerente a qualquer clube, mas que hoje no Botafogo se faz de forma péssima. Bons resultados não serão obtidos simplesmente criticando repetidamente a torcida e tratando-a como se tivesse obrigação de compensar os erros administrativos de pessoas despreparadas.

O Fluminense, tão elogiado, pôs 30 mil pagantes, que são em torno de 50% de taxa de ocupação (considerando carga máxima de 60 mil). É uma taxa pífia se comparada à Europa, mas boa em termos de Brasil. O Botafogo precisa trabalhar com uma meta de pelo menos 60% ou 70%, mesmo sabendo que isso não se consegue da noite para o dia.

Preço justo, organização e bom tratamento são a chave. O torcedor do Botafogo já deu provas de que responde bem quando motivado. Basta então que lhe deem motivos para encher novamente o estádio.

27 março 2014

"Os números dizem mais" (comentários sobre a reunião do Conselho Deliberativo do Botafogo - 25/3)



Ontem à noite, em General Severiano, o Conselho Deliberativo do Botafogo se reuniu para votação das contas do ano de 2013, benemerências e emerências. Porém, longe da simplicidade da frase introdutória, a reunião teve uma discussão acalorada e votações inesperadas.

"O espetáculo da Democracia"
Vamos, então, aos destaques da noite.

Conselheiros


Houve uma melhora na presença, com 93 conselheiros participando da reunião, cerca da metade do total. Mas temos que destacar o baixo número de pessoas fazendo o uso do microfone para o debate ou exposição de ideias: 10.

Essa situação foi tratada pelos conselheiros Vinícius Assumpção (MCR) e Luiz Felipe (Mais Botafogo). Ambos disseram que é necessário um novo caminho, com mais participação do Conselho e um planejamento ao longo prazo.

Os números da dívida


Enquanto os votos eram calculados, o presidente Maurício Assumpção queixou-se das críticas em relação ao aumento da dívida do Botafogo e citou números, muitos números. Vamos analisá-los:

"Olha a dívida lá no teto!"
Janeiro de 2009 - R$286 milhões
Após a auditoria - R$370 milhões

Um aumento de R$84 milhões ou 29,5%

Hoje, segundo Maurício, a dívida é de R$700 milhões. Isso dá um aumento de R$330 milhões em relação ao valor auditado (R$370 milhões), o que significa um crescimento de 89,2%.

Para a defesa da sua gestão, Maurício afirmou que, se fossem pagar a dívida hoje, à vista, esta seria de R$496 milhões. Entretanto, surge uma dúvida nesse raciocínio:

O valor declarado de R$286 milhões para a dívida (depois, R$370 milhões) era o valor para pagamento à vista?

Pela fala do presidente e números apresentados, não parecia ser este o caso. Sendo assim, a comparação não parece ter sido a correta.

Com isso, a menos que se considere o valor para pagamento à vista dos R$370 milhões (em 2009), a única comparação que pode ser feita é com os R$700 milhões, não com os R$496 milhões.

O Ato do TRT


Ao ser questionado sobre os motivos que levaram o Botafogo sair do Ato Trabalhista do TRT, Maurício Assumpção respondeu que "o ato expirou no fim do ano passado, e nos termos de então não interessava ao Botafogo continuar".

Conversamos com algumas pessoas sobre a saída do Botafogo do Ato e tivemos respostas divergentes da informada pelo presidente do clube.

Pelo que apuramos, houve uma denúncia de um advogado de um ex-jogador do clube em relação às receitas da Cia Botafogo. Com isso, o presidente do TRT excluiu o Botafogo do Ato Trabalhista no meio do ano.

O Botafogo recorreu da exclusão, mas como estava em dezembro e o ato é renovado anualmente, o clube achou melhor desistir do recurso e começar a negociar um novo ato.

Na negociação, o Botafogo reconhecia dívidas trabalhistas até o ano de 2013 e que totalizavam R$90 milhões. O juiz responsável pelo Botafogo fez algumas propostas de pagamento, com o clube oferecendo R$900 mil por mês para quitação da dívida.

Entretanto, o juiz tomou conhecimento da situação da Cia Botafogo e paralisou as negociações. O Botafogo espera retornar em breve.

É bom ressaltar que Vasco e Fluminense continuam no Ato do TRT.

A discussão e a confusão


Após a sua explicação da dívida, Maurício Assumpção preparava-se para deixar o púlpito e retornar ao seu lugar. Entretanto, um conselheiro pediu a palavra e fez um questionamento sobre o Ato do TRT. Após essa pergunta, o benemérito oposicionista Carlos Eduardo Pereira pediu a palavra e questionou o presidente a respeito dos adiantamentos de receitas futuras.

"Até aqui, tudo tranquilo..."
Inicialmente, é justo elogiar a postura do Maurício Assumpção de ir ao Conselho esclarecer aspectos da sua gestão. Porém, a maneira pela qual isso ocorreu não merece elogios. Entendemos que exista uma relação pouco amistosa entre a pessoa do Maurício Assumpção e o benemérito Carlos Eduardo (e, consequentemente, o seu grupo, Mais Botafogo), mas um presidente jamais pode responder de forma debochada e cheio de ironias, ainda mais quando em outro Poder soberano do clube, o Conselho Deliberativo.

Críticas existirão sempre e os resultados da eleição de 2011, quando Maurício enfrentou nas urnas o mesmo Carlos Eduardo, comprovaram de que lado estavam os sócios. Assim, ao dizer que não sabe quanto foi adiantado, que Carlos Eduardo deveria pedir ao membro do Mais Botafogo no Conselho Fiscal que respondesse, ele ignora que aquela pode ser também a dúvida de diversos outros conselheiros e sócios ali presentes.

O mesmo se deu na pergunta final, quando Maurício foi questionado em relação ao número de sócios. Visivelmente irritado, foge da pergunta para só, enfim, falar três mil, mas sem muita convicção.

O que seguiu foram cenas ainda mais lamentáveis, mas não podemos ser levianos e condenar apenas Maurício pela confusão. Conversamos com conselheiros presentes à reunião e houve troca de acusações entre os dois, permeadas de xingamentos. E o ápice teria sido quando Carlos Eduardo chamou para briga Maurício Assumpção, repetindo o acontecido durante as discussões da implantação do novo estatuto do clube, ainda em 2008 - quando o benemérito repetiu o gesto com um conselheiro da situação à época.

Que se respeitem os Poderes do clube, que briguem as ideias e que dialoguem as pessoas.

Votações


As votações do Orçamento de 2013, vices e benemerências constituíam um teste político para a atual administração. Sendo assim, podemos dizer que ela foi aprovada, mas na recuperação (se é que isso existe ainda nas escolas).

"Vazia igual à nossa conta, presidente"
Vamos aos fatos:

1 - O grupo de oposição "Mais Botafogo" elegeu 14 conselheiros. Não foi possível precisar o número de beneméritos que eles possuem nos seus quadros, mas o grupo tem cerca de 20 votos no Conselho.

2 - A votação do Orçamento, assim como as dos vices, são indicações diretas do presidente, muito mais que as benemerências. Explico: os vices estarão ligados à sua administração, os beneméritos continuarão no clube. 

Enfim, uma derrota nessas votações seria uma derrota do Maurício Assumpção, enquanto que as eleições dos beneméritos são vistas muito mais como algo do homenageado.

Isso talvez explique a diferença nos votos dados ao Carlos Calumby para vice (48 x 42) e benemérito (43 x 44).

3 - A votação que aprovou o Orçamento 2013 teve o seguinte placar: 70 a favor, com 23 contrários. Não houve abstenções.

Posto isso, e considerando que o "Mais Botafogo" votou em peso pela rejeição, sobrariam apenas 3 votos para mapear. Número desprezível. Sigamos.

4 - Antes de a reunião começar, eu já tinha a informação que o "Mais Botafogo" (o que era natural) e conselheiros ligados ao benemérito Mantuano trabalhariam contra as indicações do André Silva e Carlos Calumby. Se eu sabia, imagine os conselheiros...

5 - Não temos os números do André Silva para vice, embora os votos a favor e contra estejam na casa dos 40, como as outras votações para vice, pelo que pudemos entender do péssimo áudio.  O que causa estranheza aqui é a diferença nos votos para benemérito: 52 a favor, 35 contra.

Na votação do André, podemos levar em consideração que ele, hoje, é o candidato da situação à sucessão do Maurício.

Assim, quem iria querer ficar mal com ele?

"Agora até que faz sentido"
6 - Dado os números, a oposição teve a ajuda de cerca de outras 20 pessoas nas votações para vices e beneméritos. Uma parte era o grupo ligado ao benemérito Mantuano (ex-vice do Maurício na 1ª gestão, além de ter sido presidente do 1º Conselho Fiscal do Bebeto e renunciado às vésperas da eleição de 2005 para concorrer), a outra certamente de conselheiros "independentes", já que a os números variaram bastante.

Poderíamos colocar na balança desavenças pessoais e questões de ego. E, também, claro!, quem não concordava com as indicações. Mas isso seria para votos "residuais", mas as votações foram muito parecidas.

7 - Entretanto, o principal indicador é: das 3 votações para vice, duas levaram 42 votos contra; outra, 43. Há um padrão aí. E é difícil acreditar em coincidências em política.

Até junho!

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